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Peritos japoneses reconhecem "falhas" na quarentena do Diamond Princess

Autoridades e especialistas de saúde japoneses reconheceram hoje que a quarentena decretada por causa do coronavírus Covid-19 no navio de cruzeiro Diamond Princess, ancorado há várias semanas num porto no Japão, não foi uma situação perfeita.

Peritos japoneses reconhecem "falhas" na quarentena do Diamond Princess
Notícias ao Minuto

18:25 - 24/02/20 por Lusa

Mundo Covid-19

A bordo do Diamond Princess, ancorado desde o dia 3 de fevereiro no porto de Yokohama, a sul de Tóquio, encontra-se Adriano Maranhão, canalizador no navio de cruzeiro e o primeiro português a quem foi confirmado a infeção pelo novo coronavírus.

Apesar de terem admitido que a gestão da situação no cruzeiro não foi perfeita, as autoridades de saúde nipónicas defenderam a decisão do Japão de autorizar o desembarque de cerca de 1.000 passageiros após 14 dias de isolamento.

As autoridades argumentaram que as entidades de saúde japonesas tiveram de enfrentar a gestão de um difícil desafio, uma vez que a situação envolveu um navio gerido por entidades estrangeiras e exigiu negociações internacionais perante a ausência de regras estabelecidas para uma crise desta natureza.

"O navio não foi projetado para ser um hospital. O navio é um navio", afirmou, em Tóquio, o ex-diretor regional da Organização Mundial de Saúde (OMS), Shigeru Omi, em declarações citadas pela agência norte-americana Associated Press (AP).

"É claro que o isolamento não foi o ideal como seria de esperar se ocorresse num hospital, portanto, na minha opinião, embora o isolamento tenha sido de alguma forma eficaz, como medida de larga escala não foi perfeito", referiu o perito nipónico.

Das 3.711 pessoas que estavam inicialmente a bordo do Diamond Princess, mais de 690 contraíram o vírus e três morreram.

Perante as críticas lançadas à gestão da quarentena decretada no navio de cruzeiro, Shigeru Omi, especialista em saúde pública que chefia a Organização de Assistência à Saúde do Japão, afirmou que as medidas adotadas foram as melhores que as autoridades nipónicas podiam ter feito.

Segundo o perito, não era possível testar e realocar todas as pessoas para outros sítios para cumprir a quarentena.

Alguns médicos especialistas que ajudaram no navio de cruzeiro disseram que a quarentena foi mal gerida.

O Ministério da Saúde nipónico informou hoje que dois funcionários governamentais que ajudaram na gestão da situação do Diamond Princess foram diagnosticados com o novo coronavírus e foram hospitalizados, elevando para seis o número de casos de infeção confirmados entre funcionários do governo japonês.

A maioria dos cerca de 1.000 tripulantes permanece a bordo do navio de cruzeiro em quarentena.

Devido à necessidade de manter a operacionalidade do navio e de fornecer os serviços aos passageiros durante o período inicial de quarentena, os tripulantes não puderam ser adequadamente isolados, segundo referiu a AP.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros disse hoje à Lusa que o Governo português continua a insistir com as autoridades japonesas para que o português infetado com o novo coronavírus seja transferido para uma unidade hospitalar.

"O nosso concidadão continua no navio em quarentena e ainda não foi transferido para um hospital de referência. Continuamos a insistir com as autoridades japonesas para que o seja. Esperamos que venha a ser nas próximas horas ou dias", afirmou Augusto Santos Silva.

Também em declarações à Lusa hoje de manhã, a mulher de Adriano Maranhão disse que o tripulante já tinha sido visto pelo médico do navio de cruzeiro, tendo sido medicado para a febre.

O surto de Covid-19, que teve origem na China, já infetou mais de 79.000 pessoas em todo o mundo, segundo os números das autoridades de saúde dos cerca de 30 países afetados.

Depois da China, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Itália e Irão são os países e territórios com mais casos de infeção.

A OMS avisou hoje que o mundo tem de se preparar para uma "eventual pandemia" do novo coronavírus, considerando "muito preocupante" o "aumento repentino" de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.

"Devemos concentrar-nos na contenção [da epidemia], enquanto fazemos todo o possível para nos prepararmos para uma possível pandemia", disse o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa em Genebra (Suíça).

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