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O médico explica: O trauma do cancro da mama em mulheres jovens

Carlos Rodrigues, coordenador da Unidade da Mama do Hospital CUF Santarém, explicou numa entrevista ao Lifestyle ao Minuto tudo o que necessita de saber sobre o cancro da mama, especialmente quando este tipo de tumor afeta mulheres jovens, doentes com menos de 45 anos.

O médico explica: O trauma do cancro da mama em mulheres jovens
Notícias ao Minuto

08:15 - 07/05/19 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Doenças que matam

"O cancro da mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo e o tumor maligno mais frequente na mulher. Em Portugal numa população feminina de cerca de cinco milhões, surgem cerca de seis mil novos casos de cancro da mama por ano", alerta o médico Carlos Rodrigues. 

Geralmente, o aparecimento deste tumor está relacionado diretamente com a idade da mulher, ou seja, quanto mais velha a mulher maior o seu risco de ter cancro da mama. Em geral, o risco aumenta muito após os 50 anos. Os casos registados em idade mais precoce andam por volta dos 20 anos de idade, mas são raros.

O número de diagnósticos de cancro da mama em mulheres jovens, especificamente em idade inferior a 40 anos, constitui cerca de 7% de todos os casos. Pode parecer uma percentagem reduzida, mas se considerarmos a elevada frequência do cancro da mama na população feminina (um caso em cada sete/oito mulheres), percebemos que um número considerável de mulheres terá de lidar com esta doença numa fase em que tem a vida ainda em construção, com grandes exigências, nomeadamente a nível familiar e profissional.

"As mulheres saudáveis com risco médio para cancro da mama devem começar a realizar autoexame aos 25 anos. Nas mulheres de alto risco, o autoexame associado ao exame físico realizado pelo médico deverá iniciar-se a partir dos 20 anos", recomenda o médico.

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Carlos Rodrigues, coordenador da Unidade da Mama do Hospital CUF Santarém, explica tudo o que deve saber sobre os sintomas, as causas, o impacto psicológico e o tratamento associados ao cancro da mama em mulheres jovens. 

O cancro da mama em mulheres jovens refere-se concretamente a que faixas etárias?

Considera-se cancro da mama em mulheres jovens, quando ocorre em idade inferior aos 45 anos. 

Há uma idade mínima para o aparecimento de cancro da mama?

A incidência do cancro da mama está relacionado directamente com a idade da mulher, ou seja, quanto mais velha a mulher maior o seu risco de ter cancro da mama. Em geral, o risco aumenta muito após os 50 anos de idade. Os casos registados em idade mais precoce andam por volta dos 20 anos de idade, mas são raros.

Qual é o número ou percentagem deste tipo de tumor em Portugal e no mundo?

O cancro da mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo e o tumor maligno mais frequente na mulher. Em Portugal numa população feminina de cerca de cinco milhões, surgem cerca de seis mil novos casos de cancro da mama por ano.

O rastreio populacional, como medida de saúde pública está preconizado para idades tão jovens?

Nesta faixa etária o rastreio populacional e sistemático não está preconizado como medida de saúde pública, pela menor incidência nesta idade precoce e pela menor capacidade de diagnóstico que os exames têm em mamas mais jovens.

Isto não significa que cada mulher individualmente não deve estar atenta e fazer exames. Toda a mulher adulta deve fazer mensalmente o autoexame da mama e procurar o seu médico caso encontre alguma anomalia, que investigará de forma adequada. Mesmo sem qualquer anomalia detectada a primeira mamografia e ecografia mamárias deverão ser realizadas entre os 35-40 anos. Entre os 40-45 anos, a cada 18 meses e após os 45 anos, anualmente.

Quais os sintomas a ter em atenção?

Todas as mulheres devem estar alerta para qualquer alteração localizada à mama, como:

. Nódulo da mama ou da axila;

. Alteração do volume ou assimetria;

. Alteração do aspeto da pele ou do mamilo;

. Corrimento de líquido pelo mamilo;

A maioria dos casos que se manifestam como nódulos palpáveis ou por alterações na pele, correlaciona-se frequentemente com tumores em fases mais avançadas.

Existem fatores de risco para o surgimento deste tumor numa idade tão jovem?

O principal factor de risco para mulher jovem ter cancro da mama é a presença de mutação genética, sendo os principais genes o BRCA1, BRCA 2, TP53 e o gene CHEK2.

Outros factores associados ao cancro da mama em idade jovem são: história familiar de cancro da mama e ovário em familiares de primeiro grau, história de cancro da mama bilateral e história de cancro da mama em homens na família.

E se houver um historial genético deste tipo de cancro, o que devem as mulheres e os médicos fazer?

As mulheres que têm mutações genéticas comprovadas devem:

- Ser informadas que têm um risco muito superior de desenvolverem cancro de mama e do ovário e idades jovens;

- Logo que não desejem ter mais filhos, deverão ser submetidas a uma cirurgia preventiva em que são retiradas ambas as mamas (com cirurgia reconstrutiva) e também os ovários e trompas;

- Nos anos antes da cirurgia devem ser seguidas em equipas especializadas, com exames de alta qualidade, nomeadamente numa Unidade da Mama.

A partir de que idade as mulheres devem começar a realizar autoexames e a palpação da mama?

