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Costa do Marfim apoia comerciantes de cacau face à concorrência

Os comerciantes de cacau da Costa do Marfim, país que é o maior produtor mundial, vão receber apoios para enfrentarem a concorrência das multinacionais e "garantirem a competitividade no setor", anunciou o Governo costa-marfinense na quarta-feira.

Costa do Marfim apoia comerciantes de cacau face à concorrência

"O apoio vai ser entregue na forma de um subsídio de 35 francos da África Ocidental (CFA) (cerca de cinco cêntimos), por quilo de cacau, limitado a 50.000 toneladas por operador e por época", explicou o porta-voz do Governo, Sidi Touré, perante o Conselho de Ministros.

As campanhas de cacau de 2019 a 2022 são abrangidas por esta medida.

O Estado costa-marfinense também decidiu criar um fundo de apoio ao investimento no processamento de cacau, no valor de 10 mil milhões de francos CFA.

O Agrupamento de Comerciantes da Costa do Marfim, que reúne 15 empresas nacionais de exportação de café e cacau, denunciou, em fevereiro, "concorrência desleal de empresas multinacionais de chocolate" que poderiam levar as empresas do país à falência.

"As medidas do Governo vão permitir que as estruturas continuem a existir e façam a sua atividade prosperar", salientou à AFP a secretária-geral da instituição, Constance Kouamé.

A multinacional norte-americana Archer Daniels Midland, o grupo suíço Barry Callebaut, líder mundial na produção de chocolate industrial, e ainda empresas como a Cargill, a Nestlé, a Mondelez e a Lindt dominam o mercado de exportação de cacau da Costa do Marfim, com mais de 80% a ter como destino a Europa.

O governo da Costa do Marfim já tinha anunciado, na semana passada, um pacote de 250 mil milhões de francos CFA (380 milhões de euros) para apoiar as principais culturas agrícolas de exportação, incluindo a do cacau e a da castanha de caju, de forma a enfrentar as consequências económicas da pandemia da covid-19.

O cacau é estratégico para a Costa do Marfim, país com 40% do mercado mundial. A mercadoria representa 10% do PIB do país africano e 40% das receitas de exportação, dando trabalho a cerca de cinco milhões de pessoas, sensivelmente um quinto da população, de acordo com o Banco Mundial.

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