Homenagem da pianista Joana Gama a Erik Satie agora em álbum

A pianista Joana Gama termina em dezembro o ciclo de concertos de homenagem a Erik Satie, e edita um álbum, em trio, com peças compostas a partir de estudos harmónicos do compositor francês.

© Getty Images
Cultura Música

Em janeiro, Joana Gama lançou-se num projeto itinerante, de recitais mensais em várias cidades portuguesas, a interpretar obras de Erik Satie - e de outros compositores nele filiados -, ancorado na efeméride dos 150 anos do nascimento do compositor.

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Depois de ter atuado, por exemplo, em Guimarães, Viseu, Serpa e Faro, Joana Gama fará agora os últimos recitais, no sábado, 03 de dezembro, no Theatro Circo de Braga, e no dia 14 de dezembro, na Casa de Portugal, em Paris.

Durante este périplo, a pianista foi desafiada a fazer um álbum com composições originais a partir do trabalho de Satie e o resultado é "Harmonies", gravado com os músicos Luís Fernandes e Ricardo Jacinto, que apresentará ao vivo a 07 de dezembro, no Teatro Maria Matos, em Lisboa.

Este "ano Satie" "foi muito interessante, porque foi possível mostrar uma ligação do compositor a tantos contextos diferentes - estive em teatros, museus, escolas -, e mostrar que a música dele é muito mais do que os 'Gymnopedies'", contou Joana Gama à agência Lusa.

Ao fim de tantos meses dedicados ao compositor francês, Joana Gama diz que Satie é "uma fonte inesgotável". "É tão interessante ver as pontes que ele criou com outras artes, com [Jean] Cocteau, com Picasso. Depois há a ligação à religião, fundou uma igreja da qual era o único membro, portanto era assim uma figura 'fora do baralho'".

No alinhamento dos recitais, Joana Gama incluiu também peças de John Adams, Arvo Pärt ou John Cage e outras composições de Satie, para lá da conhecida obra "Gymnopédie N.º 1".

Na reta final da série de recitais, Joana Gama lança o álbum "Harmonies", com Luís Fernandes (eletrónica) e Ricardo Jacinto (eletrónica e violoncelo) e que ao vivo terá um dispositivo cénico com pratos de bateria, que funcionará também como elemento musical.

"'Harmonies' foi o nome dado a um conjunto de estudos harmónicos musicais que Satie nunca desenvolveu. Por isso a ideia foi pegar em várias peças e desenvolvê-las e desconstrui-las, mantendo essa matéria-prima", contou Joana Gama.

O trio, que trabalhou o disco numa residência artística nos Açores, inspirou-se ainda "nas componentes extramusicais de Satie, sobre a forma como ele pensava a música e até sobre as próprias questões visuais que eram tão importantes para ele".

Joana Gama, Luís Fernandes e Ricardo Jacinto farão a estreia de "Harmonies" a 07 de dezembro, em Lisboa, mas para janeiro e fevereiro estão agendados mais concertos, em Coimbra, Braga e Porto.

 

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