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Combustíveis não param de subir: Uns preparam medidas e outros saem à rua

Descontentamento com a escalada dos preços dos combustíveis é cada vez mais evidente. Os transportadores de mercadorias preparam-se para definir medidas, as empresas de retalho alertam para o aumento dos custos e há um grupo de cidadãos a apelar a uma 'greve aos combustíveis'.

Combustíveis não param de subir: Uns preparam medidas e outros saem à rua

A escalada dos preços dos combustíveis em Portugal está a gerar revolta entre os cidadãos. De um lado, os transportadores de mercadorias preparam-se para definir medidas para responder ao que já chamam de "crise", do outro há empresas a anunciar que os custos vão subir perante o aumento dos preços, e há ainda um grupo de cidadãos que prepara uma manifestação contra estes acréscimos e outro que apela ao boicote.

Isto, numa altura em que está previsto que o preço de ambos os componentes - gasóleo e gasolina - volte a ficar mais caro no arranque da próxima semana, à semelhança do que se verificou na segunda-feira. 

Ora, na quarta-feira, a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) disse que os transportadores de mercadorias vão definir medidas para responder à escalada dos preços dos combustíveis, mostrando-se desagradados com a posição do Governo. 

A associação decidiu "alterar o tema do congresso anual - que se realizará nos próximos dias 29 e 30 de outubro - de forma a que o mesmo seja centrado na análise e discussão do aumento dos custos com os combustíveis, e, desta forma, dar voz ao universo associativo e, em conjunto, definir as medidas necessárias para responder a esta crise", apontou a ANTRAM, em comunicado.

Constituída em 1975, a ANTRAM representa cerca de 2.000 empresas nacionais e está presente em Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Faro.

Com preços recorde, custos vão aumentar

O administrador da Sonae MC Miguel Águas afirmou, na quinta-feira, que "é inevitável" que haja aumentos de custos ao longo da cadeia devido à subida do preço do combustível, mas trabalha para que o "impacto não seja sentido pelos clientes".

Questionado sobre o aumento dos combustíveis, Miguel Águas referiu que "obviamente [...] impacta os custos de transporte de mercadorias" para a lojas da Sonae e dos seus concorrentes.

"Mas é inevitável que haja aumentos de custos ao longo da cadeia e, portanto, a prazo, essa crise pode levar até que o setor como um todo acabe por ter impactos ou na sua conta exploração ou impacto no custo dos próprios produtos para os consumidores", considerou.

Já sobre se considera que o Governo deveria intervir nesta matéria, Miguel Águas foi perentório: "A Sonae não quer imiscuir-se no que o Governo deve ou não fazer".

Já a opinião da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) é que o Governo deve intervir: A Associação defende que o Governo deve ajustar a carga fiscal aplicada aos preços dos combustíveis, numa altura em que os preços não param de aumentar.    

Governo rejeita possibilidade de baixar impostos

Na segunda-feira, o ministro da Economia, Siza Vieira, rejeitou a possibilidade de baixar impostos nos combustíveis fósseis, para atenuar a subida de preços, argumentando que a estabilidade fiscal dá previsibilidade aos agentes económicos para a inevitável transição para energias mais sustentáveis.

"Por muito que nos custe, os combustíveis fósseis vão aumentar o preço nos próximos anos", afirmou o governante, num encontro no âmbito do ciclo de conferências Retomar Portugal, da TSF e do JN, dedicado ao tema das exportações, que contou com representantes da indústria, banca e empresas.

Também no início desta semana, o ministro do Ambiente e da Ação Climática disse que o Governo privilegia a redução do preço da eletricidade e que seria "um erro político" favorecer a utilização dos combustíveis fósseis.

Questionado sobre o assunto, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esperar que a atual subida de preços da energia não se prolongue para lá de "março, abril" de 2022, prejudicando a recuperação económica.

"É de esperar ou é de desejar que a situação não se prolongue nos termos que existem hoje para além de março e abril, porque aí começaria a pesar ainda mais naquilo que todos desejamos, que é a recuperação do tempo perdido na economia na Europa e no mundo", acrescentou o Chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa enquadrou este assunto como um problema global e uma preocupação coletiva: "A questão dos combustíveis preocupa todos os partidos, preocupa Governo e oposições, em Portugal, na vizinha Espanha, na União Europeia e em múltiplos países do mundo, porque os fatores que estão a pesar no preço são em muitos casos comuns a vários países do mundo".

Cidadãos apelam ao boicote e preparam-se para sair à rua

Perante o aumento dos preços dos combustíveis em Portugal e face ao diferencial com a vizinha Espanha - onde muitos, que vivem perto da fronteira, vão abastecer e até têm direito a desconto - o tema tem sido objeto de discussão nas redes sociais, onde muitos mostram o seu descontentamento

Foi, inclusive, criado um grupo - 'Greve aos Combustíveis' - que, desde quarta-feira, dia 13 de outubro, já 'amealhou' mais de 395 mil seguidores. A intenção é partilhar a indignação pela subida do preço da gasolina e do gasóleo, apelando a que, em dias concretos, não se vá abastecer

Neste seguimento, o primeiro dia da 'Greve aos Combustíveis' é já esta sexta-feira, dia 15 de outubro, havendo, contudo, outras datas já decididas: 21 a 22 de outubro e 28 a 29 de outubro. 

Mas há mais. Em Lisboa está a ser preparada uma manifestação contra a escalada dos preços. "Não é uma causa nem de Direita nem de Esquerda. É uma causa justa", revela Tomé Baptista Cardoso, um dos organizadores da manifestação 'Contra o Preço dos Combustíveis' que vai realizar-se na próxima quinta-feira, dia 21 de outubro.

Ao Notícias ao Minuto, explicou que se trata de "uma causa de bom senso" que, para já, está marcada para decorrer em Lisboa. "A ideia é estar no Saldanha às 18h30 e depois começamos a descer até ao Marquês de Pombal e depois até ao Rossio", acrescentou. 

"Vamos ter um cortejo de pessoas a pé, vai um camião a abrir a manifestação, depois as pessoas, as motas e os carros", explica, acrescentando ser "muito difícil" avançar com um número de pessoas que irão participar.

Os dados mais recentes da Direção-Geral de Energia e Geologia - atualizados na quinta-feira, dia 14 de outubro - mostram que o preço médio da gasolina simples 95 está nos 1,726 euros por litro, ao passo que o do gasóleo simples está nos 1,530 euros por litro. A gasolina especial 95 já custa, em média, 1,745 euros por litro. Esta semana, recorde-se, a gasolina 98 aditivada superou, inclusive, a 'barreira' dos  2 euros.

Leia Também: 'Greve aos Combustíveis'. Grupo apela a que (nestes dias) não se abasteça

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