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Ajuda pública à comunicação social é "útil" se for para transformar

Laurent Joffrin, ex-diretor do jornal francês Libération, considera que as ajudas públicas aos meios de comunicação são "úteis" desde que sirvam para que estes se adaptem à realidade atual e a manter a pluralidade de opiniões num país.

Ajuda pública à comunicação social é "útil" se for para transformar
Notícias ao Minuto

09:03 - 01/08/20 por Lusa

Mundo ex-diretor do Libération

"Se for uma ajuda à transformação, é útil. Muitos jornais perceberam em França que era algo necessário e acolheram esses fundos [...]. É o preço a pagar para que numa altura de transformação, o pluralismo da informação continue a existir e para que não nos afoguemos nas falsas informações", afirmou em entrevista à Lusa Laurent Joffrin, ex-jornalista que lançou há cerca de duas semanas um movimento político.

As ajudas do Estado aos meios de comunicação em França existem desde a Revolução Francesa, tendo já tido diferentes formatos e representado atualmente, segundo Laurent Joffrin, entre 10 a 15% do volume de negócios dos jornais, rádios e televisões.

Tendo já dirigido dois jornais, o Nouvel Observateur e o Libération, cuja direção deixou no início de julho e com uma carreira de 30 anos no jornalismo, Laurent Joffrin considera que "nunca houve tantos leitores", o que falta é um modelo económico.

"Nunca houve tantos leitores e isso tornou-se ainda mais verdade durante a crise da [pandemia de] covid. Mas o problema dos meios de comunicação é o modelo económico. Ter tornado os conteúdos gratuitos é que prejudicou os jornais", identificou, sublinhando que durante a pandemia, o Liberation duplicou o número de assinantes.

Em maio de 2020, o Liberátion, detido até agora pelo grupo Altice, seguiu os passos do The Guardian e passou a ser gerido por uma fundação sem fins lucrativos. Uma opção que tem vantagens segundo Joffrin.

"A fundação tem uma vantagem que é eliminar a dependência dos grandes grupos industriais e uma possível solidariedade com os seus objetivos. Faz com que os jornais não tenham o lucro como objetivo", explicou, referindo que num primeiro momento, são esses grupos que dão a dotação inicial aos meios de comunicação, deixando depois de ter qualquer intervenção na gestão dos jornais.

Ao mesmo tempo, muitos meios de comunicação em França, especialmente os mais dependentes da publicidade, estão a atravessar um período difícil devido à crise da doença covid-19.

"Para os 'media' que dependem da publicidade, houve uma queda enorme nas receitas. A isto veio juntar-se o facto de muitas empresas estarem a fechar e de o próprio sistema de distribuição de jornais em França ter falido. Agora é preciso reagir para evitar despesas e procurar um equilíbrio económico", concluiu.

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