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"Tive abordagens da I Liga, mas que jogador recusa jogar na Europa?"

Paulinho permitiu um encaixe histórico de 900 mil euros ao Estrela da Amadora, no passado mês de janeiro, e mudou-se de malas e bagagens para a Dinamarca, onde, agora, veste a camisola do Viborg. Passados dois meses, o avançado português de 23 anos revela ao Desporto ao Minuto as primeiras impressões da nova aventura.

"Tive abordagens da I Liga, mas que jogador recusa jogar na Europa?"
Notícias ao Minuto

07:19 - 29/03/23 por Francisco Amaral Santos

Desporto Exclusivo

Paulinho transferiu-se para o Viborg no passado mês de janeiro, em pleno mercado de inverno, colocando um ponto final na passagem pelo Estrela da Amadora, valendo um encaixe financeiro de quase um milhão de euros, ao mesmo tempo que se mudou para a Dinamarca, onde se encontra a vivenciar a primeira experiência além-fronteiras. 

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o avançado português de 23 anos revela-se confiante de que irá vingar no futebol escandinavo, enaltecendo que, agora, está mais perto de conquistar títulos e tem a possibilidade de disputar as competições europeias. 

Apesar da distância, Paulinho garante continuar a torcer pelo Estrela da Amadora e acredita mesmo que o clube vai conseguir a tão ambicionada subida ao máximo escalão do futebol português, já no final da presente temporada. 

Pelo meio, recorda a forma como foi galgando escalões no futebol nacional e confessa ser fiel seguidor de Cristiano Ronaldo. 

Há mais do que condições para o Estrela da Amadora subir

Quais as primeiras impressões desta aventura, na Dinamarca? 

São muito positivas, tanto a nível do grupo de trabalho, que foi muito acolhedor e que tem muita qualidade, e de clube, que tem todas as condições. É um bom clube, aqui, na Dinamarca. O campeonato é muito competitivo e há equipas muito fortes e que lutam pelo título. Não são apenas uma ou duas, mas cinco ou seis na luta. É aquele tipo de campeonato em que os últimos facilmente roubam pontos às equipas que estão lá em cima. Isso mostra a competitividade desta Liga. A nível pessoal, foi uma mudança difícil, principalmente por ter sido feita em janeiro, a meio da temporada. É a minha primeira mudança de país. É toda uma nova cultura, um novo estilo de jogo. É difícil para um jogador novo entrar numa equipa na qual todos estão muito bem. Ainda estou neste processo de adaptação, até mesmo às ideias do treinador. Não posso dizer que está a ser fácil, mas sei que, com tempo, as coisas vão tomar o seu lugar e esta aventura vai correr bem. 

Como é que surgiu a proposta do Viborg? 

O Viborg e os meus empresários já andavam em conversações desde o tempo em que estava no Fafe. Só que nunca tinha surgido a oportunidade para vir. Agora, neste mercado de janeiro, eles queriam muito a minha contratação e forçaram. Também não podia dizer 'não' a um clube como o Viborg. É um clube grande e o projeto apresentado aliciou-me muito. Recebendo uma proposta de um clube que disputa competições europeias, é muito chamativo. Também tive outras abordagens, em janeiro, de clubes da I Liga, só que infelizmente o futebol em Portugal ainda está muito com aquele paradigma de que apenas quatro ou cinco equipas podem lutar por competições europeias. Quem é o jogador que não quer jogar na Europa? 

Mas ficou com pena de deixar o Estrela a meio de uma época tão positiva? 

Isso foi uma coisa que me custou muito. Estávamos a lutar pela subida de divisão, que tenho a certeza que vai acabar por acontecer. Custou-me muito deixar o Estrela, porque acho que escrevi uma história bonita com aquela camisola. E, depois, também tinha uma conexão diferente com os adeptos. Sentia-se isso quando estava em campo. Era uma conexão muito boa, até mesmo fora de campo. Foi uma cidade e um clube que me acolheu muito bem. Até mesmo com o presidente guardo uma boa relação e sempre me tratou muito bem. Com o mister Sérgio Vieira, também... O grupo de trabalho era espetacular e o resultado está à vista. Não é só dentro de campo. Tudo à volta está bem estruturado. Foi um ano e meio bastante intenso para mim, mas vou guardar muitas e boas memórias. A saída acabou por ser boa para ambas as partes. Tanto para mim, como para o Estrela. Espero que haja um final feliz para os dois, esta época! 

Notícias ao Minuto Paulinho marcou 19 golos em 44 jogos com a camisola do Estrela da Amadora.© Getty Images  

A sua saída permitiu um encaixe financeiro muito significativo, sendo que se trata de um clube da II Liga... 

É isso mesmo... O negócio foi bom para todas as partes. Tanto para mim, que estou agora a jogar na elite do futebol dinamarquês e a lutar por títulos, como para o Estrela, que pôde realizar um bom encaixe financeiro, algo que merecem, porque foram eles quem apostaram em mim. Foram eles que me fizeram ser profissional. O meu contrato profissional foi com o Estrela, por isso, merecem todo o reconhecimento. 

Acredita, portanto, no regresso do Estrela da Amadora à I Liga? 

