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A doença que pode levar à surdez e que afeta cada vez mais portugueses

Já ouviu falar de 'ouvido do surfista'? O Lifestyle ao Minuto esteve à conversa com Fernando Vilhena de Mendonça, médico otorrinolaringologista das Clínicas Joaquim Chaves Saúde, sobre os seus sintomas e prevenção.

A doença que pode levar à surdez e que afeta cada vez mais portugueses

Quem pratica desportos aquáticos com regularidade pode vir a sofrer de ‘ouvido do surfista’, uma doença que afeta cerca de 50% dos surfistas após 10 anos de prática e que pode levar à surdez. É Fernando Vilhena de Mendonça, médico otorrinolaringologista das Clínicas Joaquim Chaves Saúde, que confirma esta realidade.

Apesar do nome, esta patologia não é exclusiva dos surfistas e, na maioria dos casos, não dá sintomas até atingir uma dimensão significativa. No entanto, pode ser prevenida, através do uso de tampões  que impeçam a entrada de água fria nos ouvidos.

O que é o 'ouvido do surfista'?

É uma doença benigna de progresso lento e dependente do contacto do ouvido com a água fria, o vento e a pressão associada ao mergulho. Corresponde ao progressivo estreitamento da porção óssea do canal auditivo externo, resultante do aparecimento de pequenas protuberâncias ósseas arredondadas, as exostoses, que são neoformações benignas, mas que com o tempo interferem com o arejamento do canal, com a audição e com a qualidade de vida. E em virtude da prática de surf ser cada vez maior - calcula-se que existam cerca de 200 mil praticantes da modalidade em Portugal -, esta patologia tem tido um aumento da incidência nos últimos anos. 

Notícias ao Minuto Ouvido com exostoses 
O que pode acontecer?

Em virtude de ter como estímulo a  água e o vento, a doença continuará a progredir até uma dimensão crítica. A partir de um dado momento, o seu desenvolvimento interfere muito na qualidade de vida dos doentes. O surfista é por natureza um frequentador permanente e apaixonado desta modalidade e as complicações associadas à progressão da doença-infeções recorrentes, perda auditiva, dor, desconforto- privam-no da possibilidade de continuar a praticar com regularidade esta modalidade.

Apesar do nome, esta situação não é exclusiva dos surfistas

Só afeta pessoas que praticam desportos como o surf?

Apesar do nome, esta situação não é exclusiva dos surfistas e é comum nos praticantes de mergulho, natação, kitesurf, canoagem e, de uum modo geral, de todos os praticantes de desportos aquáticos.

Quais os sintomas?

Enquanto as exostoses (protuberâncias ósseas) não atingem uma dimensão significativa, não haverá sintomas, podendo apenas serem diagnosticados numa consulta regular de otorrinolaringologia.  Com o seu crescimento e a obstrução que causam no canal, a retenção de água e a oclusão com cerúmen e escamas de pele que não conseguem ser expulsos naturalmente, ocorre perda de audição, sensação de entupimento e otites externas de repetição por infeção da pele do canal que se vai alterando. Quando ocorre otite externa, a dor, o edema e a exteriorização de pus no ouvido requerem tratamento especializado por um otorrinolaringologista. Numa fase mais avançada, a perda auditiva instala-se em permanência, assim como é frequente a ocorrência de sensação de zumbido (acufeno). Esta perda auditiva é reversível com a remoção cirúrgica das exostoses.

Na fase avançada da doença, o tratamento cirúrgico é muito eficaz e permite a restituição da anatomia normal do canal auditivo

Em que consiste a prevenção?

A prevenção das exostoses faz-se usando tampões que impeçam a entrada de água fria nos ouvidos. Existem vários tipos de tampões no mercado, adquiríveis nas farmácias, lojas de artigos desportivos e de dispositivos de audiopróteses, onde os tampões podem ser feitos de forma personalizada a partir do molde de cada ouvido. Quando já existem exostoses no canal, os tampões continuam a ser úteis para contrariar o seu crescimento. A vigilância regular por um otorrinolaringologista permite avaliar o estado das exostoses e manter o canal livre de obstrução por escamas de pele e cerúmen.

E o tratamento?

O tratamento do ouvido do surfista numa fase avançada, com uma obliteração significativa do calibre do canal auditivo externo, é cirúrgico. Até atingir essa dimensão, é importante a visita regular ao otorrinolaringologista para manter a vigilância das exostoses, aspiração de cerúmen e de rolhões epidérmicos com escamas de pele morta que se acumulam e para prevenir as infeções do canal-otite externa. Na fase avançada da doença, o tratamento cirúrgico é muito eficaz e permite a restituição da anatomia normal do canal auditivo para que o surfista continue a desfrutar as suas ondas.

Leia Também: Largue já os cotonetes! Saiba por que é que não os deve usar nos ouvidos

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