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Erdogan reafirma em Argel que "não há uma solução militar" para a crise

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reafirmou hoje que a crise na Líbia não pode ser resolvida por "meios militares", após um encontro com o presidente da Argélia, que quer assumir o papel de mediador do conflito.

Erdogan reafirma em Argel que "não há uma solução militar" para a crise
Notícias ao Minuto

17:51 - 26/01/20 por Lusa

Mundo Líbia

"Estamos em conversações intensas com os países da região e com os atores internacionais para garantir o cessar-fogo e permitir o regresso do diálogo político", disse Erdogan numa conferência de imprensa em Argel, primeira etapa de uma visita a vários países africanos.

O Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, disse ter "concordado completamente" com o homólogo turco para "seguir o que foi decidido em Berlim", onde no domingo passado se realizou uma conferência internacional sobre a Líbia.

"Trabalhamos juntos pela paz através de um acompanhamento diário e atento de todos os desenvolvimentos no terreno", acrescentou.

A Líbia vive uma situação de caos desde a revolução de 2011 que pôs fim ao regime de Muammar Kadhafi, com o poder atualmente disputado entre o governo de unidade nacional, em Tripoli, e o governo rival, liderado pelo poderoso marechal Khalifa Haftar, em Tobruk.

A Turquia apoia o governo de Tripoli e recentemente autorizou o enviou de militares para o país.

A Argélia, que tem quase 1.000 quilómetros de fronteira com a Líbia, pretende manter-se equidistante das duas partes em conflito e recusa "qualquer ingerência estrangeira", promovendo uma mediação que preserve a estabilidade regional.

Nesse contexto, Argel organizou na semana passada uma reunião com os países vizinhos para afirmar o apoio às conclusões da conferência de Berlim de manter o cessar-fogo que vigora desde 12 de janeiro e respeitar o embargo de armas.

A missão da ONU na Líbia denunciou contudo hoje que o embargo às armas continua a ser violado, o que Erdogan, em declarações à partida de Ankara para Argel, atribuiu ao marechal Haftar.

À parte a situação na Líbia, a visita de Erdogan à Argélia tem uma importante vertente política e económica.

O Presidente turco, que viaja com uma comitiva de empresários, vai presidir com o primeiro-ministro argelino, Abdelaziz Djerad, a um fórum económico que visa dar "um novo impulso" à parceria económica nos domínios "da indústria, turismo, agricultura e energias renováveis".

A Turquia tornou-se em 2017 o principal investidor estrangeiro na Argélia, destronando França, e, segundo a agência APS, há atualmente quase 1.000 empresas turcas estabelecidas no país.

Nos primeiros 11 meses de 2019, as trocas comerciais entre os dois países ultrapassaram os quatro mil milhões de dólares, fazendo da Turquia o quinto parceiro comercial da Argélia, depois da China, França, Itália e Espanha, segundo números oficiais.

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