"Os carregamentos começaram em 2022, portanto, temos 118 carregamentos de LNG [Gás Natural Liquefeito] e 17 de condensados", disse Monica Juvane, diretora da ENH, operadora petrolífera estatal moçambicana, durante um seminário em Maputo.
Segundo a responsável, o principal comprador do gás é a petrolífera britânica BP, que assinou, em 2016, um acordo de 20 anos com a petrolífera Eni e com a energética estatal para comprar o futuro gás extraído em Moçambique.
"São contratos de gás e os contratos de gás tem um longo termo, e este foi adjudicado à BP", explicou Monica Juvane, avançando ainda que o Governo pretende massificar a distribuição do gás doméstico até 2028, através da instalação de um sistema de canalização do gás para as residências, para dinamizar a transição energética no país.
Os lucros da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), operadora petrolífera estatal moçambicana, caíram para metade em 2024, somando 1.737 milhões de meticais (23,4 milhões de euros), segundo dados oficiais consultados em julho pela Lusa.
Este desempenho contrasta com os resultados líquidos positivos de 3.580 milhões de meticais (48,2 milhões de euros) em 2023, que foram então um crescimento de sete vezes no espaço de um ano, justificado nesse ano, segundo a administração, com o "aumento considerável das receitas de vendas de gás natural".
Já segundo o documento, com as demonstrações financeiras a 31 de dezembro de 2024, além da quebra nos lucros, a ENH fechou o ano com um ativo total que cresceu para 28.706 milhões de meticais (386,9 milhões de euros) e um passivo que subiu ligeiramente, para 8.918 milhões de meticais (120,2 milhões de euros).
A ENH, que conta com um capital social de 749 milhões de meticais (10 milhões de euros) totalmente subscrito pelo Estado moçambicano, exerce a sua atividade subordinada ao Ministério dos Recursos Naturais e Energia, tendo como objetivo principal a atividade petrolífera, "nomeadamente a prospeção, pesquisa, desenvolvimento, produção, transporte, transmissão e comercialização de hidrocarbonetos e seus derivados", incluindo importação e exportação.
Criada em 1981, a ENH participa em todas as operações petrolíferas e nas respetivas fases das atividades de pesquisa, exploração, produção, refinação, transporte, armazenamento e comercialização de hidrocarbonetos e dos seus derivados, incluindo Gás Natural Liquefeito (LNG) e Gás para Líquidos (GTL), dentro e fora do país.
Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, além do operado pela Eni e já em produção, casos da Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, até 43 milhões de toneladas por ano (mtpa), e Rovuma LNG (Área 4), operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa, em fase de desenvolvimento.
Em 2024, um estudo da consultora Deloitte concluiu que as reservas de gás de Moçambique representam receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares (96,2 mil milhões de euros), destacando a importância internacional do país na transição energética.
Só este ano, ainda sem a entrada em funcionamento das restantes operações, a produção moçambicana estimada de gás é de 5,4 mil milhões de metros cúbicos, o sexto maior produtor em África.
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