As mulheres saudáveis com risco médio para cancro da mama devem começar a realizar autoexame aos 25 anos. Nas mulheres de alto risco, o autoexame associado ao exame físico realizado pelo médico deverá iniciar-se a partir dos 20 anos.

Igualmente a partir de que idade considera que as mulheres deveriam realizar ecografias mamárias ou mamografias?

Em mulheres sem risco familiar, a primeira mamografia e ecografia mamárias deverão ser realizadas entre os 35-40 anos. Entre os 40-45 anos, a cada 18 meses e após os 45 anos, anualmente.

No caso de existir risco familiar, deve verificar-se a idade do familiar mais jovem, na altura do diagnóstico. Em regra, os exames deverão iniciar-se 10 anos antes desse caso mais jovem.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

Em caso de suspeita de cancro da mama, está indicada a realização de uma biópsia mamária.

Nesse percurso de diagnóstico, poderão ser necessários outros exames adicionais da mama, como a ressonância magnética, ou de outras partes do corpo, como a ecografia abdominal, radiografia do tórax, cintigrafia óssea ou TAC torácica, abdominal e pélvica.

Após o diagnóstico, caracterização biológica do tumor e a avaliação da extensão da doença, a equipa médica tem de programar o(s) tratamento(s).

Podemos sistematizar os tratamentos do carcinoma da mama em:

LOCAIS - Cirurgia e Radioterapia

SISTÉMICOS ( que significa de todo o corpo) - Quimioterapia / Hormonoterapia / Tratamentos biológicos.

O cancro de mama é uma doença que contém muitas doenças diferentes e a maneira como cada uma é tratada também poderá ter diferenças. As doentes poderão necessitar de todos aqueles tratamentos ou apenas de alguns, e também a sequência com que são realizados depende da especificidade de cada caso.

Qual o impacto que a quimioterapia pode ter na fertilidade?

A quimioterapia pode causar infertilidade de imediato ou anos depois, por danos nos óvulos, e nos folículos ováricos. Mas isso depende do tipo de tumor, do tipo de tratamento, do tipo de medicamento utilizado, da dose e do número de sessões.

A mulher jovem deve ser avisada desta situação e ter a opção de colher e criopreservar ovócitos, mantendo assim a possibilidade de ter filhos após a quimioterapia.

Que outros desafios enfrenta a paciente oncológica jovem?

Além da questão da fertilidade, a mulher enfrenta três grandes desafios:

- Aceitação de si própria após as sequelas físicas e psicológicas deixadas pelo tratamento;

- Manutenção de uma vida conjugal saudável;

- Regresso à sua atividade laboral. 

As reconstruções mamárias estão facilmente disponíveis para todas as mulheres, nomeadamente através do Serviço Nacional de Saúde?

A cirurgia estética e reconstrutiva é parte integrante do tratamento. Atualmente não se pode conceber o tratamento destas mulheres de outra forma. Este acesso tem de ser universal, rápido e de qualidade.

Nestes casos de doentes mais jovens o acompanhamento psicológico é fundamental?

O diagnóstico de um cancro da mama pode levar ao desenvolvimento de angústias, medos e questionamentos, no que diz respeito à sua própria identidade feminina e em relação à sua aceitação social. Este quadro pode ser agravado durante o tratamento.

O psicólogo deve estar atento aos distúrbios psicopatológicos, como depressão e ansiedade graves. A paciente deve confrontar-se com o diagnóstico e com as dificuldades dos tratamentos decorrentes, ajudando a desenvolver estratégias adaptativas para enfrentar esta fase difícil da sua vida.

Qual é a taxa de sobrevivência de cancro da mama?

- A taxa de sobrevivência do carcinoma da mama depende do estádio da doença. Aos 5 anos para mulheres com carcinoma da mama no estádio 0 ou estágio I (situações de cancro inicial) é perto de 100%;

- No estágio IV (cancro muito avançado já com atingimento de outros órgãos) têm uma taxa de sobrevivência relativa de 22%;

- Em Portugal, a sobrevivência global aos cinco anos é de cerca de 85%, a quinta melhor a nível europeu.

Pode falar-nos um pouco sobre o que é o Programa '#1500 razões para estarmos próximos'; da CUF e como surgiu a ideia para a sua criação?

Como sabemos, todos os anos surgem mais de seis mil novos casos de cancro da mama em Portugal e ainda morrem da doença cerca de 1500 portuguesas.

Enquanto o cancro da mama for uma ameaça à plenitude e estabilidade da mulher e da sua vida familiar, a CUF e todos nós temos #1500razões para estarmos próximos.

O programa contou com o envolvimento de médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, gestores oncológicos e jovens mulheres com cancro da mama da Unidade da Mama de Lisboa, mas é preciso chegar mais longe e por isso, vamos estar em diferentes pontos do país: Lisboa, Santarém, Coimbra, Porto e Viseu.

Que tipo de iniciativas este programa pretende difundir?

#1500razões para estarmos próximos  é um programa de iniciativas para falarmos abertamente sobre os principais desafios de quem vive a doença, para promovermos e partilharmos mais e melhor conhecimento sobre esta patologia e para desenvolvermos estratégias que a possam reduzir ou evitar. O programa pode ser consultado através deste link

O próximo encontro é já dia 28 de maio no Centro do Conhecimento do Hospital CUF Descobertas. Destaco que a entrada é livre mas a inscrição é obrigatória.

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