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Conferência gratuita na CUF: 'Tenho um Nódulo na Tiroide. E agora?'

Esta é a questão sobre a qual especialistas em tiroide se vão debruçar já amanhã, no dia 4 de maio, na Sala de Conferências do Hospital CUF Infante Santo - Edifício Principal - 4º piso, das 11h ao 12h.

Conferência gratuita na CUF: 'Tenho um Nódulo na Tiroide. E agora?'

'Tenho um Nódulo na Tiroide e Agora?' Venha conhecer a opinião de especialistas em tiroide do Hospital CUF Infante Santo. Trata-se de um evento com entrada livre a toda a população, com patologia diagnosticada ou não. 

Em antecipação a esta conferência de interesse público, que decorre já amanhã, o médico António Garrão, coordenador do Centro de Endocrinologia do Hospital CUF Infante Santo e a Dra. Maria Olímpia Cid, cirurgiã no mesmo hospital responderam em exclusivo ao Lifestyle ao Minuto sobre esta problemática que afeta a tiroide e grande parte da população.

Dr. António Garrão

O que é o nódulo da tiroide?

Trata-se de uma lesão localizada na glândula tiroideia, por norma esférica ou elítica, que se destaca do tecido envolvente.

Embora possamos suspeitar da presença de um nódulo da tiroide pela observação ou palpação, o seu diagnóstico carece sempre da realização de um exame de imagem, geralmente a ecografia.

Afeta tanto homens como mulheres?

Os nódulos da tiroide (ou bócio nodular) podem surgir tanto em homens como em mulheres, mas a sua prevalência é muito maior no género feminino. A probabilidade de identificar um nódulo da tiroide também aumenta com a idade.

Em Portugal e no mundo quais são os números desta doença?

A prevalência de nódulos da tiroide varia com a população estudada, dependendo de fatores genéticos e ambientais. De uma forma geral assumimos que 4 a 7% das pessoas tem nódulos palpáveis, identificáveis na observação clínica. No entanto, quando o método de avaliação é a ecografia da tiroide, identificam-se nódulos numa fatia muito maior da população. Por exemplo, recorrendo a este exame de imagem, é possível observar nódulos da tiroide em mais de metade das mulheres com idade superior a 60 anos. Na grande maioria dos casos tratam-se de nódulos benignos, irrelevantes do ponto de vista clínico.

Quais são os sintomas da condição?

Na grande maioria dos casos o nódulo da tiroide é assintomático. No entanto, quando é muito volumoso ou maligno pode estar associado a sintomas relacionados com a compressão ou infiltração das estruturas vizinhas, como por exemplo dificuldade em deglutir (disfagia) ou respirar (dispneia), ou rouquidão (disfonia).

Alguns nódulos da tiroide produzem hormonas de forma autónoma, não regulada. São tecnicamente designados por nódulos tóxicos ou hiperfuncionantes. O risco de malignidade, associado a estas lesões, é muito baixo, mas podem ser causa de hipertiroidismo. Os sintomas associados a esta disfunção são o emagrecimento injustificado, a ansiedade, a intolerância ao calor e o aumento da frequência cardíaca. Na população mais idosa podem ocorrer arritmias e agravamento da osteoporose.

Por que surgem estes nódulos? Há algum tipo de medidas preventivas que a população possa tomar (estilo de vida ou alimentação) de modo a prevenir o aparecimento destes nódulos?

Existem múltiplos fatores associados ao aparecimento de nódulos da tiroide:

- a acumulação circunscrita de líquido, no interior da tiroide, está na base do desenvolvimento de um nódulo quístico;

- a obesidade está associada a um risco acrescido de bócio nodular;

- algumas doenças inflamatória da tiroide, como por exemplo a tiroidite auto-imune ou de Hashimoto, podem dar origem a nódulos da tiroide;

- alguns nódulos, benignos e malignos, tem origem na mutação de um único gene;

- a carência de iodo, resultado de um aporte insuficiente, é uma das causas mais conhecidas de bócio nodular, que pode envolver uma percentagem significativa da população de uma área geográfica carenciada (bócio endémico);

- a exposição da tiroide à radiação, sobretudo nos primeiros anos de vida, está associada ao surgimento, mais tarde na vida, de carcinoma da tiroide;

A implementação de políticas de saúde pública que visem a suplementação iodada em áreas geográficas carenciadas e a preocupação com a proteção da tiroide, quando é utilizada radiação em contexto médico, são exemplo de algumas medidas com impacto positivo na prevalência da patologia nodular da tiroide.

