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Uma 'montanha-russa' para responder à pergunta "quem sou eu?" em Lisboa

As tentativas de responder à pergunta "Quem sou eu?" são um dos eixos da peça 'Montanha-russa', centrada nos problemas dos adolescentes que se estreia a 09 de março, na sala Garrett, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Uma 'montanha-russa' para responder à pergunta "quem sou eu?" em Lisboa
Notícias ao Minuto

18:20 - 23/02/18 por Lusa

Cultura Teatro

Da autoria de Inês Barahona e Miguel Fragata, a peça é um musical sobre a adolescência destinado a todo o público, que mergulha na dimensão mais secreta e privada dos adolescentes e na luta destes pela descoberta de quem são.

Uma montanha-russa - a Ciclone -- estacionada na Alemanha é o cenário da peça construída com base nos problemas dos adolescentes e na sua busca diária de uma identidade em construção.

Com música ao vivo dos Clã, 'Montanha-russa' retrata a vivência e as preocupações de quatro adolescentes no seu percurso, sem deixar de retratar os picos de euforia e de depressão da adolescência.

Nesta fase da vida, em que se vai "do topo do mundo ao lugar mais profundo", como diz a 'Canção da primeira vez', interpretada por Manuela Azevedo, as vivências e as angústias que os quatro jovens experimentam em palco não destoam das que os adolescentes vivem na realidade durante esse período de transição.

"O tempo é um tecido cinzento que nos enrola", diz uma das canções da peça espelhando a sensação de um dos jovens descontente pela demora da passagem do tempo.

Diários escritos por adolescentes entre as décadas de 1970 e 2000, letras de canções, filmagens, entrevistas e audição de confissões de jovens sobre questões que os preocupam, e que os autores designaram por "confessionário", foram o ponto de partida para a peça num trabalho que se prolongou durante um ano e meio, como explicaram Inês Barahona e Miguel Fragata.

Depois de entrar na fase de criação, o espetáculo tem sido acompanhado por um "pequeno comité", composto por 15 adolescentes de Lisboa e Porto, que foram convidados a acompanhar todo o processo, assistindo a ensaios, colaborando com a estratégia de comunicação e na organização de uma noite "teen-friendly", a realizar no dia 23 de março, no átrio do Teatro Nacional D. Maria II.

Todo o processo de criação do espetáculo tem também sido seguido pela artista plástica Maria Remédio que está a filmá-lo para realizar um documentário, intitulado "Canção do meio", que será exibido nos dias 11 e 25 de março, após a peça, e no dia 27 de março, às 16:30.

Questionado sobre como surgiu esta peça, Miguel Fragata disse ter resultado de conversas com o diretor do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, na sequência do trabalho anterior - "The wall" -- em que trabalharam a tensão entre o mundo das crianças e o dos adultos.

"Começou a surgir assim esta ideia de fazer um espetáculo sobre a adolescência e rapidamente surgiu a ideia de ser um espetáculo com música ao vivo, porque sentíamos que a música tinha uma importância muito grande", disse, acrescentando que depois surgiu a "ideia de pôr em diálogo a música e os diários", criando assim a ideia de "intimidade e a de palco".

Tiveram a coincidência de o diretor do D. Maria II lhes ter proposto conceberem um espetáculo para a sala Garrett que se centrasse na adolescência.

"Foi assim um casamento perfeito", disse Miguel Fragata, ao que Inês Fragata respondeu: "Não foi bem perfeito, porque nós dissemos que não trabalhávamos só para o público adolescente", sublinhando que "detestam gavetas" além de acharem "que ninguém deve ser pastor de ovelhas".

Foi então que devolveram a Tiago Rodrigues a ideia de "trabalhar qualquer coisa sobre a adolescência, para fazer o impossível que é misturar adolescentes com o público em geral", ressalvou Inês Barahona.

Até porque, os adolescentes têm brincado muito com a ideia de que quando forem ver o espetáculo não pretendem ficar sentados juntos dos pais, mas sim na possibilidade de se sentarem noutro local da sala.

"E isso é uma premissa super-importante", frisou.

Outra das coisas que os dois pretendiam era que a peça não fosse levada à cena em horário de escola, mas sim em horário nobre.

Uma das constatações curiosas da dupla que escreveu a peça é que os adolescentes de hoje continuam a ter as mesmas preocupações e angústias que pessoas mas velhas.

Responder à pergunta "Who am I?" ("quem sou eu", em inglês) com uma ideia de ajuste de contas e de agressividade ou passividade relativamente à família, sem perder a identificação muito forte com o grupo de pertença, tal como os adolescentes vivem, é assim matéria-prima que vai sendo desenvolvida ao longo do espetáculo.

Em 'Montanha-russa', as questões permanecem as mesmas e têm a ver com a de descoberta, de vivência de algo pela primeira vez, bem como com uma ideia de ajuste de contas e da agressividade ou passividade relativamente à família.

Que é quase uma obsessão, por vezes, afirmou Inês Barahona.

Com dramaturgia de Inês Barahona e encenação de Miguel Fragata, que juntos formam a Formiga Atómica, 'Montanha-russa' tem interpretação de Anabela Almeida, Carla Galvão, Miguel Fragata e Bernardo Lobo Faria.

A música original é de Helder Gonçalves, dos Clã, o movimento de Marta Silva, o desenho de som de Nelson Carvalho e o de luz de José Álvaro Correia.

Com cenografia de F. Ribeiro e figurino de José António Tenente, 'Montanha-russa' vai estar em palco até 27 de março, com espetáculos às quartas, às 19:00, de quinta a sábado, às 21:00, e, aos domingos, às 16:00.

No dia 27 de março, que é Dia Mundial do Teatro, é representada às 21:00.

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