Sim, acredito por diversos fatores. O primeiro é porque no início do campeonato não estávamos a jogar no José Gomes e, mesmo assim, fomos conseguindo bons resultados, depois porque era um grupo novo, e havia muitos jogadores novos do Brasil e de África que ainda não conheciam bem o contexto e que agora conhecem melhor e cada vez estão a dar mais frutos. Se bem me recordo, a única derrota do Estrela no campeonato foi contra o Torreense. E já vamos a mais de meio da época. A vida dos jogadores fora de campo é muito bem acompanhada pelo clube. Tudo é bem pensado pela estrutura do Estrela. Este ano ficou muito forte e há mais do que condições para subir. Acredito mesmo, porque a equipa está muito bem trabalhada pelo mister Sérgio Vieira. 

Assim que consigas estabilizar fora de campo, então, as coisas vão correr melhor dentro de campo

Voltando um bocadinho mais atrás, como é que se deu aquele salto do Fafe para o Estrela? 

Esse passo da minha carreira foi como todos os outros desde que entrei na distrital. Comecei o meu fim de formação lá e tive de subir, degrau a degrau, até onde estou hoje. Do distrital, fui para o Campeonato de Portugal, subindo com o Fafe. Fiz um bom campeonato e o Estrela, que tinha subido para a II Liga, convidou-me para entrar no projeto que, claro, aceitei. Agora, saltei para a I Liga dinamarquesa. Foi todo um trajeto gradual, muito bem pensado e sempre com os pés bem assentes na terra. Tive de mostrar o que valia em todos os clubes e tenho orgulho nisso. Espero ainda conseguir alcançar mais e mais coisas. 

Falando novamente na Dinamarca, como tem corrido a adaptação fora de campo? 

A Dinamarca é um país incrível para viver. Estilo de vida, segurança, condições para viver... É um país muito bom, mas claro que, para qualquer jogador que muda de país, é sempre difícil. E, como eu vim em janeiro, não tive aquela fase de pré-época e aquele tempo normal de adaptação. Foi logo aquele choque de estar na Dinamarca e o campeonato já estar a decorrer. Sinto que ainda estou a passar pela fase de adaptação. Estou a estabilizar a minha vida, cá, a nível pessoal. E, depois, claro as coisas refletem-se dentro de campo. Assim que consigas estabilizar fora de campo, então, as coisas vão correr melhor dentro de campo. 

E como faz com a comunicação? 

É através do inglês. Uma das coisas boas aqui da Dinamarca é que toda a gente fala inglês. No nosso grupo de trabalho a comunicação é toda feita em inglês. Claro que, entre eles, vão falando algumas coisas em dinamarquês, mas tudo o que é referente à estratégia de jogo e trabalho é falado em inglês. É uma língua que domino e ainda bem, até porque, ao início, não sabia que seria assim e pensei que teria que aprender dinamarquês (risos). Quero aprender, mas o inglês vai ajudando a viver aqui. 

Que impressão têm os dinamarqueses de Portugal? 

Eles têm uma ideia muito boa da Liga portuguesa. Alguns deles até gostavam de experimentar o nosso campeonato. Sabem que é uma boa Liga, principalmente pelo facto de conhecerem as maiores equipas como Benfica, Sporting, FC Porto e Sp. Braga. Talvez se valorize mais o português na Dinamarca do que em Portugal. 

E que diferenças encontra entre o futebol português e o futebol dinamarquês? 

A maior diferença é a intensidade de jogo e o nível de choque. Aqui, é um jogo mais duro e muito intenso. A bola não para. Sinto que corro mais quilómetros aqui e que os árbitros não marcam qualquer faltinha, como em Portugal, que, ao mínimo toque, apitam. Aqui, permite-se um maior contacto físico. 

Cristiano Ronaldo foi sempre o ídolo e uma inspiração para mim, tanto dentro como fora de campo

Com 23 anos tem alguma meta especial na cabeça para a sua carreira? 

No dia em que não tenha ambições maiores no futebol, termino a minha carreira. Vou querer sempre mais, mas, neste momento, estou muito feliz, aqui, no Viborg. É um sonho de menino poder chegar à elite de um futebol nacional. Quero fazer o meu melhor aqui, fazer golos e mostrar do que sou capaz. E, tal como em toda a minha carreira, quero pensar passo a passo. O trabalho vai ser notado e recompensado. As coisas vão acontecendo naturalmente, como até aqui tem acontecido. 

Tem algum ídolo no mundo do futebol? 

Ah, claro! O Cristiano Ronaldo foi sempre o ídolo e uma inspiração para mim, tanto dentro como fora de campo. É um exemplo de profissionalismo e trabalho que mostra que, com dedicação e vontade, o céu é o limite. 

A época já vai a meio. Quais os objetivos traçados para o que resta? 

O meu objetivo principal é conseguir adaptar-me o mais rápido possível e marcar o meu primeiro golo, aqui, com a camisola do Viborg. Tenho a certeza de que, depois do primeiro golo, a confiança traz mais a caminho. Como diz o Ronaldo, depois de abrir o ketchup, espero que não pare (risos). 

Notícias ao Minuto Paulinho acumula já um saldo de cinco jogos pelo Viborg mas ainda procura o primeiro golo em solo dinamarquês. © Getty Images  

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