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Angola simpatiza com ideia de usar moedas alternativas ao dólar

Angola simpatiza com a ideia de usar moedas alternativas ao dólar nas transações de comércio exterior, defendida pelo atual governo brasileiro, disse a ministra das Finanças angolana, Vera Daves, numa entrevista à Lusa.

Angola simpatiza com ideia de usar moedas alternativas ao dólar
Notícias ao Minuto

09:23 - 02/03/24 por Lusa

Economia Angola

À margem da cimeira de ministros de Finanças e governadores de Bancos Centrais do G20, na cidade brasileira de São Paulo, questionada sobre a defesa que o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, faz da adoção de outras moedas como referência para as transações internacionais, Vera Daves afirmou que Angola "simpatiza com a ideia".

"Devemos explorar sim essas avenidas para diversificar. Da mesma forma como se diversifica a economia, também se deve diversificar o portfólio de moedas para ter resiliência. Quando há um choque de taxa de juros, quando há um choque de taxa de câmbio numa moeda, na relação com uma moeda, temos a outra para fazer contrapeso", justificou em entrevista exclusiva à Lusa a ministra angolana.

Sobre a escassez de divisas no mercado interno angolano, a ministra das Finanças considerou que a solução estrutural para o problema é o crescimento e diversificação das fontes de renda.

"Angola basicamente exporta petróleo e as divisas que recebe do petróleo, usa ou para pagar dívida externa, como referi, ou para pagar algumas despesas que tenha também em moedas externas - contratos, prestação de serviço, bens, o que for- em dólares", destacou.

"Para isso ser menos asfixiante, porque naturalmente vamos ter que continuar a fazer investimentos em infraestruturas e vamos continuar a ter esse conjunto de despesas, temos que encontrar outros bens e serviços de exportação que nos deem acesso a dólares, para além do petróleo. E ainda hoje abordei esse tema com o ministro das Finanças [do Brasil], Fernando Haddad. Conversámos rapidamente e pedimos a ajuda dele", acrescentou.

Vera Daves revelou que Angola levou aos debates dos ministros das Finanças do G20 o interesse em atrair empresários do setor agrário e pecuária porque o país africano tem terras produtivas e água, além de contar com vizinhos como a República Democrática do Congo que, segundo ela, tem "muito apetite para comprar produtos alimentares".

"O agronegócio é algo a que queremos prestar atenção, no qual temos colocado muita energia (...) Angola produz localmente, mas para consumo interno, e gostaria de atrair empresários e fazendeiros com conhecimento e capacidade para levar o país ao próximo nível que é exportar", disse.

"Gostaríamos que as autoridades brasileiras estudassem a possibilidade de financiar investidores privados interessados em produzir em Angola para exportar para outros mercados na região", completou.

Diversificar a economia, insistiu Vera Daves, ajudaria Angola a ter divisas de outras fontes que não são só o petróleo.

"Se a produção [de petróleo] cai, se o preço do petróleo cai, temos um contrapeso em outras fontes. O ministro [Fernando Haddad] disse que tomava boa nota e, de resto, quando o presidente Lula da Silva visitou Angola (...) esse foi um dos temas que foi levantado", concluiu.

O Brasil, que assumiu a presidência do G20 a 01 de dezembro de 2023, foi o anfitrião de uma cimeira em 28 e 29 de fevereiro, que reuniu os máximos responsáveis pelas pastas de Finanças das 20 maiores economias do mundo, incluindo também a União Europeia e a União Africana.

A reunião, que contou também com a presença dos governadores dos Bancos Centrais (sem a presença de Mário Centeno) decorreu num contexto global volátil, marcado por novas tensões geopolíticas e em pleno debate sobre o ritmo da flexibilização monetária, na sequência da escalada inflacionista pós-pandemia.

As prioridades da presidência brasileira para o seu mandato à frente do G20 são o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, o desenvolvimento sustentável e a reforma da governança global.

O Brasil convidou Portugal, Angola, Egito, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Nigéria, Noruega e Singapura para observadores do G20 em 2024.

Leia Também: Justiça angolana deve estar preparada para contencioso no corredor

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