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EuroBic põe fim a relação com entidades controladas por Isabel dos Santos

Na sequência da divulgação dos Luanda Leaks, o EuroBic decidiu "encerrar a relação comercial" com a empresária angolana e "entidades" por ela controladas.

EuroBic põe fim a relação com entidades controladas por Isabel dos Santos

Em comunicado enviado às redações, esta tarde de segunda-feira, o Eurobic informa que "na sequência dos eventos mediáticos suscitados pela divulgação de informações reservadas" no âmbito da investigação internacional Luanda Leaks e relativas a Isabel dos Santos, deliberou, após reunião do Conselho de Administração, "encerrar a relação comercial com entidades controladas pelo universo da acionista Eng.ª Isabel dos Santos e pessoas estreitamente relacionadas com a mesma".

Para tal decisão 'pesou' também, lê-se no documento, a "perceção pública" de que o EuroBic "possa não cumprir integralmente as suas obrigações", tendo em conta que Isabel dos Santos é "um dos seus acionistas de referência".

O EuroBic esclarece ainda que em virtude dos "deveres de sigilo bancário", a que o banco está sujeito, só pode revelar que "os pagamentos ordenados pela cliente Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) à Matter Business Solutions respeitaram os procedimentos legais e regulamentares formalmente aplicáveis no âmbito da regular relação comercial existente entre este Banco e a Sonangol, designadamente os que se referem à prevenção do branqueamento de capitais".

O Conselho de Administração do EuroBic deliberou ainda a "realização imediata de uma auditoria" visto que, pode ler-se, há "elementos que até esta data eram desconhecidos". Além disso, remeterá ao Banco de Portugal (BdP) "todo o processo em poder do EuroBic referente às operações envolvendo as quantias transferidas pela Sonangol para a Matter em novembro de 2017, bem como informá-lo das decisões tomadas".

O EuroBic faz ainda questão de vincar que "não é parte no processo que tem vindo a ser noticiado" e que o mesmo "diz apenas respeito à esfera de interesses e relações jurídicas da acionista" Isabel dos Santos.

O fim de relação com a acionista associada ao Luanda Leaks

Refira-se que através de empresas a si ligadas, Isabel dos Santos é acionista de 42,5% do EuroBic, detendo a maior 'fatia' entre os detentores de participações sociais do banco fundado em 2008.

De acordo com uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ), a Matter Business Solutions recebeu, no Dubai, cerca de 100 milhões de dólares por serviços de consultoria da Sonangol em menos de 24 horas, via EuroBic, em Lisboa, já depois de a empresária Isabel dos Santos ter sido exonerada do cargo de presidente executiva da petrolífera angolana.

As informações recolhidas pela investigação do ICIJ revelam ainda que a conta da Sonangol no Eurobic Lisboa foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à demissão da empresária.

Face à divulgação, no domingo, por um grupo de jornalistas de investigação de mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de "Luanda Leaks", que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que estarão na origem da fortuna da família, a agência Lusa tentou obter reações junto de outras empresas em Portugal onde a empresária angolana tem interesses.

Os investimentos de Isabel dos Santos em Portugal estão sobretudo concentrados nos setores da banca, da energia e das telecomunicações, nomeadamente com posições na operadora de telecomunicações NOS, no banco EuroBic, na Efacec e na Galp.

Contactados pela Lusa, o grupo Amorim e a NOS não quiseram comentar a situação, bem como o BPI (que detém uma participação de 48,1% no Banco de Fomento Angola e já foi obrigado a vender 2% pelo Banco Central Europeu à Unitel, que ficou maioritária), não tendo também sido possível, até ao momento, obter uma posição por parte da administração e da Comissão de Trabalhadores da Efacec e da administração da Galp.

A agência Lusa questionou ainda a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e o Ministério da Economia, não tendo até ao momento obtido respostas.

Mira Amaral, primeiro líder do BIC Português (atual EuroBIC), também não quis comentar o caso: "Saí do banco há quatro anos, nunca mais falei sobre o banco e sobre Angola", disse à Lusa.

Durante a investigação, foram identificadas mais de 400 empresas (e respetivas subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três décadas, incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas.

[Notícia atualizada às 19h04]

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