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Vítimas e famílias aguardam há um ano por justiça após ataque no Sudão

O Governo de transição do Sudão continua por fazer justiça às vítimas e às famílias, um ano depois de 120 pessoas terem sido mortas e centenas feridas num ataque contra manifestantes em Cartum, segundo a Human Rights Watch.

Vítimas e famílias aguardam há um ano por justiça após ataque no Sudão
Notícias ao Minuto

10:29 - 03/06/20 por Lusa

Mundo ONG

A comissão de investigação do Governo deverá apresentar as suas conclusões ao Procurador-Geral da República nas próximas semanas, as quais a organização dos direitos humanos Human Rights Watch pretende que as autoridades tornem públicas, defendendo que os procuradores devem recursos para lhes dar seguimento, incluindo a apresentação de acusações contra os responsáveis ao mais alto nível.

"Um ano depois, as vítimas da repressão sangrenta ouviram muitas promessas, mas ainda não viram qualquer forma de responsabilização", afirmou Jehanne Henry, diretora da Human Rights Watch para a África Oriental.

O relatório final da comissão de inquérito deve ser tornado público para garantir total transparência, defendeu, acrescentando que a Procuradoria-Geral "deve processar os responsáveis, mesmo que sejam membros do conselho soberano no poder".

Após protestos populares que obrigaram o Presidente de longa data, Omar al-Bashir, a demitir-se, em 11 de abril de 2019, um conselho militar de transição tomou o poder.

Mas os manifestantes continuaram a reunir-se, no meio de negociações tensas entre grupos militares e civis, numa concentração diante do quartel-general militar em Cartum, exigindo uma transferência de poder para um Governo civil.

As forças de segurança governamentais fizeram várias tentativas para desmantelar partes da concentração. Na madrugada de 03 de junho, as forças de segurança cercaram e dispersaram violentamente o protesto, disparando diretamente contra os manifestantes, matando e ferindo dezenas de pessoas, e sujeitando muitas mais a espancamentos, violações, agressões sexuais, humilhações e outros abusos.

As forças de segurança também atacaram o pessoal médico, os hospitais e as clínicas.

Com base em investigações realizadas em agosto de 2019, a Human Rights Watch descobriu que pelo menos 120 pessoas tinham sido mortas e mais de 900 feridas entre 03 e 18 de junho.

Os funcionários sudaneses estimam agora que pelo menos 64 mulheres foram violadas e outras foram sexualmente agredidas. A Human Rights Watch concluiu que os crimes e abusos cometidos durante a repressão poderiam ser qualificados como crimes contra a humanidade porque faziam parte de uma prática governamental de longa data de utilização de força excessiva, incluindo a letal, contra manifestantes desarmados.

Em agosto, as partes concordaram com um Governo de transição chefiado por um conselho soberano de líderes militares e civis.

Os membros militares deverão liderar o conselho durante os primeiros 22 meses, seguidos pelos civis, estando as eleições marcadas para 2022.

O acordo apelava a uma investigação independente sobre a violência de 03 de junho. Em setembro, as autoridades criaram uma comissão de inquérito e deixaram claro que o procurador-geral poderia utilizar as provas e as conclusões para a instauração de processos penais.

"Após um ano, a justiça ainda está atrasada e pendente", disse Saadia Saif al-Deen, porta-voz da associação de famílias das vítimas, à Human Rights Watch.

E acrescentou: "Não queremos que o sangue dos nossos mártires se perca em vão. Queremos que a justiça para eles seja o pilar do nosso novo país, onde tais abusos não devem voltar a acontecer".

Várias fontes e relatos identificam as Forças de Apoio Rápido (RSF) paramilitares - que têm um registo bem documentado de abusos e ataques a civis no Darfur, no Sul do Kordofan e no Blue Nile - como liderando os ataques letais aos manifestantes em 03 de junho e nos dias seguintes.

A RSF é liderada por Mohamed Hamdan Daglo, "Hemedti", que é agora o vice-presidente do Conselho de Soberania do país no poder.

Hemedti responsabilizou os soldados desonestos pelo ataque. Em julho passado, disse aos meios de comunicação social que o responsável pelo "caos" estava detido.

Uma investigação anterior do antigo Procurador-Geral, amplamente rejeitada pelos manifestantes, afirmou que as forças atacantes excederam as suas funções ao dispersar a concentração e acusaram oito oficiais e um comandante de crimes contra a humanidade.

No entanto, não surgiu qualquer informação sobre os seus casos ou sobre o seu paradeiro.

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