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"A partir de hoje sou um candidato à presidência do Sporting"

Bruno Conceição, 44 anos, antigo líder de uma das claques do Sporting, assume-se, durante uma tempestade perfeita em Alvalade, como candidato à presidência do Sporting. Confira a entrevista concedida pelo advogado e sobrinho-neto de Travassos ao Desporto ao Minuto.

"A partir de hoje sou um candidato à presidência do Sporting"
Notícias ao Minuto

07:37 - 08/04/18 por Sérgio Abrantes 

Desporto Bruno Conceição

O Sporting está a viver durante os últimos dias um período conturbado. A equipa concedeu, em Madrid, na casa do Atlético, uma derrota que foi contestada pelo seu próprio presidente. Bruno de Carvalho apontou à equipa toda, mas elencou os nomes de quem considerava ter 'denegrido' a camisola leonina. 

No dia seguinte, regressado a Lisboa, o plantel reagiu praticamente em uníssono, dando mostras de desagrado para com a comunicação do seu presidente. Após a publicação do comunicado conjunto, Bruno de Carvalho reagiu duramente, pondo todos os atletas que subscreveram o texto sob alçada disciplinar. 

A crise agravou-se com a perspetiva de que o clube tivesse de entrar em campo com os jogadores da equipa B, um cenário que foi atenuado com uma reunião entre direção e atletas ocorrida durante a tarde de sábado.

No meio deste 'terramoto', várias foram as vozes a erguer-se contra Bruno de Carvalho, mas Bruno Conceição,  mestre em Direito Desportivo e sobrinho-neto de Travassos, foi mais longe do que a simples crítica. Este advogado avançará agora, garantiu ao Desporto ao Minuto, com uma candidatura à presidência do Sporting.

Numa conversa mantida com a nossa publicação, Bruno Conceição, de 44 anos, explicou as razões que o levam a avançar agora, explicou o seu projeto desportivo para o clube e lembrou que o Sporting é mais do que os homens e as mulheres que o representam e, por isso, tem de estar acima de qualquer questão de momento.

Confira a conversa mantida com este jurista, sócio 15467, numa militância que já se prolonga há quase 40 anos.

Porque é que surge a sua candidatura neste momento?

Nunca andámos a fazer política de terra queimada nem a aparecer sem necessidade. Não preciso de protagonismo, ninguém da minha equipa precisa de protagonismo. Não queremos nada do Sporting.

Com três anos de idade fazia parte da equipa de ginástica do Sporting, fui líder da Juve Leo, portanto, o Sporting é a minha vida desde sempre. Adotámos uma postura, desde há quatro anos, de falar nas Assembleias Gerais e recusar fazer críticas através da comunicação social. Neste momento, achamos que esta situação tem de acabar. Já chega. A partir de hoje sou um candidato à presidência do Sporting. Estamos a preparar esta candidatura há vários anos e tenho recolhido apoios. Cada um de nós tem o seu amor ao Sporting e está disposto a dar o seu contributo ao clube. Posso dizer que há, por exemplo, o Mexia envolvido na parte financeira.

E João Benedito fará parte de uma candidatura apresentada por si? 

Sou amigo do João Benedito desde infância. Foi um grande atleta do Sporting, um grande capitão. No nosso modelo de gestão teríamos espaço para ele, como para alguns outros. Serão sempre muito bem vindos.

Tendo havido eleições recentemente, como explica aos sportinguistas que avance com esta candidatura só agora?

No período anterior, e principalmente durante a última Assembleia Geral, onde intervi, estivemos na dúvida se avançávamos ou não. Achámos que quando éramos líderes do campeonato e tínhamos acabado de vencer a Taça da Liga, com tudo em aberto, era possível engolir um sapo ou dois e pôr a equipa em primeiro. Neste momento é altura de avançar. Acho que chegou tudo a um ponto que não é suportável. Senti desespero e tristeza por parte da equipa e do técnico.

Concretamente, o que o fez avançar?

A situação já era grave antes de Braga e em Braga agravou-se...  ontem [sexta-feira] senti que a situação chegou a um ponto incomportável.

Para quando um pedido de eleições?

O desafio é feito hoje. Já o fiz, pessoalmente, através de mensagem a Bruno de Carvalho. Se aturámos as birras que fez para se tentar legitimar e antecipar um possível fracasso [da temporada desportiva]… A única coisa que Bruno de Carvalho está a fazer agora é tentar virar os adeptos contra a equipa. Já chega. Ele que deixe de ser o campeão do teclado e que tenha coragem, convoque Assembleia Geral e eu vou. Não sou o Madeira Rodrigues ou o Severino que andaram aqui durante este tempo todo a fazer política de terra queimada. A nós não nos vão ouvir fazer uma crítica. A nós vão ouvir-nos sobre um projeto para o futuro do Sporting.

Mas para quando este pedido de eleições?

Se até segunda-feira ou terça-feira não for convocada a Assembleia Geral, estou já a preparar assinaturas para avançar com esse pedido.

Jorge Jesus seria o seu treinador?

