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Confrontos em Idlib fizeram mais de 800 mil deslocados desde dezembro

A ofensiva do regime sírio e do aliado russo em Idlib, região no noroeste da Síria controlada em parte por 'jihadistas' e rebeldes, provocou a fuga de mais de 800 mil pessoas desde dezembro, divulgou hoje a ONU.

Confrontos em Idlib fizeram mais de 800 mil deslocados desde dezembro
Notícias ao Minuto

19:01 - 13/02/20 por Lusa

Mundo ONU

"Entre as mais de 800 mil pessoas deslocadas no noroeste da Síria entre 01 de dezembro de 2019 e 12 de fevereiro de 2020, cerca de 60% são crianças", precisou o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).

"As pessoas que vivem no noroeste estão a enfrentar uma das piores crises desde o início da guerra na Síria", salientou a agência.

Apenas nos últimos dias, entre 9 e 12 de fevereiro, quase 142 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as respetivas casas devido aos combates nesta região, segundo frisou o OCHA.

A agência destacou ainda que cerca de 82 mil pessoas estão a dormir ao relento, numa altura em que a região está a atravessar uma vaga de frio, com o registo de neve e temperaturas muito baixas, fazendo temer uma nova catástrofe humanitária.

Na terça-feira, a ONU tinha avançado que os confrontos no noroeste sírio já tinham feito quase 700 mil deslocados desde dezembro.

Nesse dia, o OCHA qualificou os últimos deslocamentos como os maiores desde o início do conflito sírio, que já dura há quase uma década.

Várias organizações não-governamentais (ONG) têm apelado ao estabelecimento de um cessar-fogo o mais rápido possível, argumentando com a necessidade urgente de fornecer ajuda humanitária aos deslocados.

Muitos hospitais, clínicas e dispensários tiveram de suspender as respetivas atividades desde dezembro por causa da violência.

A região de Idlib, considerada como o último reduto da resistência contra o Presidente sírio, Bashar al-Assad, é controlada em parte pelo Organismo de Libertação do Levante, uma aliança que integra o grupo 'jihadista' Hayat Tahrir al-Sham (HTS, grupo controlado pelo ex-braço sírio da Al-Qaida), e grupos rebeldes, alguns dos quais apoiados pela Turquia.

A Turquia e a Rússia, patrocinadores de um processo para acabar com os combates em Idlib, anunciaram por diversas vezes a aplicação de um cessar-fogo na província, mas nenhum deles se manteve.

Apesar do acordo de redução das hostilidades entre Ancara e Moscovo, o regime sírio conduz há vários meses uma ofensiva, com apoio da aviação russa, naquela província.

O regime sírio tem conseguido progredir nas últimas semanas em Idlib e a intensificação dos bombardeamentos já provocou combates entre as forças turcas e sírias, que provocaram a morte de 14 soldados turcos.

Ancara também tem reforçado a sua presença militar na região.

A Turquia ameaçou hoje, entretanto, atacar os 'jihadistas' em Idlib se eles não respeitarem um cessar-fogo naquela província.

"A força será utilizada em Idlib contra aqueles que não respeitarem o cessar-fogo, incluindo os radicais", declarou o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, citado pela agência estatal Anadolu.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 380 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

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