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Dia decisivo para o Médio Oriente. Mundo aguarda anúncio de Trump

Presidente norte-americano diz esta terça-feira se Estados Unidos rasgam ou não acordo nuclear com o Irão. Decisão de Donald Trump, pressionado pela Arábia Saudita e por Israel para romper com restantes parceiros, será decisiva para o futuro da região.

Dia decisivo para o Médio Oriente. Mundo aguarda anúncio de Trump

O presidente do Irão, Hassan Rouhani, admitiu que o país pode “enfrentar alguns problemas” caso os Estados Unidos decidam rasgar o acordo nuclear estabelecido em 2015.

“É possível que enfrentemos alguns problemas nos próximos dois ou três meses, mas vamos conseguir ultrapassá-los”, afirmou Rouhani.

Já o porta-voz do parlamento iraniano, Ali Larijani, aproveitou para deixar um recado ao presidente norte-americano, reiterando que a hostilidade contra o Irão vai unir ainda mais o povo iraniano. "Senhor Trump, fique a saber que esta lealdade na questão do acordo nuclear vai encorajar a grande nação iraniana a continuar o seu caminho na Revolução Islâmica, firmemente atrás da liderança do seu supremo líder"

As declarações do presidente iraniano e do porta-voz parlamentar surgem depois de Donald Trump ter anunciado, na segunda-feira, que decidiu antecipar a decisão sobre o nuclear iraniano, estando previsto que diga, esta terça-feira, se os Estados Unidos abandonam ou não o acordo estabelecido em 2015 com Irão, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha.

O anúncio de Trump, a partir da Casa Branca, está previsto para as 19h00 (em Portugal Continental). As últimas semanas têm sido de grande expectativa, tendo Emmanuel Macron e Angela Merkel rumado aos Estados Unidos para tentar convencer o presidente norte-americano a não rasgar o acordo. No mesmo sentido, Boris Johnson, chefe da diplomacia britânica, reuniu-se com Mike Pence, ‘vice’ de Trump, durante o passado fim-de-semana.

Todos os signatários do documento pretendem que o histórico acordo continue em vigor. No entanto, Trump considera-o “pior acordo de sempre”. Em causa, está o facto de o documento não se referir ao programa balístico iraniano . Para além disso, o presidente norte-americano não vê com bons olhos o crescimento da influência de Teerão no Médio Oriente, nomeadamente na Síria, no Iraque, no Líbano e no Iémen, países em que os Estados Unidos e alguns dos seus aliados têm interesses opostos aos do Irão. 

O acordo estabelecido em 2015, recorde-se, definiu que, a troco do levantamento das sanções internacionais a Teerão, o Irão permitisse um controlo do seu desenvolvimento nuclear, estando limitado na produção de urânio, o que impede o país de conseguir desenvolver uma arma nuclear, como a bomba atómica, pretensão que, contudo, sempre foi negada pelas autoridades iranianas.

Para além de Trump, Israel e Arábia Saudita têm apelado a que o acordo chegue ao fim. Os sauditas, principais rivais regionais do Irão no Médio Oriente, veem com preocupação o crescimento da influência xiita numa região em que travam várias guerras por procuração com o Irão. Já Israel acusa o Irão de querer destruir o país e tem aumentado a retórica contra o regime iraniano, tendo mesmo atacado bases iranianas na Síria. Para além disso, Telavive receia o apoio dado pelo Irão à milícia xiita libanesa Hezbollah, que saiu reforçada das últimas eleições no Líbano, com quem Israel já travou várias guerras. 

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, chegou mesmo a afirmar que Teerão tem desenvolvido um programa nuclear secreto, alegações que, contudo, não convenceram os restantes parceiros do acordo, e tem colocado a hipótese de atacar diretamente o Irão

Caso os Estados Unidos saiam do acordo, o futuro é bastante incerto. Teme-se que o Irão, que garante ter capacidade para voltar a produzir urânio rapidamente, fique mais isolado e comece um corrida ao armamento, um fenómeno que facilmente se alargará a outros países da região. 

Para além disso, o futuro do presidente Rouhani poderá estar em xeque. Apoiante do acordo nuclear,  um dos pontos chave da sua visão de futuro para o país, o progressista tem conseguido manter-se firme perante a oposição dos setores mais conservadores da sociedade iraniana, incluindo o líder supremo do país, o Ayatollah Ali Khamenei, defensor de uma postura mais agressiva com os Estados Unidos e Israel, que se opôs ao acordo nuclear desde o início, apesar de ter cedido às pretensões de Rouhani. 

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