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Na mesquita Hossein, em Teerão, a imprensa estrangeira não é bem-vinda

Um cartaz do general iraniano Qassem Soleimani, morto em janeiro numa operação norte-americana, vela por quem entra na assembleia de voto na mesquita Hossein, em Dolat, onde os reservados serviços secretos impediram a agência Lusa de trabalhar.

Na mesquita Hossein, em Teerão, a imprensa estrangeira não é bem-vinda
Notícias ao Minuto

11:05 - 21/02/20 por Lusa

Mundo Irão

A recusa, assertiva, mas feita com bons modos, é justificada pela falta de cartão de imprensa, de nada valendo o cartão de imprensa que o repórter tem ao pescoço.

O incidente foi a exceção na passagem por várias assembleias de voto montadas por Teerão, onde os 10 graus da temperatura do ar apontados no telemóvel são contraditados por um sol aberto e sem nuvens, que depois da chuva que caiu na quinta-feira em Teerão convida, ou a votar ou a aproveitar a sexta-feira, o dia da semana mais importante nos países islâmicos, para fazer qualquer outra coisa menos votar.

As assembleias de voto para as legislativas de hoje no Irão, em que serão eleitos 290 deputados e sete membros da Assembleia de Peritos em cinco províncias iranianas - Teerão, Qom, Khorasan Norte, Khorasan Razavi e Fars -, são montadas maioritariamente em mesquitas, mas também em praças públicas e escolas.

A segurança à porta é assegurada por um militar armado de metralhadora e agentes dos serviços de inteligência, que também não têm interesse em parecerem discretos.

Agentes da polícia orientam o trânsito, hoje muito mais fluido do que nos restantes dias.

Um pormenor que chama a atenção é que são muito poucos os que estendem a mão para cumprimentar. A justificação é que o anúncio de dois casos mortais do novo coronavírus Covid-19, em Qom, a cerca de 140 quilómetros de Teerão, suscita reservas e aconselha distâncias.

Sendo a sexta-feira dia de descanso nos países islâmicos, à parte da azáfama junto às assembleias de voto, o sinal é dado pelo encerramento da esmagadora maioria do comércio e serviços.

No Centro de Arte Kamraneih, uma antiga casa tradicional agora transformada em espaço público para exposições de arte e um jardim com uma cafetaria, são poucas as mesas disponíveis, com famílias inteiras a aproveitarem o dia de sol para convívio e servirem-se de um 'brunch'.

Os resultados das eleições apenas deverão ser conhecidos dentro de dias, esperando-se que no sábado seja divulgada a taxa de participação no escrutínio.

Nas anteriores legislativas, a taxa oficial foi de 62% e para as eleições de hoje o porta-voz do Conselho Guardião, que falava uma conferência de imprensa realizada quarta-feira, disse que uma votação à volta de 50% não seria uma má notícia.

O Conselho Guardião é o órgão que supervisiona os atos eleitorais no Irão e que desqualificou milhares de candidatos do bloco reformista e moderado, abrindo caminho a uma mais que esperada vitória dos conservadores e dos ultraconservadores.

"Antecipamos que 50% do eleitorado vai votar", disse.

Abbasali Kadkhodaee salientou ainda que, se os votantes forem menos de 50%, tal não será motivo de preocupação.

"Há países europeus em que a participação eleitoral é inferior a 50%", rematou.

Para o escrutínio de hoje estão inscritos mais de 57 milhões de eleitores para exercerem o direito de voto em 208 círculos eleitorais.

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