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Presidente da Fed não considera juros negativos adequados para os EUA

O presidente da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos, Jerome Powell, disse hoje que não considera as taxas de juro negativas uma ferramenta adequada de política económica no país em contexto de pandemia de covid-19.

Presidente da Fed não considera juros negativos adequados para os EUA
Notícias ao Minuto

17:58 - 29/05/20 por Lusa

Economia Coronavírus

"Alguns bancos [centrais] decidiram usar taxas de juro negativas. Não pensamos que seja uma ferramenta adequada aqui nos Estados Unidos, e diria que as provas de que ela efetivamente resulta é mista", disse Jerome Powell numa conversa com o professor Alan Blinder, da Universidade de Princeton, transmitida na internet.

"Há claramente alguns efeitos colaterais negativos, como por vezes acontece com estas coisas, e não é claro para os meus colegas no Comité do Mercado Aberto que seja uma ferramenta que seria adequada de implementar" nos Estados Unidos, disse o presidente da instituição que funciona como banco central dos Estados Unidos.

Questionado sobre as diferenças entre, por exemplo, os Estados Unidos e a zona euro, Powell salientou as "diferenças de entendimento entre banqueiros centrais por todo o mundo", e disse que "as provas de que efetivamente resulta [a política de juros negativos] são bastante ambíguas".

"Interfere com o processo de intermediação de crédito que os bancos devem fazer. Eles recebem depósitos, emprestam, e se a política de juros é negativa está-se a comprimir as margens dos bancos e isso faz-lhes emprestar menos, e há outros efeitos negativos possíveis", argumentou o líder da Fed.

Jerome Powell mencionou ainda "enquadramentos institucionais que não resultariam com juros negativos" nos Estados Unidos, dando como exemplo fundos do mercado monetário a que as empresas e indivíduos recorrem.

O líder da Fed referiu-se aos níveis de inflação, cujas preocupações "estão em baixa e não em alta", mas que "se veem os preços a descer porque em grandes partes da economia as pessoas estão a cortar nos preços".

"Veremos dados de baixa inflação por um bocado. Temos vindo a lidar com forças deflacionárias há muito tempo, mundialmente", lembrou, considerando que "a inflação tem estado sob controlo", não vendo "riscos para a estabilidade financeira"

Relativamente à pandemia, Jerome Powell referiu que "o perigo de uma segunda vaga seria desafiante", mas que a Fed ainda não está "perto de nenhuns limites que possa ter" quanto à extensão da sua ação.

"Uma segunda vaga comprometeria a confiança. Uma recuperação completa da economia dependeria da confiança de que é seguro sair, de que é seguro envolver-se numa ampla gama de atividades económicas. É assim que a economia vai recuperar", considerou.

Caso acontecesse uma segunda vaga, a recuperação seria "significativamente mais longa e mais fraca", disse Jerome Powell.

O "Grande Confinamento" levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

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