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O flagelo da doença de Alzheimer: Perda de memória e da vida como ela 'é'

No âmbito do seu 30.º aniversário, a Alzheimer Portugal promoveu, no passado mês de novembro, a Conferência 'Uma Visão Holística sobre as Demências', com o objetivo de promover o debate do que tem sido feito ao nível da Investigação e Intervenção Clínica (avanços no diagnóstico, ensaios clínicos em cursos e tratamentos disponíveis).

O flagelo da doença de Alzheimer: Perda de memória e da vida como ela 'é'

Sabia que, em Portugal, poderão existir cerca de 132 mil pessoas com Alzheimer?

Sabia também que o número de pessoas com demência vai triplicar até 2050, passando de 50 milhões para 152 milhões de pessoas em todo o mundo?

À medida que a população mundial vai envelhecendo, o número de pessoas com demência continua a aumentar. A demência constitui a expressão clínica de várias patologias – existem mais de 100 tipos -, sendo a Doença de Alzheimer a mais prevalente, correspondendo a cerca de 50% a 70% de todos os casos. A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas: memória, atenção, concentração, linguagem, raciocínio, entre outras. Esta deterioração tem ainda como consequências: alterações do comportamento, na personalidade do doente e na capacidade funcional da pessoa, limitando a realização das suas atividades diárias. É, por isso, uma doença associada a muitos mitos e preconceitos sociais.

Embora a maioria das demências afete pessoas idosas, muitas vezes surgem casos de pessoas mais jovens que são diagnosticadas, o que reforça que a demência não faz parte do envelhecimento normal – a patologia tem vindo a ser detetada em pessoas na faixa etária dos 50, 40 e até 30 anos. Por isso, de forma  a garantir a qualidade de vida dos doentes, é inquestionável que o diagnóstico atempado permite uma intervenção mais eficaz, permitindo ao doente e à sua família planear o presente e o futuro.

Ao nível da investigação, estão a ser descobertos rapidamente mais dados sobre as alterações químicas que provocam danos às células cerebrais na Doença de Alzheimer. Há, por isso, um reconhecimento generalizado da importância de se continuar a testar novos fármacos capazes de prevenir a doença. 

No âmbito do seu 30.º aniversário, a Alzheimer Portugal promoveu, no passado mês de novembro, a Conferência 'Uma Visão Holística sobre as Demências', com o objetivo de promover o debate do que tem sido feito ao nível da Investigação e Intervenção Clínica (avanços no diagnóstico, ensaios clínicos em cursos e tratamentos disponíveis). 

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Rosário Zincke - membro da direção nacional da Alzheimer Portugal, fala-nos mais sobre esta doença que já é considerada um dos grandes flagelos do século XXI. 

O que é a doença de Alzheimer?

A Doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum de demência, representando cerca de 50% a 70% dos casos de demências registados. Trata-se de uma doença neurodegenerativa, que se caracteriza pela severa e progressiva perda de células nervosas cerebrais, que acaba por deteriorar, de forma irreversível, as funções cognitivas dos doentes, com especial relevo da memória recente.

Em termos neurológicos o que se passa no cérebro afetado pela DA?

Em termos neuropatológicos, a Doença de Alzheimer caracteriza-se pela morte neuronal em determinadas partes do cérebro, com algumas causas ainda por determinar.

O aparecimento de tranças fibrilhares e placas senis impossibilitam a comunicação entre as células nervosas, o que provoca alterações ao nível do funcionamento global da pessoa.

Regra geral, em que idade surge esta patologia?

Qualquer pessoa pode desenvolver a Doença de Alzheimer, embora seja mais comum acontecer após os 65 anos. A taxa de prevalência aumenta com a idade, que é o principal factor de risco. Porém, apesar de afetar, sobretudo, as pessoas mais velhas, a Doença de Alzheimer, ou outra forma de demência, não faz parte do envelhecimento normal – as pessoas mais novas também podem desenvolver demência. Quando a doença ocorre antes dos 65 anos, denominamos de Doença de Alzheimer de início precoce.

A DA afeta mais os homens ou as mulheres?

