Retrato de Portugal anos 40 numa exposição do fotógrafo Fernando Lemos

Um conjunto de retratos que o artista Fernando Lemos realizou a protagonistas do mundo intelectual português em meados do século XX vai ser exibido a partir de 26 de outubro no Museu Coleção Berardo, em Lisboa.

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Cultura Arte

"Fernando Lemos: Para um retrato coletivo em Portugal, no fim dos anos 40" é o título desta exposição do artista português radicado desde 1953 no Brasil, onde passou a residir devido à oposição ao regime de Salazar, obtendo a nacionalidade poucos anos depois.

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Pintor, artista gráfico e fotógrafo, Fernando Lemos, hoje com 90 ano, embora radicado no Brasil há décadas, continuou a mostrar o seu trabalho em Portugal.

Nesta exposição que inaugura a 26 de outubro, no Museu Berardo, são apresentados retratos captados entre 1949 e 1952, no seu ateliê, de vários protagonistas do mundo intelectual da época, em Portugal.

Em 2010, Fernando Lemos esteve em Lisboa para apresentar as exposições "Isto é Isto" e "Ex-Fotos", na Fundação Arpad Szénes-Vieira da Silva.

Na altura, numa entrevista à agência Lusa, o artista sublinhava que as fotografias que fez nos anos 1950, e que lhe conquistaram grande reconhecimento, "parecem ter sido feitas hoje porque nelas não há resquícios de época, são mais humanas, poéticas".

Fernando Lemos salientou que essas imagens a preto e branco "têm toda uma pesquisa ligada ao sentimento poético do surrealismo", um dos movimentos estéticos que o influenciaram.

As fotografias do período em causa revelam parte da convivência do artista na resistência ao regime de Salazar, quando travou conhecimento com personalidades como Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, também eles forçados a sair do país.

Passadas estas décadas a trabalhar no desenho, na fotografia, na pintura, Fernando Lemos considera que "a arte contemporânea ainda tem coisas que não foram resolvidas".

Mas no caso das fotos, "falam por elas mesmas: a fotografia logo que nasce é o seu próprio registo. Uma escultura pode dizer "fotografa-me". Um livro pode dizer "faz um filme comigo. Mas a fotografia é ela mesma. Já é o registo e a sua eternidade tornou-se quase que um fantasma".

Para o mestre da fotografia, "hoje, o que se exige do artista, é saber o que é e não é fotografia", defendeu.

Sobre a exposição que inaugura a 26 de outubro no Museu Berardo, em Lisboa, Pedro Lapa, diretor artístico do museu e curador da mostra, considera que "pela sua extensão, poder-se-á dizer que inventaria parte significativa de uma geração, encerrada num país isolado e alheio ao mundo que despontava depois da devastação do conflito mundial".

"Fernando Lemos: Para um retrato coletivo em Portugal, no fim dos anos 40" ficará patente no Museu Berardo até 31 de dezembro.

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