Meteorologia

  • 30 JUNHO 2022
Tempo
23º
MIN 15º MÁX 24º

Márcio Sousa espera ver Tondela a separar emoções

O Tondela precisa de "saber separar emocionalmente as coisas" no domingo para disputar uma inédita final da Taça de Portugal ante o FC Porto, uma semana depois da despromoção à II Liga, aconselha o ex-futebolista Márcio Sousa.

Márcio Sousa espera ver Tondela a separar emoções

"O Tondela tem um momento histórico e muitos dos atletas nunca estiveram numa final destas. Acho que têm de deixar a pele em campo e mostrar que aquilo que se passou no campeonato foi por mero acaso. É um jogo único para a cidade, os adeptos e o próprio distrito de Viseu. É um motivo de orgulho para toda a gente de uma zona muito bonita e com pessoas fantásticas", elucidou à agência Lusa o ex-médio dos beirões (2010-2015).

O campeão nacional FC Porto, com 17 troféus, e o estreante Tondela lutam no domingo, a partir das 17:15, pela conquista da final da 82.ª edição da prova 'rainha', que volta ao Estádio Nacional, em Oeiras, após ter sido realizada nas últimas duas temporadas à porta fechada em Coimbra.

"Os jogadores têm de ir lá para dentro com a concentração possível e fazerem o jogo da sua vida. Se estivesse lá, era isso que fazia. Se desse 100% e pudesse dar 102%, então daria 102%. É um jogo que marca carreiras, vidas e clubes, e estamos a falar da final da Taça de Portugal, que é das coisas mais bonitas que existem no final da época", notou.

Se os nortenhos "estão muito fortes, têm uma equipa fora do normal, são bem orientados e vão motivados" ao Jamor, em busca da 'dobradinha', Márcio Sousa reconhece que os beirões procuram digerir a angústia inerente à primeira 'queda' da sua história na II Liga.

"No primeiro treino, há um ambiente muito pesado e típico de uma derrota. Muitas vezes, nem temos vontade de conversar. Agora, conforme a semana vai passando e o jogo está mais perto, o foco tem de ser esse mesmo. A vontade de ganhar e o querer são iguais e acho que não vai pesar nada em campo. Pesa é no primeiro dia e vai pesar logo a seguir a este jogo, quando as pessoas fizeram uma retrospetiva do que se passou", observou.

O ex-médio, de 36 anos, recusa ver a presença na final como uma "recompensa" para o Tondela, que foi 17.ª e penúltimo colocado da I Liga, com 28 pontos, um abaixo da vaga de acesso ao 'play-off' de permanência e menos três do que a zona de 'salvação' direta.

"Quando havia um jogo crucial em épocas transatas, o Tondela conseguia bater o pé aos adversários, algo que não aconteceu este ano. Daquilo que me apercebi, faltou qualquer coisa que o clube precisa e um pouco mais de garra e querer. Não vamos agora arranjar culpados, pois, mais do que ninguém, os atletas fizeram tudo para evitar isto", analisou.

Ilustrando essa inércia na derrota frente ao Moreirense (0-2, à 30.ª ronda) e nos empates com Paços de Ferreira (1-1, à 32.ª) e Boavista (2-2, à 34.ª e última) - que confirmou a despromoção -, Márcio Sousa lamenta o fim de sete anos seguidos "entre os grandes".

"Se posso dizer aos meus filhos e netos que deixei o clube na I Liga, custou-me imenso esta semana ver a infelicidade do Tondela e a tristeza do povo tondelense", expressou, aludindo ao período em que os 'auriverdes' alcançaram várias manutenções no limite.

Quanto à mudança do treinador espanhol Pako Ayestarán, que deu o lugar a Nuno Campos em março, pouco depois do triunfo ante o Mafra na primeira mão das 'meias' da Taça de Portugal (3-0), o ex-médio fala numa "opção cuja responsabilidade tem de ser assumida pelo clube".

"Lembro-me de que a época passada foi das mais tranquilas. Com o Pako Ayestarán, o Tondela já estava salvo a duas jornadas do fim. Mudança de treinador? São opções. A direção achou que era o melhor 'timing'. Talvez os jogadores precisassem de uma injeção de confiança e o treinador poderia já não estar a passar a mensagem. Não estou lá para perceber o que aconteceu. Se tivesse corrido bem, o 'timing' tinha sido perfeito", frisou.

O campeão europeu de sub-17 pela seleção portuguesa, em 2003, viveu a ascensão dos beirões desde a então designada II Divisão B até ao cetro da II Liga, em 2014/15, falando num emblema "que estava em evolução, reunia excelentes condições e era apetecível".

"Comecei a perceber que o Tondela não ambicionava ficar apenas pela II Divisão B, mas também tinha de ter alicerces para a casa ficar perfeita. Assim foi. Criei laços e tenho por lá pessoas que são praticamente família. Para mim, o presidente Gilberto Coimbra foi o grande obreiro na chegada do clube à I Liga. Foi um marco histórico, já que era um clube que poucos conheciam e, de um momento para o outro, começou a ser falado", contou.

Com 148 jogos e 18 golos em cinco épocas nos escalões secundários, Márcio Sousa diz sentir "tristeza" por ter atingido o "topo da escalada" sem nunca ter alinhado na elite pelo "clube do coração", do qual se despediu "sem ter mágoa de ninguém" no verão de 2015.

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Sexto ano consecutivo Escolha do Consumidor e Prémio Cinco Estrelas para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download

;

Acompanhe as transmissões ao vivo da Primeira Liga, Liga Europa e Liga dos Campeões!

Obrigado por ter ativado as notificações do Desporto ao Minuto.

É um serviço gratuito, que pode sempre desativar.

Notícias ao Minuto Saber mais sobre notificações do browser

Campo obrigatório