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Em Marrocos há setores "fortemente afetados" pela crise

As atividades económicas em Marrocos foram muito afetadas pela crise atual mas o Governo respondeu com um fundo especial para gerir a crise sanitária e apoiar as empresas nacionais, indicou à Lusa o embaixador do país magrebino em Lisboa.

Em Marrocos há setores "fortemente afetados" pela crise
Notícias ao Minuto

09:28 - 07/08/20 por Lusa

Mundo Marrocos

"A crise teve efeitos negativos no conjunto das atividades económicas, vários setores foram, mais ou menos, fortemente afetados. O setor do turismo e dos transportes que representam mais de 12% do PIB, foram os mais atingidos pela pandemia, com uma interrupção quase total da atividade na maioria das cidades do Reino, em conexão com a queda no número de chegadas turísticas durante o período de confinamento", assinalou o embaixador Othmane Bahnini numa resposta por escrito às questões colocadas pela Lusa.

O representante diplomático de Rabat sublinhou que o Governo do reino alauita, e por indicação de Mohammed VI, aprovou um fundo especial para combater as consequências negativas da disseminação da covid-19, num país que foi dos primeiros na região a adotar medidas de confinamento.

"Este fundo, dotado de quase 4 mil milhões de dólares [3,3 mil milhões de euros] tem por objetivo em primeiro lugar gerir a crise sanitária assegurando aos serviços hospitalares os meios e os equipamentos necessários e fornecendo apoio direto a várias empresas nacionais", assinalou.

Na passada segunda-feira, e após um recente aumento do número de contágios motivados pelo novo coronavírus, o Governo marroquino anunciou a suspensão de férias e folgas dos trabalhadores do setor da saúde "até nova ordem".

E na quinta-feira decidiu prolongar por um mês, até 10 de setembro, o estado de emergência sanitária no conjunto do território, que fornece ao Governo um quadro jurídico para adotar "medidas excecionais" face à pandemia, designadamente através de decretos.

Os últimos dados oficiais divulgados na quarta-feira, indicavam que desde março foram detetados no país cerca de 28.500 casos de contaminação, incluindo 435 mortos. Nesse mesmo dia, foi anunciado um recorde de 1.283 casos recenseados.

As fronteiras continuam fechadas "até nova ordem" e permanecem as restrições para deslocações em direção ou provenientes de oito cidades do país, apesar das medidas de desconfinamento adotadas em junho com a reabertura de cafés, restaurantes, lojas e a reativação do turismo doméstico.

Com cerca de 35 milhões de habitantes, Marrocos permanece um país como muitas potencialidades, incluindo pelas suas particularidades demográficas, sustenta o embaixador.

"Marrocos é considerado um país jovem, ou melhor, rico pela sua juventude, que é uma fonte de dinamismo e progresso, com mais de 60% da população com menos de 34 anos de idade. É de facto uma riqueza, mas vários desafios devem ser observados em termos de saúde, de educação, de formação, de criação de emprego", assinala.

As opções estratégicas assumidas pelo país motivaram profundas alterações no tecido económico e social do país, mas não resolveram todos os problemas, agravados pela atual crise.

"As escolhas estratégicas feitas por Marrocos, nos últimos vinte anos, sob a liderança de Sua Majestade o Rei, deram origem à reestruturação e modernização de setores-chave da sua economia dotando o país de uma infraestrutura de alto nível permitindo garantir um crescimento forte, sustentável e gerador de riqueza", enfatiza o embaixador.

"Esse ambiente económico e social permitiu criar investimento nacional e estrangeiro" e garantir "um 'bond' extraordinário segundo dados do Banco Mundial, passando do 128.º para o 53.º lugar em termos de facilitação dos investimentos e do clima de negócios", prosseguiu Othmane Bahnini.

Na sequência desta estratégica, revelou que foram criados cerca de 165.000 empregos em 2019, contra 111.000 no ano anterior.

"Como para todos os países, a criação de emprego é a maior das preocupações, e o nosso país investiu muito na formação e qualificação dos jovens para lhes garantir oportunidades de trabalho", sustenta.

E numa referência aos principais setores da economia marroquina, destacou a indústria automóvel e aeronáutica, as energias renováveis, o turismo, a agricultura, a pesca, a logística e as tecnologias de informação e comunicação (TIC).

"Sem esquecer, claro, a exploração e a transformação das jazidas de fosfatos que representam o recurso principal para o país", acescenta.

E concluiu: "O desenvolvimento desses setores e graças aos diversos acordos de livre comércio assinados por Marrocos com a União Europeia, os Estados Unidos, a Turquia e o mundo árabe, Marrocos tornou-se num verdadeiro 'hub' [foco] para o investimento oferecendo um mercado de mais de mil milhões de consumidores aos investidores".

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