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Livro sobre desertores da Guerra Colonial apresentado na Suécia

O livro 'Exílios', sobre desertores da Guerra Colonial, é apresentado quinta-feira na Suécia, disse hoje à Lusa o presidente da Associação de Exilados Políticos que pretende revisitar as antigas redes dos desertores portugueses.

Livro sobre desertores da Guerra Colonial apresentado na Suécia
Notícias ao Minuto

09:00 - 15/06/16 por Lusa

Cultura Apresentação

"Nós, como tínhamos uma rede de desertores na Europa, estamos agora a reconstituir a rede e a lançar o livro nos sítios onde tínhamos implantação política. Foi o caso de Paris, em maio, é o caso da Suécia na quinta-feira e vai ser o caso da Holanda, provavelmente em outubro, na Dinamarca, ainda sem data marcada, e provavelmente no Luxemburgo", disse à agência Lusa Fernando Cardoso, presidente da Associação dos Exilados Políticos (AEP61/74).

Segundo Fernando Cardoso, que desertou para França onde viveu exilado desde 1970 até 1976, "as questões ligadas à deserção são ainda um tema silenciado pela sociedade portuguesa, que, por outro lado, ainda não resolveu a questão da Guerra Colonial".

O livro recentemente editado 'Exílios - testemunhos de exilados e desertores portugueses na Europa (1961-1974)' vai ser apresentado na quinta-feira na Biblioteca do Centro de Língua Portuguesa da Universidade de Estocolmo por Ricardo Namora, professor universitário na Suécia, e conta com a presença de Fernando Carneiro, um dos protagonistas de uma deserção coletiva ocorrida durante a Guerra Colonial.

"Muitos desertores foram para a Suécia, nomeadamente Fernando Carneiro, que integrou uma deserção coletiva com seis oficiais da Academia Militar. É uma deserção paradigmática porque teve a característica de ser de oficiais do quadro, o que não era comum. Foram todos para a Suécia depois de terem permanecido algum tempo em Paris", explica o presidente da associação, Fernando Cardoso.

O livro 'Exílios' reúne 22 testemunhos escritos e um outro cantado - inclui um CD com a gravação de músicas do cantor de intervenção Tino Flores, na Suécia, em 1973 - de exilados políticos, desertores e refratários, que saíram de Portugal durante a Guerra Colonial e que se recusaram a combater por razões políticas, mas também por motivos de "moral e de ética".

Paralelamente ao lançamento do livro em vários pontos da Europa, a AEP61/74 está a organizar um colóquio sobre o exílio e a deserção, temas "que ainda são silenciados em Portugal" - passadas mais de quatro décadas após o fim da Guerra Colonial, "até porque a Revolução de 1974 foi feita por militares e os militares têm um conceito muito rígido em relação à deserção", sublinhou o presidente da associação.

O colóquio vai realizar-se no dia 27 de outubro na Universidade Nova de Lisboa, sob o título 'O (As)salto da Memória - histórias, narrativas e silenciamento da deserção e do exílio'.

Além de antigos desertores e exilados políticos, participam, entre outros, os académicos Miguel Cardina, Sónia Ferreira, Sónia Vespeira, Paula Godinho e Irene Pimentel, que vão apresentar investigações inéditas sobre os desertores e exilados políticos portugueses, incluindo a apresentação de números exatos de pessoas envolvidas e que pode ter sido superior a 100 mil.

O colóquio vai centrar-se, por isso, nas questões da deserção e do exílio e no silenciamento "como é o caso do livro 'Exílios' que tem sido silenciado, como se não existisse", refere ainda Fernando Cardoso.

"Eu penso que este livro, os lançamentos e a realização do colóquio ajudam a desbloquear ao 'desenferrujamento' sobre o assunto", acrescenta o presidente da AEP 61/74 que admite a tradução do livro "Exílios" para francês.

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