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Afinal, o uso do telemóvel pode mesmo provocar cancro no cérebro?

Com a atual disseminação da tecnologia muitas dúvidas têm surgido acerca do impacto para a saúde de novos aparelhos como os smartphones. Mas será que o uso exagerado de telemóveis faz realmente mal, e que pode inclusive causar cancro no cérebro?

Afinal, o uso do telemóvel pode mesmo provocar cancro no cérebro?
Notícias ao Minuto

09:00 - 17/07/19 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Cancro no cérebro

Infelizmente, e até ao momento a resposta por parte da comunidade científica ainda não é unânime. As pesquisas realizadas a respeito do uso de smartphones por uma infinidade de órgãos e institutos especializados apresentam resultados dos mais diversos possíveis, métodos nem sempre confiáveis e conclusões por vezes precipitadas e tendenciosas.

20 anos de estudos

Destaca-se um estudo realizado no Reino Unido que levantou novamente a polémica. Segundo a pesquisa, que rastreou a incidência de todos os casos diagnosticados de cancro cerebral em Inglaterra de 1995 a 2015, o número de casos manteve-se mais ou menos semelhante com o passar do tempo com exceção para um tipo específico da doença, o glioblastoma multiforme, que subiu vertiginosamente de 953 casos em 1995 para nada menos que 2.531 em 2015.

O estudo não se propunha, no entanto, a oferecer um motivo para esse aumento, sendo responsável apenas por apontar o aumento no registo dos casos. Porém, foi inevitável que os responsáveis oferecessem algum tipo de explicação que indicasse o motivo para que um tipo tão específico de tumor e tão agressivo aumentasse tanto no espaço de duas décadas.

Tudo isso indicaria, de maneira aparentemente óbvia, alguma mudança de hábito ou estilo de vida das pessoas e o ‘vilão’ sugerido foi o telemóvel. Ainda que tenham sido levados em conta outros elementos, como o aumento de todos os tipos de emissão de ondas de rádio, maior exposição a raio X medicinal, tomografia computadorizada, entre outros.

“O trabalho em si não é sobre telemóveis; é apenas sobre essa mudança nos tumores... Mas os telemóveis parecem realmente ser a causa mais provável”, disse Alasdair Philips num depoimento para o canal televisivo norte-americano CNN.

"Pode ser que não seja"

Outros estudos realizados em países diferentes, como nos Estados Unidos, indicaram resultados muito parecidos, da mesma maneira que algumas pesquisas não só diferiram disso, mas mostraram o oposto – uma redução na incidência desse tipo de cancro. Resumindo, o debate e a dúvida continuam: os telemóveis causam cancro no cérebro? Keith Neal, professor emérito de epidemiologia da Universidade de Nottingham, acha que é impossível afirmar tal inferência com base nessas pesquisas:

“Os autores demonstram claramente um aumento de um tipo de tumor cerebral, o que é motivo de preocupação. A sugestão de que o uso de telefones é responsável não pode ser comprovada, já que o aumento é maior em pessoas com mais de 55 anos, que usam em regra smartphones durante muito menos, e em 1995 o uso de telemóveis ainda era raro, quando as taxas já estavam a aumentar”, disse Neal.

Em conclusão, ainda é impossível saber categoricamente se o uso de smartphones pode ou não apresentar algum risco desse tipo. Como o seu uso em larga escala tem menos de 20 anos, ainda não houve tempo nem pesquisas suficientes para que fossem obtidos resultados mais precisos e, portanto, é impossível afirmar qualquer uma das respostas com certeza absoluta.

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