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Crise na CDU alemã "vai ser longa" e "penalizar" o partido

A surpreendente decisão de Annegret Kramp-karrenbauer de demitir-se da União Democrata-Cristã (CDU), deverá arrastar o maior partido alemão para uma longa indefinição com consequências ainda mais negativas nas sondagens, acredita o politólogo alemão Ulrich von Alemann.

Crise na CDU alemã "vai ser longa" e "penalizar" o partido
Notícias ao Minuto

17:54 - 10/02/20 por Lusa

Mundo CDU

Considerada a protegida de Angela Merkel, conhecida por "mini-Merkel", Kramp-Karrenbauer deixa o partido com menos de 30% nas sondagens e sem um candidato para as próximas legislativas, marcadas para outubro de 2021.

"Há uma crise em aberto. AKK perdeu, por um lado, o controlo das bases do próprio partido no leste da Alemanha e, por outro lado, a confiança que tinha na chanceler. Angela Merkel comentou, quando visitava a África do Sul, a crise na Turíngia, condenando o que estava a acontecer. Foi também uma forma de condenar a atuação da própria AKK", revelou o analista político em declarações à agência Lusa.

O anúncio da demissão foi feito esta manhã, numa reunião interna do partido, depois de no Estado federado da Turíngia, no leste da Alemanha, a CDU se ter unido à Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição de um primeiro-ministro do Partido Democrático Liberal (FDP), desrespeitando as indicações de AKK.

A propósito dessa eleição, Merkel afirmou ser "indesculpável" um partido democrático formar maioria com a extrema-direita, sublinhando a necessidade de reverter a situação.

Para von Alemann a demissão foi surpreendente, pelo menos nesta altura. "Ninguém esperava esta decisão, pelo menos não tão cedo, talvez no Verão ou no Outono, quando tivesse de ser escolhido um candidato para chanceler", referiu.

"É muito negativo para o partido que esta situação se arraste até ao verão ou outono. AKK disse que, primeiro, vai ajudar a escolher um novo candidato do partido para concorrer às eleições legislativas do próximo ano. Só depois disso irá abandonar a liderança e será feita uma votação interna para escolher um sucessor. Esse processo vai ferir a CDU nos resultados", sustentou o professor da Universidade de Dusseldorf.

Kramp-karrenbauer, de 57 anos, assumiu a liderança da CDU em dezembro de 2018, depois de vencer com pouca margem o advogado Friedrich Merz, um velho rival de Merkel, e Jens Spahn, atual ministro da saúde.

A estes dois nomes, juntam-se outros dois possíveis candidatos, Armin Laschet, primeiro-ministro da Renânia do Norte-Vestefália, e Markus Söder, líder do partido irmão da CDU na Baviera.

"Acho que na verdade só há dois favoritos: Merz (mais à direita) e Laschet (mais moderado). São eles que têm o maior poder dentro do partido. Mas está tudo em aberto. Como é que vão escolher este novo líder? Talvez sujeitando todo o partido a votação, como fez o SPD, ou realizando um congresso, mas é difícil prever", considerou Ulrich von Alemann.

"Não sabemos se Merkel se irá afastar já este outono, dando a possibilidade ao novo candidato de enfrentar legislativas antes de 2021, ou se irá cumprir o mandato até ao final. Nesse caso, o candidato terá de esperar e esperar, e será um pouco como agora, em que AKK não conseguiu segurar o partido e Merkel fez o seu próprio jogo", acrescentou.

"Se o novo líder for Laschet, ele pode trabalhar com Merkel. Se for Merz, isso dificilmente acontecerá e teremos uma nova crise porque aí será ele que conduzirá a chanceler à demissão", explicou.

A antiga governadora do Sarre soma à polémica na Turíngia, vários maus resultados eleitorais, tanto em regionais como nas europeias, crispações internas e piadas falhadas. AKK era apontada como a possível sucessora de Merkel, chanceler há 15 anos.

"Ela não está nada contente com o rumo do partido e com a atuação de AKK. Merkel considerou que AKK conseguiu lidar com algumas crises no interior da CDU, nomeadamente no Sarre, onde governou. Mas os problemas de Berlim e do país foram demasiado grandes para ela", concluiu von Alemann.

Annegret Kramp-karrenbauer deverá continuar a ser ministra da Defesa, cargo que ocupa desde julho do ano passado, sucedendo a Ursula von der Leyen.

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