A demência afeta mais as mulheres – estima-se que cerca de 2/3 dos doentes sejam do género feminino. A nível mundial, a demência afeta 1 em cada 80 mulheres, com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos, sendo que, no caso dos homens, esta proporção é de 1 em cada 60. São, por isso, as mulheres que mais desenvolvem, vivem e morrem com demência.

Tal é explicado porque existem mais mulheres e a esperança média de vida é maior comparativamente ao género masculino, mas também, segundo tem vindo a ser discutido, por diferenças a nível biológico e a nível da diferente exposição a fatores de risco ou de proteção durante a vida ativa.

Há mais do que um tipo de Alzheimer?

Existem dois tipos diferentes de Doença de Alzheimer. Existe a Doença de Alzheimer Esporádica, que pode afetar adultos de qualquer idade, mas ocorre habitualmente após os 65 anos. Esta é a forma mais comum e afeta pessoas que podem ter ou não antecedentes familiares da doença.

Existe também a Doença de Alzheimer Familiar que é uma forma muito menos comum, na qual a doença é transmitida de uma geração para outra. Se um dos progenitores tem um gene mutado, cada filho terá 50% de probabilidade de herdá-lo. A presença do gene significa a possibilidade de a pessoa desenvolver a Doença de Alzheimer, normalmente entre os 40 e 60 anos. Este tipo afeta um número muito reduzido de pessoas.

Quais são os principais sintomas?

A Doença de Alzheimer e outras demências estão associadas a sintomas como perda de memória, dificuldade em encontrar as palavras certas ou em entender o que as outras pessoas dizem, dificuldade na execução das atividades do quotidiano (por exemplo, em fazer a própria higiene, em escolher a roupa para vestir, em confecionar uma refeição), alterações de personalidade e de humor. À medida que a doença evolui, a pessoa vai perdendo capacidades para se gerir a si própria, de exercer um trabalho, de administrar os seus bens, de zelar pela sua saúde, carecendo do apoio da família, dos amigos e de profissionais. Pode mesmo chegar a uma situação de total dependência, carecendo de cuidados e acompanhamento permanentes.

Adicionalmente, podem verificar-se os seguintes sintomas:

- Dificuldade de memória persistentes e frequentes, especialmente de acontecimentos recentes;

- Apresentar um discurso vago durante as conversações;

- Perder entusiasmo na realização de atividades anteriormente apreciadas;

- Demorar mais tempo na realização de atividades de rotina;

- Esquecer-se de pessoas ou lugares conhecidos;

- Incapacidade para compreender questões e instruções;

- Deterioração de competências sociais;

- Imprevisibilidade emocional.

Como é feito o diagnóstico?

Atualmente, não existe qualquer teste específico para identificar a Doença de Alzheimer, pelo que o diagnóstico é realizado progressivamente (dependendo da fase evolutiva da doença) e após uma observação clínica cuidadosa. No diagnóstico clínico é apurada a história dos sintomas, antecedentes, feita uma observação clínica e realizados testes dirigidos às capacidades cognitivas. Em geral, essa observação é completada com análises, exames de imagem cerebral e testes cognitivos mais elaborados. Neste ponto, em muitos casos, o diagnóstico é feito com um grau de convicção grande. Noutros, poderá ser necessário recorrer a exames mais específicos, como: doseamento de marcadores biológicos, exames com PET para evidenciar a existência de substância amiloide, e mesmo estudos genéticos.

O que significa viver com Alzheimer?

Viver com a Doença de Alzheimer, segundo os próprios doentes nos vão dizendo, é um grande desafio pois ainda existe muito desconhecimento e estigma associado à doença e às demências em geral. As perdas de memória, as dificuldades em exercer as atividades do dia a dia, as dificuldades em acompanhar uma conversa ou em comunicar, as perguntas repetitivas, a desorientação ou as alterações de comportamento são tudo características, por vezes, pouco ou nada compreendidas por quem rodeia as pessoas com demência.

Qual é o impacto que esta condição tem para a família e amigos do doente?

O impacto é grande e manifesta-se a vários níveis: emocional, social e económico. É difícil lidar com as características próprias da doença e, com o evoluir da mesma, é necessário acompanhamento e prestação de cuidados em permanência.

É muito importante que os familiares recebam informação e formação, tenham apoio psicológico e mantenham a sua vida social para melhor lidarem com a situação e evitar situações de grande desgaste emocional.

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