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"Julgam-me por dizer que merecia ganhar. Consideram-me arrogante"

Estivemos à conversa com o concorrente que ficou em segundo lugar na competição liderada por Ljubomir Stanisic, na SIC - o programa 'Hell's Kitchen'.

"Julgam-me por dizer que merecia ganhar. Consideram-me arrogante"

Lucas Fernandes, 31 anos, chef (e não só) de profissão. Estivemos à conversa com o cozinheiro que se tornou conhecido no programa da SIC 'Hell's Kitchen Portugal'. 

Lucas foi um dos concorrentes que mais deu que falar devido à sua personalidade forte e assertiva, que em várias ocasiões chocou com a de Ljubomir Stanisic. 

À conversa com o Notícias ao Minuto, Lucas sublinhou uma vez mais a ideia de que merecia ter vencido a competição. No entanto, não foi o facto de a vitória ter ficado para Francisca que lhe tirou a vontade de investir em novas ideias e de criar novos projetos, pelo contrário. 

Foi difícil marcarmos esta entrevista por estar ocupado com o seu novo projeto. Podemos começar por aí. Fale-nos dele. 

Após o programa criamos o Hell's Table. Não é bem um restaurante, é uma mesa onde servimos menus de degustação às sextas e aos sábados. É em Vila Verde. 

E está a correr bem?

Sim, este projeto foi uma semente. O objetivo foi sempre ter o nosso próprio espaço físico e conseguimos esse objetivo, vamos inaugurar com a maior brevidade possível. Ainda temos de fazer uns certos trabalhos de adaptação e obras. 

E vai funcionar todos os dias?

Sim, sim. Vai funcionar à lista ou à ementa, como prefiram chamar. 

Mas não tinha aberto o seu negócio de carne maturada precisamente para fugir à correria que é ter um restaurante?

É verdade. A criação do Hell's Table foi em conjunto com o António Pedro e com o Diogo, mas entretanto a procura está a ser tão grande e os custos são o que são que uma pessoa tem de tentar rentabilizar de outra maneira. Tendo em conta que temos os clientes, o próximo passo é mesmo criar um restaurante.

Está preparado para voltar à correria que é ser dono de um restaurante?

Acho que pior não pode ficar...

O Lucas tem uma vida corrida, mas é um bom sinal.

Depende.

Porquê?

Depende, porque há dias em que uma pessoa fica feliz de andar para a frente e para trás a fazer coisas, mas há outros em que precisa do seu descanso e não dá. 

Sente que há falta de tempo para si mesmo?

Não é que tenha falta de tempo, mas é um acumular de situações que leva uma pessoa a não o ter. Mas estou habituado a lidar com a pressão, por isso, é mais do mesmo. 

Hoje existe um fascínio pelos chefs. As pessoas têm noção do que realmente envolve a profissão?

Não. Notei isso após o programa ir para o ar. As pessoas associam cada vez mais o 'ser', mas não veem o que está por trás, as horas que uma pessoa perde e o trabalho. É sempre muito complicado. 

Imaginava-se nesta posição quando aos 11 anos emigrou para a Alemanha?

Não. Houve um ponto [quando era mais novo] em que o meu objetivo era ter um restaurante ou ser rico [diz isto, sem conseguir conter um sorriso]. Mas depois é uma bola de neve. Vai-se andando e quando se vê tem-se alguma coisa.

O que é que o atrai numa cozinha?

O facto de todos os dias ser diferente. Considero-me uma pessoa criativa e não gosto de fazer todos os dias a mesma coisa, isso satura, preciso sempre de novos objetivos, eu adoro criar coisas. 

Além da correria, há outras coisas menos boas de trabalhar enquanto chef?

Adoro a minha profissão, mas antes de mais, hoje em dia eu não sou só um chef. Tanto sou empresário, como sou 'lava-loiça', como sou chef, contabilista, homem dos recados, tudo o que envolve uma pessoa trabalhar por conta própria. Isso é algo bonito no meu entender, nunca se faz o mesmo.

Para se trabalhar numa cozinha, é preciso ter mais humildade ou mais confiança?

Uma mistura dos dois é a solução perfeita.

Mas de vez em quando não é necessário mais uma do que outra?

Depende da ocasião em si e da etapa em que te encontras na cozinha. É claro que ao início precisas de uma certa humildade e estamos a falar de uma profissão que em si é muito vaga, o que significa que tu nunca sabes tudo, estás todos os dias a aprender. A humildade é o principal, mas precisas de uma certa autoconfiança.

As pessoas são muito competitivas no mundo da culinária?

