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Cientistas descobrem e caracterizam três subtipos de Alzheimer

Uma equipa de investigadores da Escola de Medicina Icahn da Univerisidade Monte Sinai, nos Estados Unidos, identificcou três subtipos moleculares da doença de Alzheimer, aquela que é umas formas mais comuns de demência.

Cientistas descobrem e caracterizam três subtipos de Alzheimer

O novo estudo publicado no Science Advances, e divulgado na revista Galileu, aumenta assim o entendimento sobre a patologia degenerativa do cérebro e pode contribuir para a criação de tratamentos personalizados e mais eficazes. 

Segundo os investigadores, o Alzheimer pode ter manifestações biológicas e patológicas bastante díspares nos doentes. Exemplificando, se por um lado em determinados indivíduos o deterioramento cerebral é moroso, por outro lado, noutros é significativamente célere. Entretanto, enquanto uns têm perda acentuada de memória e são incapazes de adquirir novos conhecimentos, outros não apresentam esses sintomas. E existem ainda doentes que sofrem de psicose e/ou depressão associada à patologia. 

"Essas diferenças sugerem fortemente que existem subtipos de DA [doença de Alzheimer] com diferentes fatores biológicos e moleculares que impulsionam a progressão da doença", conta Bin Zhang, líder do estudo, num comunicado emitido à imprensa.

A análise foi realizada tendo como base dados de sequenciamento de RNA. Uma molécula similar ao ADN que codifica as instruções para a produção de proteínas. 

Conforme explica a Galileu, de modo a detetar os subtipos moleculares do Alzheimer, os investigadores utilizaram um modelo computacional para identificar conexões entre as variedades distintas de RNA, as características clínicas e patológicas e outros fatores biológicos que possivelmente exponenciam a evolução e agravamento da doença. Os cientistas tiveram em conta os dados de sequenciamento de mais de 1.500 amostras de cinco zonas do cérebro de centenas de pacientes que morreram com e sem a demência.

Foram, então, detetados os três principais subtipos moleculares da doença que revelaram ser independentes da faixa etária e do estágio da condição. Sendo que esses subtipos correspondem a combinações distintas de várias vias biológicas desequilibradas que estimulam a degeneração cerebral.

O intrincado neurofibrilar de tau e a placa beta-amiloide, duas marcas neuropatológicas do Alzheimer, apresentavam, por exemplo, valores significativamente mais elevados somente em alguns tipos da condição. 

De acordo com os investigadores, mais de 50% dos cérebros analisados não demonstraram uma subida da resposta imunológica, comparativamente a cérebros saudáveis. Tendo a análise registado a existência de condutores moleculares específicos do subtipo na evolução do Alzheimer nas amostras.

Mais ainda, explica a Galileu, a pesquisa detetou a correspondência entre essas versões da patologia com modelos animais utilizados em estudos. O que segundo os especialistas, pode explicar em parte porque é que a vasta maioria dos fármacos bem sucedidos em certos modelos de camundongos falhou em testes realizados em seres humanos.

"Essas descobertas estabelecem uma base para determinar biomarcadores mais eficazes para a previsão precoce da DA, estudar os mecanismos causais do Alzheimer, desenvolver terapias de próxima geração para a doença e projetar ensaios clínicos mais eficazes e direcionados, levando à medicina de precisão para a DA", acrescentou Zhang.

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