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História natural de ilhas Desertas de Cabo Verde posta em livro

Um livro sobre a história natural das ilhas Desertas de Santa Luzia, Branco e Raso, em Cabo Verde, pouco conhecida pela comunidade científica, será publicado em setembro, disse à Lusa uma das editoras da publicação.

História natural de ilhas Desertas de Cabo Verde posta em livro

O livro será lançado no âmbito de um projeto aplicado à conservação financiado pelo Banco Mundial, afirmou a bióloga portuguesa Raquel Vasconcelos, bolseira de pós-doutoramento no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

A cientista destacou que havia até agora muito pouca informação sobre a biodiversidade daquelas ilhas, que constituem uma reserva natural.

Falando à margem do 2º. Congresso de Comunicação de Ciência, que hoje termina, no Porto, Raquel Vasconcelos apresentou o resumo de um seu estudo intitulado "Mais criolo di qui bô - estratégias para aproximar os répteis dos cabo-verdianos", que pretende aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade e o valor natural, e que será descrito no livro que reúne investigadores internacionais.

A iniciativa, denominada "Compilação Científica sobre a Diversidade Biológica de As ilhas Desertas - Santa Luzia, Branco e Raso em Cabo Verde", visa compilar com lógica e rigor científico, produzir informação diversa dos vários aspectos do conhecimento científico já produzido ou publicado sobre a biodiversidade geral e em perigo nas ilhas de Santa Luzia, Branco e Raso.

Durante os estudos, a equipa de investigadores internacionais apurou que "há falta de conhecimento e que existe imenso trabalho de investigação que deveria ser realizado para colmatar esta falha" nessas regiões de Cabo Verde e, sobretudo, que "existe uma história interessantíssima a nível de ocupação humana da ilha", disse a bióloga.

Os pesquisadores constataram ainda que tudo "começou desde o período da colonização portuguesa, em que se tentou tirar proveito dos recursos existentes na Ilha de Santa Luzia".

"Os ilhéus eram bastante inóspitos, mas na Ilha de Santa Luzia encontrou-se água potável, tentou-se fixar aí uma população, tentou-se fazer exploração de gado, de um líquen para tinturaria e tudo isso falhou ao ponto de viver uma única pessoa na Ilha", referiu.

"E, claro, tudo isso mudou quando esta foi declarada uma área protegida. Sendo uma reserva integral não se permite a circulação de pessoas a não ser que tenham uma autorização prévia e para fins muito específicos de investigação para fins académicos. Todos os observadores tinham escassa informação relativamente a esses temas que abrangem a história natural destas ilhas", acrescentou Raquel Vasconcelos.

O livro vai abordar temas ligados à fauna de répteis, espécies das aves marinhas, calhandra do raso, fauna de invertebrados terrestres, biodiversidade marinha (fauna e flora), ictiofauna, botânica, conservação e espécies introduzidas, bem como terá um capítulo dedicado à história humana, do pastoreio do gado, sobre a exploração das aves e uso do ilhéu Branco para o contrabando.

"Espero que isso seja uma motivação forte para finalmente implementarem os planos de gestão destas ilhas, porque são reserva integral mas, muitas vezes, este estatuto fica no papel. Para uma reserva ser bem sucedida é preciso haver medidas de gestão, serem implementadas, haver fiscalização e ver se as coisas correm bem ou mal", alertou.

"Este plano de gestão já foi aprovado mas ainda não foi implementado. Isso pode ser uma motivação para que este plano siga em frente e que haja maior esforço para que este plano seja melhorado e aplicado em outras áreas de Cabo Verde", considerou Raquel Vasconcelos.

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