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Iranianos admitem boicotar legislativas de sexta-feira

Iranianos citados pela agência AFP admitem boicotar as eleições legislativas de sexta-feira para expressar a sua falta de confiança nas autoridades e o seu cansaço com as dificuldades económicas agravadas pelas sanções norte-americanas contra o Irão.

Iranianos admitem boicotar legislativas de sexta-feira

Segundo a agência de notícias francesa, quase dois anos depois de os Estados Unidos anunciarem o restabelecimento das sanções económicas contra o Irão, evaporou-se a esperança de obter benefícios com o acordo nuclear assinado em 2015, negociado pela administração do Presidente iraniano, Hassan Rohani, e o país está a afundar-se numa recessão económica.

O acordo, intitulado Plano Conjunto de Ação (Joint Comprehensive Plan of Action/JCPOA, em inglês), foi firmado a 14 de julho de 2015, em Viena, pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, e visa restringir a capacidade do Irão para desenvolver armas nucleares.

Em maio de 2018, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o seu país do acordo nuclear e restabeleceu as sanções anteriormente impostas a Teerão.

Por outro lado, reeleito em 2017, o Presidente Hassan Rohani, um conservador moderado, prometeu mais liberdades sociais e individuais e garantiu que os iranianos beneficiariam da sua política de aproximação com o Ocidente.

"Hoje é difícil para todos no Irão e não aguentamos mais (...) queremos enviar uma mensagem às autoridades", disse à AFP uma moradora de Teerão, de 62 anos, sob o olhar de aprovação da sua filha, de 30 anos, uma psicóloga que também pretende não ir às urnas.

"Não há emprego, não há futuro", diz a jovem, que estava com a mãe num bairro comercial de luxo de Teerão.

De acordo com o correspondente da AFP, as desigualdades sociais são evidentes e profundas no país, nomeadamente em Teerão.

Quanto à incapacidade de estimular a economia do país e "manter as suas promessas", a jovem psicóloga culpa os líderes pela sua "falta de honestidade", lembrando, em particular, que as autoridades levaram três dias para reconhecer que foi um míssil iraniano que abateu, "por engano", um avião ucraniano no início de janeiro.

No bairro desprivilegiado de Nazi Abad, no sul de Teerão, a dona de casa Shahverdi, de 38 anos, escondida sob o lenço, explica que votará por obrigação.

"Do ponto de vista da nossa religião, é importante votar, principalmente porque o nosso país está cercado de inimigos e se tivermos fé na existência, nossa economia ficará bem", declarou Shahverdi.

Entretanto, neste mesmo distrito, os jovens não hesitam em evocar a sede de mais liberdades.

"Eu não aceito esse sistema e não vou votar", declarou Kamran Baluchzadeh.

Aos 20 anos, o jovem disse que não pode estar ou viver "despreocupado", referindo-se às despesas que não consegue administrar e a sua preocupação em não poder se casar.

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