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Brexit. Aumento do número de jovens eleitores dá esperança ao 'Labour'

Ao sair do comboio em Manchester, Rob já tem o autocolante vermelho ao peito e prepara-se para um último dia de campanha pelos Trabalhistas. O ativista espera que o voto dos jovens impeça a maioria absoluta dos Conservadores.

Brexit. Aumento do número de jovens eleitores dá esperança ao 'Labour'

muito importante, após 10 anos de Governo 'Tory'. É a última oportunidade de mudar", diz à Lusa, a três dias das eleições no Reino Unido, o jovem de 25 anos.

Rob sabe que, se o primeiro-ministro Boris Johnson alcançar a ambicionada maioria absoluta, vai conseguir concretizar o Brexit e "torna-se difícil mudar depois".

Por isso é voluntário do Partido Trabalhista, bate às portas dos eleitores que o partido sabe estarem indecisos ou que já em tempos votaram trabalhista, para tentar convencê-los a votar no partido.

O resultado das eleições de 2017, em que o Partido Conservador perdeu a maioria, ao contrário do que previam as sondagens, foi atribuído a um aumento dos eleitores jovens, que votam mais à esquerda e rejeitam o 'Brexit', que veem como um entrave a viajarem ou estudarem fora.

Nessas eleições, mais de 60% dos eleitores entre os 18 e os 29 anos apoiaram os Trabalhistas, enquanto 69% dos idosos com mais de 70% votaram nos Conservadores.

A empresa de sondagens e estudos YouGov disse na altura que a idade tinha substituído as classes como a linha divisória dos partidos no Reino Unido.

Este ano, segundo números do Governo mais de 1,5 milhões de eleitores com menos de 34 anos registaram-se desde que as eleições foram convocadas, mais do que os 1,2 milhões do mesmo período de 2017, o que faz prever um aumento dos eleitores jovens.

No entanto, os jovens são também quem mais se abstém.

Só entre 40 e 50% da população de entre 18 e 29 votou nas eleições de 2015 e 2017, enquanto nos maiores de 70 anos a adesão às urnas é de cerca de 80 anos.

"Acho que vai o resultado vai depender de como os jovens vão votar, agora que há tantos mais jovens a votar pela primeira vez, mas também há muitos que não querem saber", disse esta semana à Lusa Gema, de 27 anos, enquanto tomava o pequeno almoço com o marido num café no centro de Crewe, a cerca de 60 quilómetros de Manchester.

Gema e Calvin são ambos licenciados, ela faz investigação científica, ele é engenheiro, sabem que não querem sair da União Europeia e se não fosse o voto útil escolheriam os liberais democratas.

Mas Calvin, de 28, disse compreender porque é que muitas pessoas não querem saber de política: "Saber mais sobre política não nos faz sentir mais felizes".

Um exemplo disso é Ben Granger, de 18 anos, que já decidiu que não vai votar. Trabalha num quiosque de capas de telemóvel em Crewe, 50 quilómetros a sul de Manchester, gosta de música e faz 'underground freestyle'.

"Tanto quanto sei, as pessoas da minha idade não se preocupam muito com a política. Eu não me interesso. Olho para o 'Brexit'. O Governo claramente não se preocupa muito com as opiniões das pessoas".

Libby e Erin, também de 18 anos, ainda não sabem em quem votar: "Definitivamente não vou votar 'Labour', que é para as pessoas ricas ganharem mais dinheiro... Ou esses são os 'Tories'?"

Na cidade de Crewe para fazer reportagem para o programa da BBC Newsbeat, que se dirige a jovens dos 15 aos 29 anos, o jornalista Christian Hewgill acredita que há muitos jovens interessados na política.

"Será um erro dizer que estão todos envolvidos, mas estão mais do que se pensa. Precisamos de fazer conteúdos que expliquem os temas, de forma simples. As pessoas interessam-se", disse.

Depois de passar por cidades como Norwich ou Aberdeen com a caravana de campanha da BBC, Hewgill acredita que os jovens vão fazer diferença, porque há muitos assentos 'swing', que podem ir para qualquer dos partidos.

"A política britânica está tão no fio da navalha que qualquer grupo de pessoas que de repente se envolva pode definitivamente fazer a diferença", afirmou, exemplificando que nas cidades universitárias, se os estudantes forem votar, pode fazer uma enorme diferença.

Mas o efeito pode não ser tão determinante, porque os estudantes podem votar na cidade onde estudam ou na sua localidade de origem.

Sarah Harach, 26 anos, estudante de pós-graduação na Universidade de Manchester, teme que muitos estudantes não votem nas cidades onde estudam, e onde o seu voto faria mais diferença, por as eleições acontecerem no penúltimo dia de aulas antes das férias de Natal.

"Nas grandes cidades universitárias, o voto dos estudantes faz diferença, e tende a ser mais à esquerda, mas seu for votar a casa, o meu voto não faz diferença nenhuma porque é um círculo eleitoral garantido para os Conservadores", explicou.

"Se calhar foi por isso mesmo que o Governo escolheu esta data".

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