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Brexit: Previsões pessimistas sobre reflexo nos mercados não se cumpriram

As previsões mais pessimistas sobre as consequências do 'Brexit' nos mercados financeiros não se têm confirmado, estando inclusive a libra em alta, mas também há efeitos que estarão camuflados pela crise pandémica, segundo analistas contactados pela Lusa.

Brexit: Previsões pessimistas sobre reflexo nos mercados não se cumpriram
Notícias ao Minuto

08:43 - 30/05/21 por Lusa

Economia Brexit

Antes de a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) se efetivar, muito se falou das suas consequências, incluindo para os mercados financeiros europeus. Contudo, os augúrios sobre o impacto nos mercados financeiros e no valor dos ativos britânicos não se concretizaram para já e a libra tem mesmo estado em alta, com o relançar da economia do Reino Unido a atrair os investidores.

"Aquelas previsões mais pessimistas, de descalabro, até agora não se têm confirmado", disse o analista sénior da ActivTrades Ricardo Evangelista à Lusa.

Segundo explicou, a moeda britânica, que tinha sido muito pressionada aquando do referendo que ditou a saída do Reino Unido da UE e durante as negociações do acordo de saída pela incerteza política, tem estado a valorizar-se e é mesmo a moeda do G7 com melhor desempenho este ano.

"A gestão do processo de vacinação no Reino Unido colocou o país na 'pole position' [na linha da frente] para a recuperação da economia e os investidores reagiram suportando os ativos económicos, sobretudo a libra", explicou.

Também o analista da XTB Henrique Tomé recordou que a libra caiu de forma estrondosa aquando do referendo e houve muita volatilidade no seu valor ao longo das negociações entre Reino Unido e a UE, pelo que após a efetivação do 'Brexit' "esperava-se que a libra pudesse reagir de forma semelhante, o que acabou por não acontecer", o que atribui à resiliência da economia do Reino Unido.

"O Reino Unido sempre teve uma economia muito forte e de certa maneira mais independente do que restantes Estados-membros, os períodos de elevada volatilidade refletiram o medo e incerteza dos investidores em torno do desfecho", afirmou, mas "a transição tem sido suave".

O Chief Investment Strategist do banco BIG, João Lampreia, acrescentou que já em dezembro o 'Brexit' era apontado como dos últimos fatores de risco, face a um processo tão arrastado no tempo e secundarizado por questões mais prementes como a crise pandémica.

"Com todo este imbróglio durante muito tempo os investidores foram acomodando os riscos mais graves e teve um impacto benigno", afirmou.

Isso é visível, demonstrou, na força da libra e na subida controlada das taxas de juro da dívida do Reino Unido a 10 anos (aliás, um movimento de subida que acompanha o da Alemanha na mesma proporção), o que significa que os investidores não penalizam de forma gravosa o risco de crédito de um Reino Unido isolado.

Quanto ao facto de o índice britânico FTSE estar a subir menos do que o índice europeu Stoxx 600, os analistas contactados pela Lusa atribuem à força da libra pois tem como efeito de penalizar o mercado de ações.

Os analistas concordam ainda que efeitos negativos estarão também a ser "camuflados pela crise pandémica".

Por exemplo, disse Ricardo Evangelista, é difícil dizer que parte do desemprego se deve à crise pandémica e que parte se deve ao 'Brexit'.

Este analista considera "significativo" o movimento de empresas que mudam atividade ou parte das atividades para fora do Reino Unido, para poderem operar após o 'Brexit', referindo que a própria ActivTrades abriu uma empresa subsidiária no Luxemburgo para continuar.

Esse movimento vai, no conjunto, refletir-se na importância de Londres enquanto centro financeiro e também em outros setores no Reino Unido, afirmou.

João Lampreia crê que Londres perder importância como 'hub' financeiro não é tão visível no imediato, mas que acontecerá ao longo dos próximos anos e estima que seja Amesterdão a concentrar mais atividades financeiras.

"A fotografia do ponto de vista das condições dos mercados financeiros como um todo tem um impacto muito reduzido, as consequências para o Reino Unido são mais negativas, vê-se no 'financial hub'", sintetizou João Lampreia, acrescentando o impacto no comércio (exportações e importações).

Um relatório do 'think tank' New Financial, noticiado em abril pela Bloomberg, indica que mais de 440 empresas de serviços financeiros transferiram parte ou a totalidade das suas atividades para fora do Reino Unido (Frankfurt, Paris, Amsterdão, Dublin, mas também Ásia) devido ao Brexit, incluindo 7.400 postos de trabalho e cerca de 1,2 biliões de ativos. O relatório considera ainda que isto é apenas o começo.

Leia Também: Reino Unido. Mais de 346 mil portugueses receberam estatuto de residência

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