Dra. Maria Olímpia Cid

Os nódulos podem ser malignos?

Sim, os nódulos da tiroide podem ser malignos.

Vários estudos da tiroide em cadáveres revelaram que 6 a 36% dos casos estudados, apresentavam focos milimétricos de carcinoma diferenciado da tiroide. Sabemos que a grande maioria destes tumores, muito provavelmente, nunca viriam a ter tradução clínica, ou seja, teriam um óptimo prognóstico não afectando a vida da pessoa.

Nódulos malignos equivalem a cancro?

Sim. O diagnóstico citológico de “nódulo maligno” significa que, muito provavelmente, estamos perante um câncro, embora só o estudo microscópico final da peça operatória o possa confirmar.

Qual é a forma existente de diagnóstico?

Os exames complementares de diagnóstico utilizados no estudo dos nódulos tiroideus são:

- Análises da função tiroideia;

- Ecografia do pescoço, que inclui a avaliação da tiroide e das cadeias ganglionares cervicais; esta avaliação permite caracterizar os nódulos e os gânglios em termos de risco de malignidade e, assim, orientar o diagnóstico;

- Citologia Aspirativa com Agulha Fina segundo a nomenclatura de Bethesda, ou seja, o estudo das células do nódulo e a avaliação do risco de malignidade do mesmo;

De acordo com esta classificação poderemos ter os seguintes diagnósticos citológicos e recomendações de atuação:

- Não diagnóstica – deve ser repetida a citologia aspirativa;

- Benigno (risco de malignidade de 0 a 3%) – nódulo a vigiar;

- Lesão folicular de significado indeterminado (risco de malignidade de 5 a 15%) – deve ser repetida a citologia aspirativa;

- Tumor folicular (risco de malignidade de 15 a 30%) – tem indicação cirúrgica;

- Suspeito de malignidade (risco de malignidade de 60 a 75%) – tem indicação cirúrgica;

- Maligno (risco de malignidade rondando os 100%) – tem indicação cirúrgica. 

Que tipos de tratamentos existem?

O tratamento dos tumores malignos da tiroide é cirúrgico e tem como objectivo principal a resseção radical do tumor e das cadeias ganglionares regionais afectadas. O internamento enquadra-se, na grande maioria dos casos, no regime de “one day surgery”, ou seja, um dia de internamento. A recuperação desta cirurgia é habitualmente rápida e sem compromisso da vida diária do doente.

Nos casos de resseção total da glândula haverá necessidade de reposição, por via oral, da hormona tiroideia. Esta medicação não provoca sintomas desagradáveis, desde que sejam seguidas as recomendações fornecidas pelo médico.

O diagnóstico histológico da peça operatória poderá determinar a necessidade de tratamento com Iodo radioactivo (Iodo131)).

A radioterapia externa está reservada, quer nos tumores localmente avançados nos quais o tratamento cirúrgico pode não ser possível ou completo, quer na presença de extensão óssea da doença.

A supressão da secreção de TSH pela hipófise faz parte das estratégias terapêuticas para o carcinoma da tiroide de origem folicular. A sua intensidade e duração varia com o risco associado a cada tumor.

A condição pode ser fatal?

Os tumores malignos da tiroide têm uma baixa prevalência na população em geral e podem manifestar-se clinicamente de forma variada, de acordo com a sua origem celular. Os carcinomas diferenciados, papilar e folicular, são os tumores malignos mais comuns da tiroide (70%–80%) e são, também, os menos agressivos, sendo o seu prognóstico habitualmente bom.

A taxa de sobrevida aos cinco anos pós-tratamento ronda os 97%, não só pelo comportamento indolente dos tumores, mas também graças à eficácia da abordagem terapêutica.

Dada a variabilidade nas formas de apresentação e evolução pós-tratamento, a sua abordagem clínica e diagnóstica deve ser multidisciplinar e requer profissionais experientes e dedicados.

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