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Reino Unido. Movimento pede créditos para tradutores nas capas dos livros

A Sociedade dos Autores do Reino Unido lançou uma carta aberta a exigir o nome dos tradutores nas capas dos livros que traduzem, uma ação quase com 2.000 assinaturas, que conta com nomes como Bernardine Evaristo ou Olga Tokarczuk.

Reino Unido. Movimento pede créditos para tradutores nas capas dos livros
Notícias ao Minuto

16:33 - 18/10/21 por Lusa

Cultura Reino Unido

A iniciativa partiu da tradutora norte-americana Jennifer Croft, conhecida pela tradução do polaco para o inglês do livro 'Viagens', de Olga Tokarczuk, que lhe valeu o Prémio Booker Internacional, que redigiu e divulgou o documento no 'site' da Sociedade dos Autores do Reino Unido, no Dia Internacional da Tradução, que se assinalou a 30 de setembro.

A carta, escrita pela tradutora em parceria com o escritor Mark Haddon, pretende fazer com que o mercado editorial reconheça a importância dos tradutores de obras literárias e, nesse sentido, apela a todos os escritores que peçam aos seus editores créditos de capa para as pessoas que traduzem o seu trabalho.

Ao assinar o documento - lançado juntamente com a 'hashtag' #TranslatorsOnTheCover ('Tradutores na Capa') - os escritores comprometem-se a pedir: "Sempre que o nosso trabalho for traduzido... o nome do tradutor apareça na capa".

A carta reconhece que é "graças aos tradutores que [há] acesso às literaturas mundiais passadas e presentes" e prossegue dizendo que os tradutores devem ser "devidamente reconhecidos, celebrados e recompensados".

Para Mark Haddon, "esta é a forma mais simples de os autores tratarem os tradutores com a gratidão e o respeito que merecem".

"Esta é uma mudança essencial que quase não leva tempo a fazer e não custa nada aos editores", escreveu Jennifer Croft, considerando que "o futuro da literatura deve ser honesto, igual e justo".

Se a iniciativa partiu da tradutora de Olga Tokarczuk, a reação da escritora polaca Prémio Nobel da Literatura em 2018 não se fez esperar e, numa demonstração solidária, assinou a carta, contando-se entre os primeiros a fazê-lo.

Também a premiada autora anglo-nigeriana Bernardine Evaristo, vencedora do Prémio Booker 2019 com 'Rapariga Mulher Outra', foi uma das primeiras a assinar a carta aberta.

Jhumpa Lahiri, Max Porter, Philip Pullman, Sebastian Faulks, Tracy Chevalier e Valeria Luiselli são outros dos nomes que figuram entre os mais de 1.920 signatários da carta.

Sobre esta iniciativa, Max Porter disse: "Vamos a isso. Todos nós... Nomeiem o tradutor no mesmo fôlego com que nomeiam o autor".

Entre os tradutores que também assinaram a missiva, encontram-se alguns responsáveis por traduções de e para a língua portuguesa, como é o caso da britânica Margaret Jull Costa - que traduziu, entre outros, José Saramago, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e José Régio -, ou dos portugueses Adelino Pereira, Dina Antunes, Eugénia Antunes, Patrícia Abreu Felício, Paulo Rego ou Rita Almeida Simões.

"A literatura é um poderoso atravessador de fronteiras, e é o trabalho e a criatividade dos tradutores que permite que essa passagem aconteça", lembrou a escritora britânica Sarah Waters, considerando que "esta simples iniciativa reconhece e celebra os talentos dos tradutores de uma forma que há muito se sente vencida".

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