Sim, sem dúvida! Declaradamente! O Jorge Jesus seria o meu treinador, o Coentrão um dos nossos capitães e o Rui Patrício ficaria para sempre, o Coates seria central. Eles tiveram a dignidade de ficarem sozinhos naquele estádio [Wanda Metropolitano] para irem ao topo Norte cumprimentar os adeptos e ouvir uma monumental assobiadela. Os adeptos deram a mensagem que tinham de dar aos nossos atletas. Não era preciso o rapazote ir enxovalhá-los em público.

Partindo para outro ponto.  Em que se baseia o seu modelo de gestão para o Sporting?

Há três pilares que para nós são fundamentais e dos quais não abdicamos. O primeiro é pedagogia. O Sporting é um clube de famílias, de crianças… Não pode ser um clube cujo representante máximo chama os rivais de labregos, pedreiros, etc, e não respeita as instituições. O Sporting não é o Bruno de Carvalho, não vai ser o Bruno de Carvalho, nem é nenhum de nós, é o Sporting Clube de Portugal.

O segundo pilar será ‘cultura desportiva’. Para se ser grande, num país pequenino como o nosso, é preciso cultura desportiva. Juntar gestão, coaching e cultura desportiva. O presidente não pode ir para o balneário. Não sabe a linguagem de jogador. O presidente pode dar indicações, falar com o treinador, mas não pode ser ele a decidir. Temos de respeitar os atletas e as pessoas que connosco colaboram.

Por fim, e acima de tudo, respeito. O Sporting não é um clube de bairro, não é uma pequena instituição. Somos um clube com responsabilidade social, até pelos estatutos e enquadramento jurídico que o clube tem. A seguir à Igreja, as maiores instituições em Portugal são os clubes de futebol.

Em termos de objetivos desportivos, muito concretamente, o que pode prometer aos sportinguistas?

Um grande, grande reforço da Academia. Foi uma das coisas que foi delapidada com Bruno de Carvalho e Jorge Jesus. Já expressei ao treinador a minha preocupação e ele mostrou-se disponível para mudar as suas ideias quanto à Academia. É preciso também um grande reforço europeu.

E em termos internos…

Não somos campeões há mais de 15 anos - quase um terço deste período com Bruno de Carvalho ao comando e com muitos milhões de orçamento. Chegámos a trabalhar com 30 e 40 milhões de orçamento há uns anos atrás. Se não conseguir pôr o Sporting campeão em quatro anos… vou-me embora e que venha outro mais competente. Mas durante estes anos trabalharei de borla, pro bono. Que isto fique claro. Tenho a minha vida e o meu rendimento. Tenho vontade de servir o Sporting pelo sentimento que tenho.

E a relação com os rivais? Irá continuar a tomada de posições mais recente…

Acho que somos todos rivais internos, mas enquanto não percebermos que temos de estar juntos para fazer uma Liga mais forte e mais competitiva, só estamos a condenar algo que é muito importante no nosso país, e que é o futebol, a algo medíocre. Os clubes todos têm de pensar menos nos seus objetivos individuais e adotar uma perspetiva nacional para o futebol português. Para o ano, lembremos isto, já não teremos três equipas na Liga dos Campeões.

E o momento que o futebol português atravessa? Como podemos explicar que tenhamos tido um presidente que já foi julgado e viu revertido o processo por ‘ilegalidade’ das provas, outro arguido em vários processos e outro que tem este tipo de atitudes. Que retrato traça do futebol português?

Tenho uma opinião muito simples, mas profunda sobre o tema. Tem de se legislar em condições, criminalizar a prática dos agentes desportivos. Os seus atos têm de ter consequências penais e acho que, a partir daí, teremos outras pessoas no futebol. Isto já nada tem que ver com uma opinião sobre o Sporting. O desporto tem de legislar e o código penal ser adaptado para todas estas pessoas poderem ser criminalizadas. O presidente de um clube representa milhões de adeptos. Se os clubes querem ter estatuto de entidade pública têm de assumir a responsabilidade. O futebol não é uma brincadeira.

Temos de perceber que há crianças que olham para as pessoas que estão neste meio como exemplos. Se um presidente é um vigarista e está tudo bem… se calhar, as crianças, no futuro, também vão achar que o podem ser.

Noutro ponto, alguma vez apoiou Bruno de Carvalho?

Nunca apoiei Bruno de Carvalho. Dei-lhe, numa perspetiva de último fôlego porque achava que não era o momento, nesta última assembleia, o meu apoio. Avisei-o e ele comprometeu-se que ia mudar o seu comportamento e mudou… para pior. Comprometeu-se em acabar com o tipo de comunicação que fazia mas essa ideia durou dois dias. Críticas e política de terra queimada comigo não contem. Tudo o que tiver de dizer será lá dentro. Acho que a situação é bem mais grave do que se pensa.

Que avaliação faz, em termos globais, do mandato de Bruno de Carvalho?

No balanço que faço acho que fez coisas positivas e que foi importante para o Sporting. Foi mais um presidente do Sporting.

Mas sente que o que Bruno de Carvalho fez e disse acabou por ter influência naquilo que foi o desempenho da equipa de futebol na luta pela conquista de títulos?

Quer que responda o que sinto ou o que tenho a certeza? Tenho 100% de certeza que teve muita influência.

Para terminar, Bruno de Carvalho é intitulado de presidente-adepto. Se lhe fosse atribuído um epíteto, qual acha que seria o que lhe encaixaria?

Adepto-presidente.

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