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Presidente Marcelo convoca parceiros sociais para audiências em Belém

O Presidente da República convocou, esta sexta-feira, os patrões e as centrais sindicais para audiências no Palácio de Belém, mas recusou comentar o abandono de quatro confederações da Concertação Social.

Presidente Marcelo convoca parceiros sociais para audiências em Belém

Depois de ter ouvido os nove partidos com assento parlamentar, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anuncia que vai receber, na próxima sexta-feira, os parceiros sociais. O tema 'em cima' da mesa sobre a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2022.

À margem da sessão comemorativa dos 250 anos do Grupo Pinto Basto, no antigo picadeiro real, depois adaptado a Museu dos Coches, e questionado pelos jornalista sobre o pedido de audiência das confederações patronais, o chefe de Estado respondeu apenas: "Já tinha tencionado receber os parceiros económicos e sociais na próxima sexta-feira, de hoje a uma semana".

"Portanto, quando soube do pedido de audiência - e por acaso acabei de encontrar aqui alguns dos representantes dos parceiros sociais patronais, no caso, mas eu vou receber os patronais e sindicais - disse-lhes que já tinha antecipado a vantagem de os ouvir sobre a situação económica e social que se vive. Portanto, receberei uns e outros na sexta-feira da semana que vem", acrescentou Marcelo.

Questionado sobre a gravidade que atribui à situação da concertação social, o Presidente recusou fazer comentários, por enquanto: "Vou ouvir os parceiros, não faz sentido estar a pronunciar-me antes de os ouvir. Depois, se for caso disso, pronunciar-me-ei", disse.

Um anúncio, saliente-se, feito depois de quatro confederações terem, num comunicado conjunto, informado que abandonam a Concertação Social, acusando o Governo de desconsideração e de "claro atropelo a um efetivo processo de concertação social".
 
A posição foi tomada pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP), depois de o Conselho de Ministros ter aprovado, esta quinta-feira, alterações laborais que não foram discutidas com os parceiros sociais.

"Desde 1984 que a Concertação Social não era tão desprestigiada por um Governo", considerou António Saraiva, da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), revelando que pediram uma audiência ao chefe de Estado.

OE? "tudo o que contribua para a certeza é bom"

Sobre as negociações do Orçamento do Estado para 2022, o Presidente da República reiterou que está a trabalhar num cenário de viabilização da proposta do Governo, que será votada na generalidade na próxima quarta-feira, defendendo que "é o melhor para o país".

No seu entender, "tudo o que contribua para a certeza é bom", na atual conjuntura global de "incerteza e insegurança".

Interrogado se não se arrepende de ter dispensado acordos escritos que suportassem o atual Governo minoritário do PS, o chefe de Estado evitou responder a essa questão.

"Continuo a entender que é possível, também neste Orçamento - como foi possível durante quatro anos, é certo que nos dois últimos da legislatura anterior com dificuldades acrescidas, como foi possível nos dois primeiros desta legislatura - chegar-se a uma passagem do Orçamento", reafirmou apenas.

Na intervenção que fez na sessão comemorativa dos 250 do Grupo Pinto Basto, o Presidente da República considerou que os portugueses são "muito bons para salvar apertos", mas "menos bons para garantir previsibilidade e perspetiva de longo prazo".

Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou que essa fosse uma referência ao atual momento político, dizendo que "estava a falar de uma realidade diversa".

[Notícia atualizada às 21h57]

Leia Também: Patrões abandonam Concertação Social. Vão pedir audiência a Marcelo

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