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Projeto de Central Solar em Santiago do Cacém gera contestação

O projeto de uma central solar fotovoltaica no concelho de Santiago do Cacém (Setúbal), que prevê um investimento de mil milhões de euros, está a ser contestado pela população, através de uma petição pública.

Projeto de Central Solar em Santiago do Cacém gera contestação
Notícias ao Minuto

14:01 - 01/04/21 por Lusa

Economia Setúbal

A empresa Prosolia Energy quer construir a central solar 'The Happy Sun is Shining' (THSiS) na freguesia de São Domingos e Vale de Água, naquele concelho alentejano, e o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projeto esteve em consulta pública até dia 18 de março, de acordo com o resumo não técnico consultado pela agência Lusa.

O mesmo documento indica que o terreno onde o projeto vai "nascer" tem área total de 1.262 hectares, que inclui "mais de um milhão de eucaliptos" e zonas de montado, mas para a ocupação da central estão destinados 535 hectares.

É esta a área onde vão ser montados mais de 2,2 milhões de módulos solares dupla face, "com uma potência combinada de 1.143 MW (megawatts)", com a qual se estima produzir cerca de 1.761 GWh/ano, com o objetivo de escoar energia para o Sistema Elétrico Nacional. 

Só que a dimensão do projeto, apresentado como o maior parque solar da Europa, e a sua construção, prevista para 2025, estão a gerar críticas junto de moradores da freguesia e até já circula uma petição pública, através da Internet, que contabilizava mais de 1.250 assinaturas, por volta das 13:00 de hoje, quando consultada pela Lusa.

A petição, na qual os subscritores dizem "Não" ao projeto, contesta a central argumentando que vai surgir "em área rural de Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN)" e alegadamente envolver "o abate de milhares de árvores".

Paulo Quintos, residente local, assumiu à Lusa estar contra a instalação de "um monstro às portas" da freguesia - a povoação de Vale de Água fica a menos de um quilómetro da área da central -- e revelou preocupações em relação a um projeto que diz ter sido "mantido em segredo em tempo de pandemia de covid-19".

"Além da dimensão, grande parte dos terrenos está em REN", refere o também subscritor da petição, discordando do que considera que vai ser o abate de "1.262 hectares de mata.

E "grande parte eucalipto que está ordenado e limpo", mas também "sobreiros", para dar lugar a "um deserto tapado por painéis solares, por vidro e metal, fazendo desaparecer a biodiversidade", acrescentou.

Com o abate de árvores, o morador receia o "aumento das temperaturas", principalmente no verão, e argumentou não ver "mais-valias" na instalação do parque solar "neste canto do Alentejo".

"Os painéis também produzem resíduos tóxicos, um deles o silício, que é um dos componentes que vai ser infiltrado nos aquíferos. Há cerca de 60 habitações naquela zona que não têm água canalizada, utilizam furos e bebem desses furos, cujas águas serão contaminadas", alegou.

Outras das preocupações indicadas na petição, que será enviada à Agência Portuguesa do Ambiente e à câmara municipal, são a proximidade do projeto à barragem de Fonte Serne e a "vários aquíferos essenciais à população", assim como o impacto nas atividades ligadas ao turismo da freguesia.

A população "não foi consultada até hoje" sobre este projeto, criticou ainda Paulo Quintos.

O estudo refere que está previsto "que sejam preservados os montados, os exemplares identificados isolados, assim como a vegetação ribeirinha".

Por seu lado, a empresa promotora da central, que se escusou a prestar declarações sobre o projeto, limitou-se a esclarecer à Lusa que a população será ouvida neste processo, estimando que a construção da central solar não arranque "antes de 2025".

"Vai haver oportunidade para dar resposta a todas as questões legítimas que sejam levantadas. Para isso, vamos começar por analisar, com a maior das atenções, todos os comentários que foram, entretanto, submetidos no EIA", reforçou fonte da empresa.

De acordo com o EIA, a central terá uma vida útil de 30 anos e contribuirá anualmente para evitar a emissão de cerca de 595 mil toneladas de CO2 (dióxido de carbono) para a atmosfera, quando comparado com a produção de energia equivalente utilizando gás natural, ou a não emissão de cerca de 1.408 toneladas de CO2, por ano, se o combustível utilizado fosse o carvão.

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