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Covid-19: Nova estirpe e vacinação. Como será a pandemia em 2021?

Num texto publicado no The Conversation, Adam Kleczkowski, professor de matemática e estatística na Universidade de Strathclyde, na Escócia, analisa como a nova estirpe do SARS-CoV-2 poderá afetar o planeta e o potencial da vacinação.

Covid-19: Nova estirpe e vacinação. Como será a pandemia em 2021?

No momento em que as vacinas contra a Covid-19 estão a ser lançadas, em certos países, essas boas notícias estão a ser ameaçadas pelo aparecimento de outras estirpes do novo coronavírus SARS-CoV-2, possivelmente mais contagiosas. Como tal, neste momento a evolução da pandemia é um fenómeno dúbio. 

Os próximos três ou mais meses serão desafiantes e uma vida sem o vírus provavelmente ainda está longe. Eis o que podemos esperar do próximo ano.

Qual será o impacto da nova estirpe?

Neste momento, as informações sobre a nova cepa viral são limitadas. Apesar de não ter sido absolutamente confirmado, parece ser mais infecciosa, mas não provocar doenças mais graves ou ser capaz de combater a imunidade dada pela vacina.

Contudo, a variante sugere que o vírus é capaz de produzir mutações expressivas, e consequentemente outras mutações podem alterar a trajetória e nível do surto. Como tal, suprimir a pandemia rapidamente tornou-se um objetivo ainda mais iminente. 

Quanto tempo até serem visíveis os efeitos da vacina?

Produzir doses suficientes de vacina é uma grande tarefa. Mesmo supondo que possamos fazer tudo o que precisamos, a imunização geral da população poderá demorar muitos meses.

Adicionalmente, as duas doses da vacina Pfizer têm de ser administradas com 21 dias de intervalo, alcançando a imunidade total sete dias após a segunda injeção.

Outras vacinas, como a da AstraZeneca, requerem um intervalo de tempo ainda mais longo entre as doses. Levará pelo menos um mês (se não mais) para ver o efeito total em cada pessoa imunizada.

Entretanto, nos países em que relaxaram as regras de distanciamento social no Natal, podemos ver um aumento pós-Natal no número de infectados. O que torna improvável que as vacinas mudem muito inicialmente. A doença terá muita força no início de 2021.

Como a pandemia irá progredir?

Depois das pessoas terem Covid-19 (ou receberem a vacina), ficam imunes (pelo menos a curto prazo). Posteriormente, os infectados têm cada vez mais contato com pessoas imunes em vez de pessoas suscetíveis. A transmissão, portanto, desce e, eventualmente, a doença para de se propagar — tal é denominado de imunidade de rebanho.

O nível de imunidade em toda a população necessário para impedir a propagação do vírus não é conhecido com precisão. Acredita-se que esteja entre os 60% e 80%. Atualmente, não estamos nem perto disso, o que significa que mil milhões em todo o mundo terão de ser vacinados para impedir a disseminação do microrganismo.

O processo também está dependente das vacinas que impedem a transmissão do coronavírus, o que ainda não foi provado. Se for, veremos um declínio nos casos de Covid-19, talvez já na primavera de 2021. No entanto, bloqueios e outras medidas ainda serão necessários para limitar a transmissão enquanto a vacinação aumenta a imunidade da população.

O que provavelmente mudará?

As vacinas não são uma solução mágica, ou seja, será necessária a manutenção de algum nível de precaução durante meses. Em áreas onde a cepa altamente infecciosa é excessiva, restrições elevadas podem durar até que a implantação da vacina termine. Quaisquer mudanças virão aos poucos, principalmente no que remete a visitas a casas de repouso e à reabertura de hospitais para tratamentos do dia-a-dia.

Com o tempo, espera-se que viajar se torne mais simples, embora as companhias aéreas possam começar a exigir certificados de vacinação.

Já o uso de máscaras pode tornar-se num hábito social em todo o mundo, como é agora na Ásia, sendo utilizada, por exemplo, quando alguém não está se sente bem ou teme que algo esteja errado com a sua saúde.

A vacinação pode levar à erradicação do vírus?

Ainda não sabemos quanto tempo dura a imunidade fornecida pela vacina e a imunidade de longo prazo será a chave. Erradicar totalmente o novo coronavírus será extremamente difícil e vai demandar um esforço coletivo e global. 

Embora estejamos perto de erradicar a poliomielite, a varíola continua a ser a única doença humana que eliminamos totalmente, e isso levou quase 200 anos. O sarampo, por exemplo, embora quase erradicado em muitos países, volta de quando em quando. 

Algumas vacinas, como a do sarampo, oferecem proteção quase vitalícia, enquanto outras precisam de ser readministradas, como a do tétano. Se o SARS-CoV-2 sofrer mutações frequentes e significativas — e o seu potencial para tal acaba de ser demonstrado — podemos precisar de tomar novas vacinas periodicamente, como fazemos com a gripe. A longo prazo, também teríamos de vacinar as crianças para manter a imunidade coletiva.

Os efeitos sociais e económicos da pandemia provavelmente também serão duradouros. Talvez a vida nunca volte a ser o que era antes.

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