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Bancos centrais devem subir ainda mais as taxas de juro, afirma BIS

Os bancos centrais devem aumentar ainda mais as taxas de juro para conter a inflação, até onde e durante quanto tempo dependerá dos dados económicos, diz o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS).

Bancos centrais devem subir ainda mais as taxas de juro, afirma BIS
Notícias ao Minuto

13:02 - 05/12/22 por Lusa

Economia BIS

O relatório trimestral de dezembro, publicado hoje pelo BIS (Bank for International Settlements, ou Banco de Pagamentos Internacionais), salienta que "os investidores continuam concentrados nos esforços de combate à inflação dos bancos centrais devido aos riscos para o crescimento".

O BIS, com sede na cidade suíça de Basileia, acredita que os bancos centrais têm agido até agora de forma oportuna e adequada para controlar a inflação.

O desafio agora é conseguir que as taxas de juro atinjam um nível suficientemente elevado e depois assim permaneçam o tempo suficiente para travar a subida acentuada dos preços sem que as economias se contraiam em demasia.

Os bancos centrais estão mais próximos desse nível, mas ainda não sabem até que ponto devem aumentar as suas taxas de juro.

A inflação, o crescimento económico e os dados do mercado de trabalho determinarão as ações dos bancos centrais nos próximos meses.

O BIS observa que a economia global se encontra numa situação sem precedentes em que os bancos centrais estão a aumentar agressivamente as taxas de juro numa época de dívida pública e privada muito elevada e de preços imobiliários muito altos.

Isto torna a economia global mais sensível à subida das taxas de juro.

Uma das consequências do aumento agressivo das taxas de juro da Reserva Federal (Fed) norte-americana tem sido a forte valorização do dólar, que intensifica a inflação em muitos países porque muitos bens são pagos em dólares.

Em novembro, o dólar depreciou-se porque os números da inflação dos EUA foram mais baixos do que o esperado, pelo que a Fed pôde aumentar as suas taxas de juro de forma menos agressiva, embora os aumentos ainda não tenham 'arrefecido' o mercado de trabalho.

"No início deste ano, o dólar forte combinado com os preços elevados dos produtos de base criou um grave e duplo golpe para muitos países que lutam contra a inflação nas suas economias domésticas. A recente depreciação do dólar pode ajudar a aliviar algumas destas tensões", comentou o consultor económico do BIS e chefe da investigação Hyun Song Shin, quando apresentava o relatório.

"Uma medida comum de liquidez, baseada nos preços das obrigações, agravou-se acentuadamente e atingiu o seu nível mais baixo desde a Grande Crise Financeira para um grupo de economias avançadas", de acordo com o BIS.

Nos EUA, acrescenta o banco que assiste os bancos centrais em todo o mundo, "as condições de liquidez começaram a deteriorar-se durante o verão e mantiveram-se durante o período de revisão, permanecendo notavelmente piores do que durante o episódio de disfunção do mercado de obrigações do Tesouro em março de 2020".

Nas economias avançadas, o BIS observa que as condições melhoraram um pouco após meados de outubro, mas considera que "a liquidez parece frágil em alguns segmentos de mercado, tais como os que apoiam os empréstimos hipotecários dos EUA".

O BIS adverte, portanto, que os problemas de liquidez no mercado de obrigações hipotecárias no valor de 10 biliões de dólares podem ter implicações importantes para a estabilidade do sistema financeiro global, porque estas obrigações desempenham um papel crucial na concessão de crédito ao setor imobiliário dos EUA.

Além disso, como estes títulos imobiliários garantidos por hipotecas são quase substitutos dos títulos do Tesouro dos EUA, as tensões de liquidez poderiam repercutir-se nos mercados financeiros.

Os bancos estão em melhor forma agora do que na crise financeira porque têm mais capital e liquidez, mas outros intermediários financeiros não bancários, tais como fundos de pensões e fundos de investimento, estão altamente expostos e por isso o BIS acredita que devem ser regulados para conter os seus riscos.

As tensões nos mercados de financiamento em dólares diminuíram desde que o dólar se desvalorizou em novembro.

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