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Tunisinos elegem novo parlamento no domingo com resultado imprevisível

Sete milhões de tunisinos elegem um novo parlamento no domingo em eleições legislativas com resultado imprevisível, após terem sancionado os dirigentes políticos no poder na primeira volta das presidenciais.

Tunisinos elegem novo parlamento no domingo com resultado imprevisível
Notícias ao Minuto

11:18 - 05/10/19 por Lusa

Mundo Tunísia

Ao contrário da eleição para a chefia do Estado, com a segunda volta confirmada para 13 de outubro, a campanha das legislativas não mobilizou a população.

No entanto, e apesar de decorrerem entre as duas voltas das eleições presidenciais e terem sido eclipsadas pelo duelo entre os candidatos Kais Saied e Nabil Karoui, vão ser decisivas para o país.

Neste escrutínio de listas a uma volta está em causa a relação de forças, os equilíbrios políticos e a governação nos próximos cinco anos.

"A maioria das pessoas está completamente desinteressada pelas eleições legislativas", reconheceu um candidato em campanha, o advogado Ghazi Mrabet, citado pela agência noticiosa AFP.

A anterior composição do parlamento, assinalada pela ausência de uma maioria clara e por permanentes jogos de aparelhos partidários, impediu a concretização de diversas reformas importantes, num país confrontado com uma economia em crise, desemprego, deficientes serviços públicos e uma inflação persistente.

Diversos partidos responsabilizam por este impasse a instauração, prevista na Constituição de 2014, de um regime semi-parlamentar e apelam a uma clarificação entre os poderes presidenciais, do executivo, e do parlamento.

"A primeira volta das presidenciais [em 15 de setembro] foi uma espécie de insurreição na linha dos movimentos de protesto que determinaram o fim do antigo regime", considerou o sociólogo Mouldi Gassoumi.

A rejeição expressada face aos partidos tradicionais abre o caminho a novos protagonistas, como sucedeu nas municipais de maio de 2018, com a vitória de listas independentes quase desconhecidas.

Diversas formações "antissistema" têm-se desta forma afirmado no cenário político interno, e apostam na "refundação da Tunísia" através da reforma do regime e da forma de governar.

O movimento "antissistema" Aich Tounsi, que prescinde de um registo identitário ou religioso, baseia o seu programa em dez prioridades, identificadas após a consulta a milhares de cidadãos. Está creditado com 7% de intenções de voto.

O Qalb Tunes (Coração da Tunísia), fundado pelo magnata dos 'media' Nabil Karoui -- em prisão preventiva desde finais de agosto e um dos candidatos à segunda volta das presidenciais de 13 de outubro --, propõe a erradicação da pobreza e poderá garantir entre 17% e 19% dos lugares, apesar das limitações durante a campanha devido à situação do seu chefe.

Outras formações recentes, como a União Popular Republicana (UPR), a coligação El Karama e o partido El Mahaba, inserem-se na área islamita, conservadora, nacionalista árabe, protecionista e populista, e para alguns analistas denotam uma tendência "anarquista".

Após a surpresa da votação na primeira volta das presidenciais, os candidatos derrotados na corrida ao palácio presidencial de Cartago forneceram de imediato o seu apoio ao académico independente Kais Saied, em primeiro lugar com 18,4% dos votos, enquanto Nabil Karoui obteve 15,58%.

No conjunto, os apoios de Saied totalizam 25,9% dos sufrágios, e podem projetar uma maioria parlamentar com a participação dos islamitas moderados do Ennahdha e outros independentes pró-Saied.

O Ennahdha, que integra o poder desde 2011, tem um desafio decisivo. Esta formação liderada por Rached Ghannouchi garantiu 69 lugares da Assembleia de representantes do povo (ARP, parlamento) em 2014, mas perdeu 1,1 milhão de votos em oito anos e cinco eleições. Agora, poderá garantir no máximo 50 deputados.

"O partido vai apoiar Saied para permanecer na corrida", previu o ex-deputado independente Mondher Belhaj Ali.

"Mas será difícil garantir uma vitória folgada. Está confrontado com uma forte concorrência por partidos e listas com referências semelhantes", acrescentou.

As formações 'modernistas' também pretendem manter-se na corrida, apesar da sua desunião. Nas presidenciais, os seus diversos candidatos acumularam 29% dos votos, e nenhum ultrapassou os 11%.

O comité político do Tahya Tunes, o partido do chefe de governo Youssef Chahed, apela a uma união das "forças democráticas". O Nidaa Tunes, fundado pelo defunto Presidente Béji Caid Essebsi, pode mesmo desaparecer da paisagem política, segundo as sondagens.

Na primeira volta das presidenciais a taxa de participação situou-se nos 49%. As legislativas poderão originar surpresas no caso de forte mobilização do eleitorado.

Mas até à reta final da campanha, nenhum partido "pós-2011" tinha apelado a uma participação massiva.

De acordo com a nova Constituição, adotada em janeiro de 2014 pela Assembleia constituinte do país magrebino, cabe ao parlamento designar o chefe de governo.

A dispersão dos votos pode implicar um hemiciclo instável, muito fragmentado, com deputados eleitos com fracas votações, e o escrutínio pode reeditar o cenário de 2014, a impossibilidade de garantir uma maioria estável e um executivo que pode cair em qualquer momento.

A votação em representantes que se têm mantido à margem do sistema político também pode contribuir para o impasse político.

Kais Saied já prometeu dissolver a ARP, após uma consulta à população por referendo, e substituir os deputados por representantes de conselhos regionais, que seriam escolhidos por um colégio de eleitos locais.

Diversos analistas têm recordado que o parlamento arrisca a dissolução caso não consiga, quatro meses após os deputados tomarem posse, garantir o seu apoio a um governo.

No entanto, uma prolongada incerteza não será bem recebida e quando os responsáveis políticos continuam sem responder às expectativas da população.

Os tunisinos continuam a aguardar que os avanços democráticos da revolução de 2011 cumpram duas das suas principais reivindicações, trabalho e dignidade.

Mesmo que tenha conseguido controlar a ameaça jihadista que atingiu fortemente o setor do turismo em 2015, este país do Norte de África sob a dependência dos empréstimos do FMI e confrontado com uma dívida paralisante.

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