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"Tenho receio que Cristiano Ronaldo passe de jogador amado a odiado"

António Boronha, antigo dirigente da FPF, não se mostrou surpreendido com a derrota de Portugal frente à Espanha, e avisa que os "milagres de Fátima" nem sempre salvam todos os problemas da seleção orientada por Fernando Santos.

"Tenho receio que Cristiano Ronaldo passe de jogador amado a odiado"

Fernando Santos disse, no passado sábado, que o melhor estava para vir, e ainda este ano, mas, a verdade é que Portugal recebeu o primeiro ‘grande estalo’ já esta terça-feira, após ser afastado por Espanha da final four da Liga das Nações.

As críticas subiram de tom nas últimas horas. Desde o conservadorismo do selecionador nacional à presença, quase intocável, de Cristiano Ronaldo no ‘onze’ das quinas, parece que as dúvidas e questões sobrepõem-se, neste momento, ao número das certezas. António Boronha, antigo vice-presidente da FPF, não foi brando nas críticas e, em conversa com o Desporto ao Minuto, confessou que não se mostrou surpreendido com o “resultado final”.

“Um jogo típico à Fernando Santos, um selecionador conservador e resultadista. Cheguei a dizer ao meu filho, após o triunfo de Portugal diante da Chéquia [4-0] e da derrota de Espanha diante da Suíça [1-2], que era preferível que La Roja tivesse ganho e nós entrássemos ontem [terça-feira] com a obrigação de ganhar. Jogar para o empate com Fernando Santos é uma chatice e, portanto, não me surpreendeu de todo o que sucedeu”, começou por dizer António Boronha, desenhando o comportamento de Portugal em campo contra 'nuestros hermanos'.

“Se, na primeira parte, gostei do comportamento da seleção, já na etapa complementar, na meia hora final, e após as três alterações promovidas por Fernando Santos, foi um sufoco, e o golo de Espanha acabaria por surgir, fosse uns minutos antes ou uns minutos depois do remate certeiro de Morata”, complementou o antigo dirigente da FPF, que avisa que os “milagres de Fátima” não salvam todos os problemas da seleção.

“Neste momento, e com todo o mérito que Fernando Santos teve em alcançar os títulos que conquistou, a verdade é que sempre o fez com a mesma atitude conservadora, e com a santinha de Fátima a ajudar em algumas situações. Mas, neste momento, a santinha de Fátima não é suficiente. Ser tão conservador, com jogadores de tanta qualidade, magoa, efetivamente magoa”, frisou o ex-vice presidente da FPF, perspetivando o que poderá suceder no Mundial do Qatar.

“Eu não estou à espera que algo mude em Fernando Santos. Efetivamente, estou preocupado com o Mundial’2022, como português. Não estou muito otimista e não estou à espera de grandes coisas. Nós temos tido exibições péssimas, e, contra a Chéquia, o nosso opositor também não fez uma grande performance. Portugal devia ter uma atitude muito mais ofensiva, muito mais lutadora e muito mais vencedora. Vamos olhar para os nomes da seleção espanhola e são, sobretudo, jovens. Na nossa equipa, metade joga no campeonato mais competitivo do mundo [Premier League]. Nós temos grandes nomes e Portugal já não é a seleção que entra para perder ou empatar. A nossa seleção deve colocar respeito a todas as outras”, complementou António Boronha, antes de comentar a situação de Cristiano Ronaldo.

“Ronaldo não esteve um pouco mais lento. Ontem [terça-feira], a caixa de mudanças não existiu. Nós temos de ser realistas, e, na minha modesta opinião, deviam ter sido colocadas outras opções em cima da mesa. Não alinho em teorias da conspiração. Cristiano Ronaldo é uma figura que valorizou imenso a seleção nacional, mas só um cego não consegue ver os problemas e o rendimento apresentado pelo avançado do Manchester United, neste momento. Nós temos uma aceitação passiva perante esta situação, mas falta coragem a quem de devido para o deixar no banco de suplentes. Não questiono a sua chamada para o Mundial’2022, mas devemos atender à forma como ele vai evoluir até lá, e ver com olhos bem abertos se é merecedor ou não da titularidade na seleção. As vozes que correm no país não abonam nada a favor de Ronaldo. Ele é claramente contestado por uma larga fação da opinião pública, e essa onda está a crescer. Se eu fosse responsável, teria alguma calma em avaliar este dossier e perceber como Ronaldo vai evoluir até ao Mundial”, asseverou o antigo responsável do organismo que tutela as seleções nacionais.

“Esta situação só prejudica Cristiano Ronaldo. Eu lembro-me do Eusébio, um ídolo para mim, acabar a carreira no Beira-Mar cheio de dificuldades. E tive pena quando ele parou. Era, indiscutivelmente o melhor jogador do mundo, e parou. Como sucedeu com Luís Figo, Fernando Couto e Rui Costa, entre tantos outros. É preciso saber parar e Ronaldo não está a conseguir fazê-lo Aqui não é um problema monetário, certamente, é um problema de ego. Eu tenho receio que Ronaldo, na seleção, passe de um jogador amado a um jogador odiado. Tristemente, tenho esse receio. A chamada de Ronaldo à seleção, afinal, atende aos interesses de quem?”, rematou.

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