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Fitch revê em alta perspetiva sobre rating da República Portuguesa

A agência de notação financeira reviu a perspetiva de "estável" para "positiva".

Fitch revê em alta perspetiva sobre rating da República Portuguesa

"A Fitch espera que o recente histórico de queda da dívida pública em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] seja mantido", indica a agência de notação financeira no relatório hoje divulgado.

A Fitch salienta que os excedentes primários sustentados, que refletem a consolidação orçamental, têm contribuído para a redução do rácio da dívida pública, de um máximo de 130,6% do PIB em 2014 para 121,5% no final de 2018.

A agência de notação financeira antecipa que o rácio da dívida pública desça para 104% do PIB em 2023, "assumindo um abrandamento do crescimento do PIB para 1,5% e excedentes primários de 2,5%/3%".

A Fitch também destaca a descida do défice orçamental para 0,5% do PIB em 2018, face aos 3% registados em 2017, salientando que esta evolução se deveu, sobretudo, a um "forte crescimento da receita", menores despesas com juros, despesas de capital abaixo do previsto e ausência de custos extraordinários relacionados com a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, registados em 2017, equivalentes a 2% do PIB.

Contudo, a agência de notação indica que o défice de 2018 reflete a injeção de capital no Novo Banco, no valor de cerca de 0,4% do PIB, e outras medidas pontuais, avaliadas em cerca de 0,3% do PIB.

A Fitch considera que a procura interna contribuirá para sustentar o crescimento e que "o modesto crescimento salarial, combinado com alterações no IRS, aumentará o rendimento disponível e apoiará a resiliência do crescimento do consumo das famílias".

A agência prevê igualmente uma recuperação do investimento, em resultado de uma maior absorção dos fundos estruturais da União Europeia.

No entanto, a Fitch sublinha que as contas externas de Portugal são "mais fracas que a maioria dos países com notação 'BBB'" e acrescenta que o facto de a economia portuguesa ser muito aberta ao exterior torna-a vulnerável a choques externos e ao impacto do abrandamento económico da zona euro.

A Fitch indica ainda que "os desenvolvimentos no setor da banca têm sido estáveis" e que a limpeza dos balanços dos bancos prossegue, com a parcela de crédito malparado a descer para 9,4% do total de empréstimos no final de 2018, face ao pico de 17,9% em meados de 2016.

A agência de 'rating' refere também as eleições legislativas, agendadas para 06 de outubro, alertando que "a incerteza e o recente confronto entre partidos políticos sobre o descongelamento dos salários no setor público podem mudar a dinâmica das sondagens", que dão vantagem ao PS.

Atualmente, as norte-americanas Fitch e Standard & Poor's, e a canadiana DBRS atribuem uma nota de 'BBB' ao 'rating' de Portugal, o segundo nível da categoria de investimento. A Moody's atribui uma nota de 'Baa3'.

Este ano, antes da Fitch, a DBRS também melhorou a perspetiva do 'rating' de Portugal de estável para positiva, em 05 de abril, o que significa que pode subir o 'rating', que manteve em 'BBB', numa próxima avaliação.

De acordo com o calendário da atualização dos 'ratings' previsto para 2019, a próxima agência a pronunciar-se sobre a situação económica e financeira do país é a Moody's, em 09 de agosto, enquanto a S&P poderá voltar a olhar para Portugal em 13 de setembro e a DBRS em 04 de outubro.

A Fitch fará nova revisão sobre o país em 22 de novembro.

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