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Eleições no Peru castigam oposição e fragmentam Congresso

A líder da oposição peruana Keiko Fujimori e os seus aliados foram os grandes derrotados das eleições extraordinárias legislativas do Peru, que ditou uma composição fragmentada do Congresso em 10 partidos, mas sobretudo inclinada para o centro-direita.

Eleições no Peru castigam oposição e fragmentam Congresso
Notícias ao Minuto

07:35 - 27/01/20 por Lusa

Mundo Peru

Os peruanos puniram as forças da oposição ao Governo que controlavam o Congresso com maioria absoluta até setembro, quando o Presidente, Martín Vizcarra, o dissolveu constitucionalmente pelos constantes obstáculos às suas políticas anticorrupção e depois de censurar dois conselhos de ministros.

O clamor popular que gritava para que "todos saíssem" do anterior Congresso traduziu-se numa espécie de referendo contra essas formações.

O partido 'fujimorista' da Força Popular, que nas eleições anteriores de 2016 conquistara a maioria absoluta com 73 dos 130 congressistas, só terá assegurado 7% dos votos (12 congressistas), de acordo com os resultados preliminares divulgados pela analista de sondagens Ipsos.

A formação liderada por Keiko Fujimori, investigada por suposto branqueamento de capitais no financiamento das suas campanhas eleitorais, deixou de ser a primeira força em votos e cadeiras no Peru para se tornar na sexta, perdendo assim o estatuto de líder da oposição.

Já o Aliança Popular Revolucionária Americana (Partido Aprista), do ex-Presidente Alan García, ficou de fora do Congresso por não chegar sequer aos 5% dos votos necessários para garantir representação naquele órgão legislativo.

Depois de ter atuado como o principal aliado de Fujimori nos últimos anos, o partido só terá assegurado 2,8% das preferências, também prejudicado pelas revelações de corrupção que levaram Garcia a cometer suicídio no ano passado.

O Partido Nacional da Solidariedade (1,4%) também não entrou no Congresso, assim como o Contigo (1,1%), a formação do ex-Presidente Pedro Pablo Kuczynski, que passou de vencer as eleições presidenciais de 2016 para ficar fora do parlamento.

O partido com maior número de votos foi o centrista Ação Popular, do ex-Presidente Fernando Belaúnde Terry, com 10,1% dos votos, devendo passar de cinco para 25 congressistas, para se tornar na primeira força do Congresso, mas a surpresa do ato eleitoral centra-se também na irrupção de evangélicos e ultranacionalistas.

A Frente Popular Agrária (evangélica) regressa ao Congresso mais de 20 anos depois e logo como a segunda força nacional mais votada (8,9%) e a quarta no parlamento com 16 legisladores.

Ainda mais inesperado foi o facto de a União Pelo Peru ter garantido, pelos números avançados, 17 lugares com 6,9% dos votos, um movimento ultranacionalista indígena.

Assim que as primeiras projeções de resultados foram conhecidas, os líderes dos partidos de centro-direita afirmaram que iriam procurar um diálogo e uma atitude de concertação com o Governo, uma posição assumida pela Ação Popular e também pela Aliança para o Progresso, para além do Partido Roxo, de criação recente e tendência liberal, que com 7,5% dos votos e nove assentos pretende assumir-se como o principal suporte do Executivo na câmara baixa.

A esquerda teria sido a mais votada caso fossem somados os votos da Frente Ampla (6,1%) e de Juntos Pelo Peru (5,1%), mas, ao comparecerem às eleições separadamente, o primeiro terá 12 lugares e o segundo cinco, apenas.

Uma surpreendente terceira posição em votos (8,2%) terá sido conquistada pelo Podemos Peru, um partido que é um mistério em relação às suas políticas que também entra no Congresso pela primeira vez.

Embora definido como centro-esquerda, foi criado pelo empresário José Luna após deixar a Solidariedade Nacional e tem como figura principal o ex-populista Daniel Urresti, um general da polícia acusado de homicídio e cometer violações durante a guerra interna que atingiu o Peru entre 1980 e 2000.

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