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Especialista alerta para a necessidade de repensar uso da costa

O especialista em alterações climáticas Jean Pierre Ometto alertou hoje para o imperativo de se repensar todo o uso da costa e dos estuários bem como a relação com os rios e os mares.

Especialista alerta para a necessidade de repensar uso da costa
Notícias ao Minuto

18:20 - 28/01/20 por Lusa

Mundo Clima

Ometto é um dos cientistas que faz parte do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), organização científica criada no âmbito da ONU que junta até sábado na Universidade do Algarve cerca de 260 especialistas em alterações climáticas, numa reunião técnica para avançar com a elaboração do sexto relatório de avaliação.

No IPCC há três grupos de trabalho e em Faro está reunido o grupo II, a analisar os impactos das alterações climáticas nos ecossistemas e nas atividades humanas.

Em entrevista à Agência Lusa, Jean Pierre Ometto, especialista em processos biogeoquímicos naturais, uso da terra, e indicadores de sustentabilidade e emissões de gases com efeito de estufa, diz que a emergência climática e a tomada de decisões não estão a caminhar à mesma velocidade.

"Chega a ser frustrante, porque os alertas são todos cada vez mais enfáticos e o tempo de tomada de decisão não está harmonizado com o tempo da política e da iniciativa privada", diz.

Ometto lembrou a reunião da semana passada do Fórum Económico Mundial, que junta os principais líderes políticos e económicos do mundo em Davos, na Suíça, referindo que "a questão ambiental foi mais profunda, mas ainda há líderes que não entendem a questão do clima como uma prioridade".

O IPCC tem alertado para o perigo das alterações climáticas e traçado cenários de acordo com o aquecimento global. Num relatório de 2018 a estrutura científica alertou que para conter o aumento das temperaturas em 1,5 graus celsius até final do século era preciso que os países fossem neutros em emissões de gases com efeito de estufa até 2050.

Jean Pierre Ometto alertou que a questão climática tem uma trajetória em que mesmo que cessassem de imediato todas as emissões poluentes ainda haveria uma "inércia muito grande" (demora em resultados), o que justifica a urgência de agir, a urgência de uma estratégia de adaptação dos países, a urgência de uma estratégia de envolvimento das comunidades.

Uma ideia partilhada por Maria Silvia Muylaert, outra especialista em alterações climáticas presente em Faro, que também em entrevista à Lusa advertiu que o fim de emissões não é sinónimo de fim imediato de todos os problemas, porque há uma relação causa-efeito que pode durar um século.

"Estamos a sentir o aquecimento relativo a emissões passadas", disse, para justificar que mesmo que parassem agora todas as emissões "alguns impactos iriam continuar".

Com as emissões na verdade a aumentar, Muylaert avisa também que é preciso "tomar providências em termos de planeamento", seja na construção urbana, seja quanto a materiais utilizados, quanto a áreas vulneráveis. "Qualquer organização, instituição, governo, tem de estar alerta e criar os seus próprios planos de adaptação".

Jean Pierre Ometto referiu estudos e cenários que sustentam que além de ser preciso forçar a redução das emissões de gases com efeito de estufa é preciso ao mesmo tempo usar mecanismos de captura e armazenamento de dióxido de carbono (CO2), sublinhando, no entanto, que "o que é realmente preciso é mudar o padrão de emissões".

Mas, se apesar de todos os alertas as emissões de CO2 continuarem a aumentar, não serão os estudos e avisos, as reuniões do IPCC, uma perda de tempo? Ometto diz que não, que é importante difundir a mensagem "mais e mais", que é importante colocar a questão climática como relevante.

O especialista afirmou acreditar que os países ainda se vão entender quanto a uma forma de taxar o carbono. E sobre o facto de ainda muitos deles negarem as alterações climáticas diz que "os governos duram um período" e depois deles podem vir outros que "tenham outro entendimento da relação com o planeta".

Maria Silvia Muylaert também deixou uma perspetiva otimista.

"Noto grande diferença em relação a quando comecei a trabalhar com este assunto, há 20 anos. Hoje vejo um envolvimento muito grande de governos, de pessoas, vejo muitos jovens preocupados. Há muitas cidades, estados, países, a trabalhar em planos de adaptação e mitigação. Sinto uma postura diferente sobre o consumo, sobre o uso de plástico, sobre os resíduos", concluiu.

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