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Dia Mundial da Saúde Mental: Sinais de alerta em crianças e jovens

O artigo opinião que se segue é da autoria da Dra. Sara Melo, Pedopsiquiatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Porto.

Dia Mundial da Saúde Mental: Sinais de alerta em crianças e jovens
Notícias ao Minuto

08:08 - 10/10/21 por Notícias ao Minuto

Lifestyle Médico explica

A 10 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental. Uma data relevante para destacar a importância de se promover a saúde mental desde cedo e dar a conhecer alguns dos sinais a que os pais devem estar atentos e que devem motivar a procura de um especialista. 

É importante promover a saúde mental desde cedo

A saúde de um adulto, tanto a física como a mental, é influenciada por acontecimentos e vivências nos primeiros anos de vida, sendo, por isso, cada vez mais importante, promover a saúde mental desde tenra idade. 

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Para além dos efeitos muito prejudiciais no desenvolvimento social, intelectual e emocional das crianças e jovens, os problemas de saúde mental na infância e adolescência são um dos principais preditores de  problemas de saúde mental na idade adulta, com cerca de metade das doenças mentais a ter início antes dos 14 anos de idade.  Pelo que é importante estar atento a determinados sinais e valorizar as preocupações dos pais, professores e dos seus pares.

Sinais de alarme a estar atento

De um modo geral, e de acordo com a idade, há alguns sinais de alarme que merecem atenção e devem ser motivo para procurar ajuda especializada. É muito importante saber interpretar o comportamento da criança/jovem. 

Primeira infância (0-3 anos) 

- dificuldades na relação mãe-bebé 

- bebé que não se envolve na relação com o outro, que não estabelece contacto ocular, que não sorri, que não devolve a interação (por exemplo, jogo do cucu, sorri ao ver outro sorrir, não procura o olhar da mãe ou de outro cuidador)

- bebé que tem dificuldades em se auto-regular, difícil de acalmar, com episódios de choro frequentes,  intensos e difíceis de entender para os pais 

- perturbações de sono que não melhoram com as tentativas de organização de rotinas - perturbações alimentares, dificuldade em aceitar novos alimentos, recusa ou seletividade 

3-6 anos 

- dificuldades na adaptação ao Infantário, com duração superior a um mês 

- criança que não brinca ou que não se interessa pelos seus pares 

- comportamentos repetitivos, interesses muito restritos e pouco habituais para esta idade  - dificuldades alimentares e de sono 

- irritabilidade extrema (as birras são normativas entre os 2-4 anos!), que os pais têm dificuldade em gerir - comportamentos auto ou heteroagressivos

Idade escolar 

- comportamento opositivo e desafiador mantido 

- dificuldades de aprendizagem, de adaptação à escola ou desinteresse mantido; recusa escolar - criança triste, isolada, que não interage com os pares 

- agressividade mantida 

- perturbações de sono e alimentares mantidas 

Adolescência 

- alterações do humor mantidas e sentidas como exageradas pelos conviventes (as alterações do humor são típicas da adolescência) 

- isolamento social  

- desmotivação, desinteresse pela escola, absentismo 

- consumo de substâncias tóxicas 

- comportamentos auto-lesivos 

- alterações do comportamento alimentar  

Promova tempo de qualidade com o seu filho

Os pais são o modelo dos filhos e é com eles que as crianças mais aprendem, sobretudo no que diz  respeito a competências emocionais e sociais. Em todas as idades, é muito importante que os pais passem tempo com os filhos. Os momentos livre de ecrãs e sem cronómetro – brincar no chão com crianças pequenas, desenhar em conjunto, promover caminhadas e jogos, descobrir museus, cozinhar em conjunto, promover hábitos de leitura – constituem a base de um conhecimento mútuo que fortalece os laços afetivos e permite o desenvolvimento de competências físicas, de psicomotricidade e emocionais nas nossas crianças. 

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Dra. Sara Melo© DR

Para que as crianças cresçam tranquilas, seguras e organizadas, é igualmente muito importante que os pais as ajudem a organizar as suas rotinas, estabelecendo regras claras e bem entendidas pelos filhos. Ao ajudar as crianças a perceber os seus limites aumentamos a sua colaboração e obediência. Para tal, os pais devem lembrar-se do seu papel de modelo e devem manter regras consistentes, independentes do seu próprio estado emocional ou do cansaço que os pode fazer 'facilitar'. 

A prevenção é o mais importante!

Adotar um estilo de vida saudável desde a gravidez, com cuidados alimentares, de sono e com tempo para brincar, conversar e a partilha de momentos lúdicos é a base para um crescimento emocional saudável. 

Limitar os ecrãs desde cedo, estar atento à utilização das tecnologias e, acima de tudo, adotar uma atitude pedagógica em relação a este tema evita comportamentos de dependência e a exposição a riscos sérios na adolescência. 

Caso detete alguma alteração no comportamento do seu filho, não hesite e procure a ajuda de um profissional de saúde, seja pediatra, pedopsiquiatra ou psicólogo. Porque é muito importante cuidar da saúde mental!

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