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Mais de dez mil pessoas detidas nos protestos contra o racismo

Mais de 10 mil pessoas foram detidas nos EUA em protestos contra o racismo e a brutalidade policial na sequência da morte de George Floyd, segundo um registo da agência Associated Press com base em dados recolhidos no país.

Mais de dez mil pessoas detidas nos protestos contra o racismo
Notícias ao Minuto

12:39 - 04/06/20 por Lusa

Mundo EUA

A contagem aumenta várias centenas todos os dias, à medida que mais manifestantes vão para as ruas e se confrontam com uma presença policial mais pesada e um recolher obrigatório que aumenta as razões da polícia para fazer detenções.

As manifestações nos Estados Unidos começaram depois da divulgação de imagens nas redes sociais que mostram a morte de um afro-americano causada por um polícia branco de Minneapolis (nos Estados Unidos), que pressionou o joelho contra o seu pescoço enquanto o detido estava algemado no chão e gritava que não conseguia respirar.

Los Angeles contabiliza mais de um quarto das detenções nos Estados Unidos, seguindo-se Nova Iorque, Dallas e Filadélfia.

Muitas das detenções foram causadas por ofensas menores, como violações do recolher obrigatório e falta de dispersão, mas centenas de pessoas foram presas por roubo e pilhagem.

Neste momento, não se sabe quantas das pessoas detidas foram presas, já que muitas prisões do país estão a lidar com surtos de coronavírus e os manifestantes são frequentemente transportados para outros locais.

A noite passada foi novamente de protestos, a maioria dos quais pacíficos, mas com tumultos ocasionais em cidades como Nova Iorque, onde a polícia fez detenções em várias áreas, uma hora depois do início do recolher obrigatório e numa manifestação realizada em frente da residência oficial do presidente da câmara, Bill de Blasio.

Na última noite, a polícia de Nova Iorque decidiu dar aos cidadãos uma "hora extra" depois do recolher obrigatório, que começou às 20:00 locais, mas o dispersar que se seguiu foi mais violento.

O chefe do departamento de polícia, Terence A. Monahan, admitiu que a abordagem foi mais agressiva na rápida dispersão de grupos de manifestantes.

"A tolerância é suficiente", disse, lembrando que nas duas noites anteriores a cidade viveu um caos de distúrbios e pilhagens.

As cenas mais complicadas foram gravadas em Brooklyn, nos arredores de Cadman Square, Fulton e Borough Hall, onde a polícia usou cassetetes, balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes e deteve várias pessoas depois do toque de recolher.

Enquanto isso, em Nova Orleães, a polícia lançou gás lacrimogéneo contra os manifestantes quando estes tentavam atravessar a Crescent City Connection, uma ponte sobre o rio Mississippi.

Na capital, Washington, ainda havia centenas de manifestantes nas proximidades da Casa Branca após o toque de recolher, às 23:00 locais (04:00 em Lisboa), mas não se registaram confrontos.

Por todo o lado, os manifestantes saudaram o reforço das acusações contra o polícia Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, e as acusações formais aos outros três agentes que estavam no local, mas defenderam querer ir mais longe: acabar com o racismo sistémico nos Estados Unidos.

O procurador-geral do estado do Minnesota, Keith Ellison, anunciou na quarta-feira ter decidido elevar a acusação contra Chauvin para homicídio em segundo grau e acusar formalmente os outros três por ajudar e instigar um assassínio.

A morte de Floyd provocou uma onda de protestos e distúrbios em todo o país, contra os quais o Presidente, Donald Trump, prometeu mão de ferro e ameaçou com uma resposta militar.

A sua administração foi questionada por vários ex-Presidentes, como George W. Bush, que é do Partido Republicano como Trump, e que, em comunicado, assegurou que tanto ele próprio como a sua mulher, Laura, ficaram "angustiados com a asfixia brutal de George Floyd", mas também "perturbados pela injustiça e pelo medo que asfixiam" o país.

A última crítica foi feita pelo ex-chefe do Pentágono, James Mattis, que foi secretário de Estado da Defesa do Governo de Trump.

Mattis acusou o Presidente de "tentar dividir" o país e abusar da sua autoridade, "militarizando a resposta aos protestos" pela violência policial contra os negros.

Num comunicado publicado na revista The Atlantic, Mattis criticou duramente Trump, um gesto extraordinário já que, até agora, o ex-responsável da Defesa nunca tinha falado sobre as suas diferenças com o Presidente exceto para reconhecer que discordavam sobre o conflito na Síria.

"Donald Trump é o primeiro Presidente que nunca tentou unir o povo americano e nem sequer finge tentar. Em vez disso, está a tentar dividir-nos. Estamos a testemunhar as consequências de três anos sem uma liderança madura", escreveu.

O desacordo com os responsáveis militares inclui também o atual secretário de Defesa, Mark Esper, que rejeitou o uso de tropas ativas para conter a onda de protestos num sinal claro de desacordo com Trump.

"A opção de usar militares ativas para garantir a lei deve ser usada apenas como último recurso e apenas nas situações mais urgentes e extremas", disse Esper numa conferência de imprensa do Pentágono.

Também o ex-Presidente Barack Obama (2009-2017) criticou Trump na quarta-feira, embora indiretamente, incentivando os jovens que lideraram os protestos a continuar a tentar produzir mudanças.

Numa palestra organizada pela sua fundação, o primeiro Presidente afro-americano dos Estados Unidos garantiu que não concorda com as comparações entre os protestos atuais e os tumultos registados após o assassínio de Martin Luther King, em 1968, porque "há algo diferente" no movimento atual.

"Quando se olha para os protestos (de agora) vê-se muito mais diversidade da América nas ruas, num protesto pacífico para o qual se sentem impelidos. Isso não existia nos anos 1960, essa ampla união", sublinhou Obama.

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