Não, é uma competição mais saudável. Se o teu colega faz bem, queres fazer bem como ele ou pôr o teu toque e levar a coisa  a outro patamar. O 'Hell's Kitchen' é um programa de televisão onde só havia a vitória de uma pessoa, aí a competição é de maneira diferente. 

As pessoas julgam-me pelo facto de eu dizer que merecia ganhar. Consideram-me arrogante ou não humilde  Em relação ao Hell's Kitchen chegou a dizer que merecia ganhar. Porquê?

As pessoas julgam-me pelo facto de eu dizer que merecia ganhar. Consideram-me arrogante ou não humilde. Mas uma das coisas que delineia o meu caráter é que sou super humilde. É como tudo na vida, nem sempre se tem aquilo que se merece. Já sofri muita desvantagem e já estou habituado a lidar com situações que para outros é muito mais fácil e para mim, por ter o caráter que tenho, são dez vezes mais difíceis, e mesmo assim chego lá. 

 Eu dou a minha opinião sem medo. Não gosto de ser daquelas pessoas que andam a falar pelas costas 

Como definiria o seu caráter?

Penso que aquilo com que as pessoas não sabem lidar tão bem é o facto de eu ser muito direto. Preferem sempre aquele comportamento em que se omite algumas coisas e não se diz tudo o que se pensa. Sou totalmente o oposto. Eu dou a minha opinião sem medo. Não gosto de ser daquelas pessoas que andam a falar pelas costas. Gosto de ser muito reto.

E isso não o colocou já em situações difíceis?

Sim, sim, mas prefiro ser assim e lidar com essas consequências, do que um dia me chamarem a atenção pelo facto de eu ser falso.

Houve várias provas individuais em que 'limpei aquilo tudo' O que é que acha que tinha a mais que a Francisca?

Não tinha nada a mais. Eu só vejo mais na vertente das provas individuais e da prestação que tive. Houve várias provas individuais em que 'limpei aquilo tudo'. 

Como é que definiria a sua relação com o Ljubomir Stanisic neste programa?

Em uma só palavra: respeito. Não nos conhecíamos. Posso dizer que a mim nunca me faltou ao respeito. 

Mudaria alguma coisa na sua participação?

Absolutamente nada. 

Não é pessoa de arrependimentos?

Não, acho que se as coisas acontecem, bem ou mal, há um certo motivo. Às vezes até aprendo mais com as coisas más do que com as boas. Estou super feliz com a minha prestação. Para alguém que já estava há seis anos fora de uma cozinha mostrei-me bem. Conheci lá pessoas com as quais me identifico a 100% e fazemos coisas que são bonitas.

Cresci com uma mentalidade oposta à nossa. O português é sempre 'se não se pode fazer hoje, faz-se amanhã' O facto de ter vivido todos aqueles anos na Alemanha influenciou o seu caráter no sentido de se tornar mais direto?

Mudou, claro. Cresci com uma mentalidade oposta à nossa. O português é sempre 'se não se pode fazer hoje, faz-se amanhã' e eu cresci dentro de uma cultura onde alguém se considera metódico, pontual, profissional. É totalmente diferente. 

Foi fácil a adaptação à Alemanha?

Hoje em dia nada é fácil, mas pelo facto de ser tão novo depois tornou-se normal. Se tivesse de voltar para lá agora seria mais difícil, porque já tenho raízes cá.

Quando regressou a Portugal sentiu muito a mudança?

Sim, na criação da primeira empresa cá senti que as coisas eram totalmente diferentes. Aqui funcionavam de uma maneira totalmente diferente. Se na Alemanha contrato um técnico e ele diz que amanhã vai lá, ele vai lá. Aqui em Portugal havia pessoas a falharem e a não cumprirem o que diziam. Não quer dizer que seja a mentalidade portuguesa, é mais uma forma de as pessoas viverem. 

Quem é o Lucas?

Sou um ser humano, não sou um robot. Um homem com 31 anos que já sofreu, que já teve alegrias e que sabe o que faz.

E é fácil ser amigo do Lucas?

Se fores sincero é super fácil. Se fores alguém com bom coração, com objetivos bons e não tiveres uma certa malícia de tentares tirar vantagens do Lucas, com ele encontras um parceiro para a vida. 

E o que tira o Lucas do sério?

Falta de personalidade.

Quais os sonhos que ainda estão por cumprir?

Eu não tenho sonhos, acho que não os devemos ter a partir de uma certa idade, mas sim desejos. Quero pôr as pessoas que estão ao meu lado bem, quero que a minha família esteja saudável, quero que toda a gente que me rodeia esteja bem e se puder ajudar alguém fico feliz por isso. Sinto-me realizado, penso que não há coisas que tenha deixado em aberto. 

Leia Também: Hell's Kitchen. Lucas Fernandes "indignado" após ter ficado em 2.º lugar

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