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Cientistas espanhóis pedem avaliação imparcial da gestão da pandemia

Um grupo de 20 cientistas e investigadores espanhóis apelou hoje ao Governo para promover "uma avaliação independente e imparcial" da gestão da pandemia de covid-19 para perceber por que motivo Espanha foi tão afetada.

Cientistas espanhóis pedem avaliação imparcial da gestão da pandemia
Notícias ao Minuto

11:42 - 07/08/20 por Lusa

Mundo Pandemia

Espanha é o país da Europa ocidental com mais casos de coronavírus, 309.855 segundo os números da Universidade Johns Hopkins.

Numa carta publicada hoje na revista científica Lancet, os 20 cientistas pedem uma avaliação realizada por um painel de peritos espanhóis e estrangeiros sobre "as atividades do Governo central e dos governos das 17 comunidades autónomas".

A avaliação deve centrar-se em três áreas - governança e tomada de decisões, assessoria científica e técnica, e capacidade operacional -, defendem os investigadores.

Na carta, os peritos admitem que entre as eventuais explicações poderão estar a falta de preparação, uma resposta demasiado lenta, a população envelhecida e cortes no financiamento do sistema de saúde público.

Os investigadores defendem que esta avaliação "não deve ser concebida como um instrumento para distribuir a culpa. Deve antes identificar áreas em que a saúde pública, o sistema de saúde e a assistência social devem ser melhorados".

Espanha precisa de uma "avaliação exaustiva dos sistemas de saúde e assistência social para preparar o país para novas vagas de covid-19 ou futuras pandemias, identificando debilidades e forças, e lições aprendidas", argumentam.

Na mesma carta, os investigadores questionam como é possível que Espanha, que "tem um dos sistemas de saúde com melhor desempenho do mundo", tenha registado até agora mais de 300.000 casos e 28.498 mortes, "mais de 50.000 profissionais de saúde infetados e quase 20.000 mortes em lares de idosos".

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 712 mil mortos e infetou mais de 19 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.743 pessoas das 52.061 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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