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Economistas acreditam que Portugal pode alcançar défice "próximo de zero"

Economistas ouvidos pela Lusa acreditam que Portugal poderá registar em 2019 um défice "próximo de zero", o que, segundo o Governo, acontecerá pela primeira vez na democracia e colocará o país numa situação de "normalidade" perante os parceiros europeus.

Economistas acreditam que Portugal pode alcançar défice "próximo de zero"
Notícias ao Minuto

09:00 - 18/12/18 por Lusa

Economia 2019

Nas suas últimas previsões, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) disse esperar que o Governo cumpra as metas para o défice deste ano (0,7% do PIB) e do próximo ano (0,2%) sem dificuldades, e antecipa mesmo que em 2020 o saldo orçamental já seja positivo, em 0,1% do PIB.

Os economistas ouvidos pela agência Lusa também acreditam neste cenário, embora coloquem algumas reservas.

O diretor da Católica Lisbon, Nuno Fernandes, disse acreditar que o défice deverá ser próximo de zero em Portugal no próximo ano: "é a continuação de uma trajetória de redução de défice, que é salutar, e tem contribuído para a nossa cada vez maior credibilização externa".

No entanto, o economista acredita que o país "podia ter ido mais além", tendo em conta que a grande maioria dos países da zona euro vai ter no próximo ano excedentes orçamentais significativos.

"Na minha opinião, poderíamos já ter em 2019 um excedente, se determinadas escolhas não tivessem sido feitas em sede de Orçamento do Estado", disse.

O professor do ISEG António Afonso também considera provável que o saldo orçamental se possa equilibrar em 2019.

"Os fatores determinantes serão, como é habitual, o crescimento do PIB em 2019, onde a Comissão Europeia e o FMI [Fundo Monetário Internacional] têm projeções menos otimistas do que o Ministério das Finanças, com efeitos importantes do lado das receitas, e ainda a evolução do próprio saldo orçamental primário", refere.

Adicionalmente, acrescenta, ao nível da execução orçamental pode eventualmente existir alguma margem de manobra no sentido de conter despesa.

"Todavia, 2019 é um ano de eleições, com tudo o que tal poderá implicar em termos dos chamados ciclos político-económicos", considerou.

Para o diretor da banca 'online' do Banco Carregosa, João Queiroz, a forma como as cativações têm sido utilizadas e o maior endividamento a fornecedores não permitem ter um claro cenário de estimativas, mas notoriamente se o crescimento económico ficar próximo dos 2%, tendencialmente o défice do Estado ficará próximo de zero.

"O elevadíssimo endividamento público face ao PIB terá de continuar a reduzir-se para valores inferiores a 100% (atualmente está próximo dos 122%, apesar do recorde no valor nominal). A redução da dívida, por si só, é um estímulo para um maior crescimento económico e para um défice menor", avisou.

Já o Fórum para a Competitividade tem claras dúvidas sobre as expectativas do Governo para o Orçamento do Estado para 2019 e acredita mesmo que o défice quase zero "do ponto de vista nominal é uma ilusão".

Na sua nota de conjuntura mensal referente a outubro, a entidade deixou várias críticas ao Orçamento do Estados para 2019 e explicou por que é que os valores do défice, que o Governo coloca em 0,2%, levantam dúvidas.

Primeiro, "a economia portuguesa continua muito pouco competitiva, muito exposta e pouco resistente face a choques assimétricos externos; segundo, dado que a consolidação orçamental é sobretudo conjuntural e não estrutural, um excedente nominal em 2019 é manifestamente pouco; terceiro, o nível elevado da dívida pública (e externa), bem como a pressão demográfica sobre as contas públicas (em particular saúde e segurança social)", lê-se no documento.

Além disso, trata-se da "mais baixa redução do défice nominal desde 2010. Num período de expansão económica e quebra do desemprego, bem como de redução da fatura de juros e aumento muito significativo dos dividendos e do IRC do Banco de Portugal, o Governo opta por não fazer consolidação orçamental em 2019. Curiosamente o ano de eleições", critica o Fórum.

A instituição liderada por Ferraz da Costa estima também um travão no Produto Interno Bruto (PIB): "Prevemos que de um crescimento homólogo de 2,3% no segundo trimestre, o PIB desacelere para entre 2,0% e 2,3% (entre 0,3% e 0,6% em cadeia) no terceiro trimestre".

O ministro das Finanças, Mário Centeno, tem afirmado que o Orçamento do Estado para 2019 coloca Portugal na "situação normal" de outros países europeus, com "quase equilíbrio entre receitas e despesas".

"Este é um Orçamento particularmente importante pelos números que apresenta, pelo facto de ser, pela primeira vez, um Orçamento em que o Governo projeta um quase equilíbrio entre as receitas e as despesas e isso é, de certa forma, histórico", declarou o governante no mês passado durante uma conferência de economistas.

No último Orçamento do Estado da presente legislatura, no que respeita ao cenário macroeconómico, o Governo pretende atingir um défice de 0,2%, uma dívida na ordem dos 118,5% do Produto Interno Bruto (PIB), um crescimento de 2,2% e uma taxa de desemprego que ronde os 6%.

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