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Porto, um distrito a duas velocidades na (pouca) mobilidade

Integrando apenas parte dos concelhos da Área Metropolitana e da Comunidade do Tâmega e Sousa, o distrito do Porto parece mover-se a duas velocidades, ambas com debilidades, aguardando simultaneamente por mais metro e estradas do século XXI.

Porto, um distrito a duas velocidades na (pouca) mobilidade
Notícias ao Minuto

09:34 - 16/09/19 por Lusa

Economia Porto

A Área Metropolitana do Porto (AMP), onde se incluem 11 dos 18 concelhos do distrito, esperou seis anos para perspetivar uma nova expansão do metro, tendo atualmente em concurso uma nova linha no Porto e um prolongamento em Vila Nova de Gaia, mas a Trofa continua à espera da ligação prometida quando perdeu o comboio, em 2002, e reivindica, em conjunto com a Maia, uma alternativa à desgastada Estrada Nacional (EN) 14.

No momento em que o Estado se prepara para transferir para seis dos municípios da AMP (Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar) a propriedade da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Penafiel aspira há mais de duas décadas por uma estrada que substitua a nacional 106 e o Marco de Canaveses e Baião reclamam uma variante à EN211.

São pretensões que já "ganharam cabelos brancos", ironiza Armando Mourisco, presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, que integra 11 municípios, sete dos quais do círculo eleitoral do Porto (Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira e Penafiel).

O Itinerário Complementar (IC) 35, alternativa à EN106, teve o primeiro troço, entre o centro de Penafiel e Rans (freguesia de Penafiel), adjudicado, esperando-se que a obra comece "o mais tardar em novembro".

Um dos problemas da atual estrada é a sinistralidade, pois ali circulam "inúmeros veículos ligeiros, de transporte de passageiros e mercadorias", num tráfego comercial ligado aos setores da "pedra, do calçado e do têxtil e vestuário", acrescenta.

Já a alternativa à EN211 é "fundamental" para "ligar o interior do Tâmega e Sousa à Autoestrada 4", fixando residentes e criando novas "dinâmicas económicas".

Outra pretensão da CIM é a ferrovia do Sousa, cujo estudo preliminar aponta para 36,5 quilómetros e 200 a 300 milhões de euros, com partida na linha do Douro em Valongo, cruzando os concelhos de Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras.

Questionada pela Lusa sobre o que considera que podem fazer pela sua mobilidade os concelhos do distrito do Porto que não a integram, a Área Metropolitana apresenta como uma das respostas "o investimento na ferrovia, para o qual [a AMP] está a desenvolver um estudo", a par da "construção de interfaces" que promovam "a integração dos diversos modos de transporte".

Quanto às suas ambições para o curto e médio prazo, a AMP refere "a contratualização das novas redes de transporte público rodoviário", que vão permitir uma "melhor cobertura territorial e horária", uma "articulação dos horários dos diferentes modos (rodoviário, ferroviário ligeiro e ferroviário pesado)" e a "disponibilização, em tempo real, do tempo de espera nas paragens através de aplicações móveis".

O "aprofundamento da unificação e redução tarifária já em curso, com a universalização total do sistema intermodal Andante", é outra das pretensões.

Ao reduzir o preço dos transportes, o designado passe único surgiu em abril como impulso a uma nova mobilidade, fazendo subir de 150 mil para 180 mil o número mensal de Andantes.

Para a AMP, tal poderá, ainda que calculado de "forma simplista", corresponder a menos 19.200 automóveis na estrada, nomeadamente nas grandes cidades, que em hora de ponta continuam a congestionar e onde o estacionamento prossegue caótico.

Adérito Machado, do Movimento de Utentes do Transporte Público, tem outras ambições e uma delas é levar passageiros de regresso à linha de Leixões: "Já esteve ativa, entre 2009 e 2011 e era uma infraestrutura importante para as zonas mais interiores do Grande Porto, servindo zonas onde o metro não chega e passando por algumas das suas atuais estações".

O responsável alerta que "o interior não é só em Trás-os-Montes" - no Porto, onde "também há zonas que parecem outro mundo", a linha de Leixões podia dar uma ajuda.

Quanto ao metro, aponta a necessidade de avançar com uma nova ligação a Gondomar, o concelho da AMP "com mais movimentos pendulares".

O representante lembra ainda que a Trofa "ficou sem comboio e sem nada", porque a "linha férrea desapareceu e o metro nunca mais chegou lá".

Atualmente, o metro opera em sete concelhos da AMP em seis linhas, 67 quilómetros e 82 estações utilizadas anualmente por cerca de 60 milhões de clientes, de acordo com dados da empresa.

Embora mais próximos da capital do distrito e do mar, também em concelhos da AMP se aguarda há muito tempo por melhorias e alternativas a estradas nacionais, como é o caso da EN14, que liga o Porto a Braga, passando pela Maia e pela Trofa.

Trata-se do principal eixo distribuidor de trânsito para acesso aos portos de mar, ao aeroporto e à rede de autoestradas, atravessando 30 polos industriais, onde trabalham cerca de 128 mil pessoas e suportando perto de 45 mil veículos por dia (seis mil camiões), de acordo com as autoridades locais.

Enquanto isso, a Via de Cintura Interna (VCI) continua a receber o trânsito que não precisa de entrar no centro do Porto, mas que prefere por ali passar para contornar as portagens da A41, a Circular Regional Exterior do Porto (CREP).

Na região, somam-se ainda os custos de atravessar as autoestradas A42, a A29 e a A28.

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