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Ucrânia. Livro dá a conhecer verdades em confronto na própria Rússia

O analista português Carlos Brás lança hoje "A Guerra da Ucrânia vista de Moscovo", livro onde argumenta que há duas verdades em confronto, desde a interpretação do passado e dos eventos atuais, às diferentes visões da ordem internacional. 

Ucrânia. Livro dá a conhecer verdades em confronto na própria Rússia
Notícias ao Minuto

09:04 - 20/06/24 por Lusa

Cultura Ucrânia

No livro, de 607 páginas, e que será lançado em Lisboa e apresentado pelo prefaciador general Carlos Jerónimo, o autor apresenta as narrativas provenientes de cerca de 3.500 fontes russas, a maioria afetas ao Kremlin (presidência russa), às quais grande parte das pessoas não acede.

Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Carlos Brás fez a sua carreira no Serviço de Informações de Segurança (SIS), onde acompanhou matérias relacionadas, primeiro, com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e, depois, com a Federação Russa, tendo, a partir de 2010, começado a acompanhar e a analisar diariamente a propaganda russa. 

Através de 24 capítulos, Carlos Brás mostra os vários lados da Rússia: a relação com o Ocidente, ideologia, lado religioso, o apoio internacional à Ucrânia, os recrutamentos e os traidores, os serviços especiais russos, a vida interna na Rússia (desde a Educação, ao Desporto, passando pelas Artes e por outros setores da sociedade russa), sem esquecer os alegados "aliados" como a China e a Coreia do Norte.

O autor aborda também o que classifica como a "guerra do faz-de-conta" do ponto de vista do Kremlin, as "verdades alternativas russas" que ao longo da obra pretende desconstruir, as manipulações feitas e as ligações aos aspetos históricos e culturais, propondo mostrar ao leitor o que está subjacente aos objetivos russos.

No livro, editado pela PACTOR -- Edições de Ciências Sociais, Forenses e da Educação, Carlos Brás aborda também o período da "operação militar especial", a designação oficial do Kremlin à invasão da Ucrânia, obedecendo a uma cronologia que vai de janeiro de 2022 a 18 março de 2024, data da reeleição de Vladimir Putin como Presidente da Rússia.

No prefácio, o general Carlos Jerónimo defende que Carlos Brás mostra a incerteza que paira sobre o desenrolar dos próximos capítulos na invasão russa da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, sublinhando a importância de se reter "a imagem mais real possível da situação", advertindo para os perigos de, mais cedo ou mais tarde, "a Europa poder ser, ser arrastada para o olho do furacão".

"No final constatámos que um dos maiores inimigos da propaganda é a inexorável marcha do tempo, que acaba quase sempre por desmentir que aquilo que é dito que está para acontecer, afinal nunca acontece. Ficámos também com uma certeza: a propaganda pode servir para muita coisa, mas nunca será a 'roda sobressalente' de incapacidades ou da incompetência!", frisa Carlos Jerónimo.

Já no preâmbulo, Carlos Brás sustenta ser necessário tratar a propaganda russa atual "do mesmo modo que se encara a nazi ou soviética, sem pudor de despi-la dos seus mitos e símbolos nem receio de chamar falso ao que é falso".

"A Rússia não precisa da objetividade dos jornalistas, precisa sim do seu amor incondicional. (...) A Rússia de Putin age como um ilusionista: enquanto a mão destra distrai a atenção dos observadores, a mão sinistra executa a ação", argumenta o autor, para quem a propaganda "funciona como uma lente que explica o que se passa no mundo fora da experiência direta do público".

"Tal como uma lente distorce a luz que a atravessa, também a propaganda distorce a realidade que apresenta. Deste modo, a propaganda russa conseguiu convencer grande parte do público russo que a guerra na Ucrânia era não só inevitável, mas também necessária", sublinha Carlos Brás na obra.

Mas, já no epílogo, Carlos Brás vai mais longe ao defender que apelar ao pacifismo e à não interferência para evitar a escalada de violência, esperando que Putin se contente com a Ucrânia, "é um jogo perigoso". 

"Proceder de modo contrário e escalar o apoio à Ucrânia também é um jogo perigoso que pode levar à Terceira Guerra Mundial. (...) A Rússia não mudou. A sua retórica mostra que não teme a Terceira Guerra Mundial, parece mesmo que a deseja, embora não queira parecer a causadora. Pode não haver vencedor desta guerra, mas ao menos que a Rússia nela não desempenhe o papel de vítima", adverte o autor.

Leia Também: Ucrânia? Putin quer recuperar tudo o que é "solo sagrado" soviético

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