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Brexit: Chumbo do acordo foi a maior surpresa das negociações

O negociador-chefe da União Europeia para o 'Brexit', Michel Barnier, revelou que o que mais o surpreendeu nas negociações não foi o tempo ou a complexidade, mas o chumbo pelo parlamento britânico do acordo de saída.

Brexit: Chumbo do acordo foi a maior surpresa das negociações

"Sempre disse [...] que o 'Brexit' tem incontáveis consequências no plano humano e social, técnico e jurídico, económico e financeiro. E subestimou-se consideravelmente, especialmente o Reino Unido, não apenas as consequências, mas que [o processo] seria longo e complicado", disse Barnier em entrevista à Lusa.

"O que nos surpreendeu foi que, tendo negociado com o governo britânico de Theresa May, o parlamento britânico não tenha apoiado com uma maioria a proposta da sua primeira-ministra", assegurou.

O chefe da equipa de negociadores europeus para a saída do Reino Unido sublinhou que se formaram sucessivamente maiorias negativas no parlamento britânico, incluindo as que chumbaram três vezes o acordo negociado por Theresa May com os 27.

"A primeira maioria positiva foi há 15 dias, com o acordo que [o primeiro-ministro Boris] Johnson apresentou à Câmara [dos Comuns] [...] Não foi suficiente porque depois o parlamento pediu mais tempo e Johnson não queria mais tempo. Essa é uma questão interna que não vou comentar, mas houve finalmente um voto positivo", disse.

Barnier tinha frisado antes que toda a negociação do acordo de saída visou chegar, "com os britânicos", a "respostas objetivas, jurídicas" que dessem resposta à incerteza criada pelo 'Brexit', e "isso foi conseguido".

"Ao longo do tempo encontrámos, em função dos governantes britânicos, soluções diferentes, em função dos pedidos britânicos. Não há muitas mais nesta altura", frisou.

Michel Barnier dá como exemplo a nova solução encontrada para a Irlanda, onde o mecanismo de salvaguarda conhecido como 'backstop' foi agora substituído por um sistema permanente em resposta à vontade de Boris Johnson de recuperar a "soberania" comercial.

A nova solução, disse, "é um pouco a quadratura do círculo", na medida em que assegura a inexistência de uma fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, protege o mercado único europeu e mantém a Irlanda do Norte no mesmo território aduaneiro que o Reino Unido.

Com o novo sistema, o controlo dos produtos que circularem entre a União Europeia e o Reino Unido vai ser feito, pelas autoridades britânicas em Belfast, capital da Irlanda do Norte, e não entre esta província britânica e a República da Irlanda, membro da UE.

"Os controlos vão ser feitos em Belfast, porque é lá que estão o porto e o aeroporto. Vão ser feitos por agentes alfandegários britânicos, em cooperação com agentes europeus e no quadro do código aduaneiro europeu", disse.

Michel Barnier, duas vezes comissário europeu e várias vezes ministro de França, esteve em Lisboa para a cimeira tecnológica Web Summit.

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